1984 de Orwell na sua melhor forma: Google avança contra privacidade de usuários e agora entrega termos de pesquisa e IP de internautas para a polícia

Que o Google não é muito fã de respeitar a privacidade dos usuários e de seus clientes todo mundo sabe, mas parece que, segundo as informações publicadas pela fonte originária, um dos maiores e mais antigos sites especializados em tecnologia do mundo, a situação piorou e muito para a gigante do Vale do Silício.

O texto da da fonte originária é bem claro: "Google está entregando dados de usuários, incluindo termos de pesquisas e endereços IPs para as forças policiais".

Registros de casos judiciais de um incêndio criminoso mostram que o Google chegou a divulgar os dados sobre as pessoas que procuraram sobre um endereço em específico.

A situação foi descoberta após os registros judiciais se tornarem públicos, permitindo verificar que os investigadores solicitaram ao Google dados de pesquisa de qualquer usuário que enquadrassem no contexto das investigações e não de um suspeito específico.

Em agosto, a polícia prendeu Michael Williams, um associado do cantor e acusado de crime sexual R. Kelly, por supostamente ter ateado fogo no carro de uma testemunha na Flórida. Os investigadores ligaram Williams ao incêndio criminoso, bem como à intimidação de testemunhas, após enviar um mandado de busca e apreensão ao Google que solicitava informações sobre "usuários que haviam pesquisado o endereço da residência perto do incêndio".

Como podem ver, o mandado de busca e apreensão foi bastante genérico, permitindo que o Google entregasse informações de qualquer um que tivesse pesquisado qualquer informação que tenha sido indiretamente ligada ao caso criminoso, violando gravemente a privacidade dos internautas, um direito fundamental humano, protegido por diversos tratados internacionais e até mesmo pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O processo de julho foi tornado público na terça-feira passada. O repórter do Detroit News, Robert Snell, tuitou sobre o pedido depois que ele foi tornado público:


Documentos judiciais mostraram que o Google forneceu os endereços IP de pessoas que procuraram o endereço da vítima de incêndio criminoso, que os investigadores vincularam a um número de telefone pertencente a Williams. A polícia então usou os registros do número de telefone para identificar a localização do dispositivo de Williams perto do incêndio criminoso, de acordo com documentos do tribunal.

O mandado original enviado ao Google ainda está em segredo de justiça, mas o relatório fornece outro exemplo de uma tendência crescente de solicitações de dados ao gigante dos mecanismos de busca, em que os investigadores exigem dados sobre um grande grupo de usuários em vez de uma solicitação específica sobre um único suspeito.

"Este 'mandado de palavra-chave' foge das verificações da Quarta Emenda sobre a vigilância policial", disse Albert Fox Cahn, diretor executivo do Projeto de Supervisão de Tecnologia de Vigilância. "Quando um tribunal autoriza o despejo de dados de cada pessoa que pesquisou um termo ou endereço específico, é provável que seja inconstitucional."

Os mandados de palavra-chave são semelhantes aos mandados de geolocalização, nos quais a polícia faz solicitações ao Google de dados em todos os dispositivos conectados em uma área e horário específicos. O Google recebeu 15 vezes mais solicitações de autorização de geolocalização em 2018 em comparação com 2017, e cinco vezes mais em 2019 do que em 2018. O aumento nas solicitações reversas da polícia incomodou a equipe do Google, de acordo com e-mails internos.

Lembramos que o Governador do Estado de São Paulo, João Doria, utilizou técnicas semelhantes, supostamente legais, para monitorar de forma anônima a aglomeração dos paulistanos durante as medidas draconianas impostas para tentar conter a pandemia causada pelo Coronavírus/Covid-19.

O Google disse na última quinta-feira que trabalha para proteger a privacidade de seus usuários ao mesmo tempo em que apoia a aplicação da lei.

"Exigimos um mandado e pressionamos para estreitar o escopo dessas demandas específicas quando excessivamente amplas, incluindo contestação em tribunal quando apropriado", disse o diretor de aplicação da lei e segurança da informação do Google, Richard Salgado, em um comunicado. "Essas demandas de dados representam menos de 1% do total de mandados e uma pequena fração das demandas legais gerais para dados de usuários que recebemos atualmente."

A empresa se recusou a divulgar quantos mandados de busca e apreensão de palavras-chave que recebeu judicialmente nos últimos três anos.
Fontes das Informações
Sobre o(a) Autor(a):
POLITZ
Esse é o Perfil Oficial usado pela Equipe de Redação do POLITZ para criar as nossas matérias. As reportagens assinadas individualmente possuem perfil próprio.

Como de costume, oferecemos a fonte originária de todas as informações publicadas no final de cada artigo, com exceção das fontes internas. Captamos diversas informações pelo exclusivo #AlgoritmoPOLITZ que tem um alcance mundial.

Se você gosta do nosso trabalho como mídia independente, considere nos apoiar financeiramente com qualquer valor. Lembre-se que nós não recebemos dinheiro de políticos ou empresas estatais e só funcionamos com contribuições de vocês.

Comentários

Não há comentários para mostrar.

Informações da Publicação

Autor(a)
POLITZ
Visual.
248
Última atualização

Compartilhar

Top Bottom