A distinta natureza do bem e do mal.

Muitas pessoas se utilizam de um argumento pra justificar o que por si só não se justifica, dizem que a capacidade do bem e do mal, ambas, advém da natureza racional humana, e a nada mais além da própria razão transcende.
Acontece que cada vez mais que se aproxima da tentativa de compreender o bem e o mal e todos seus efeitos e resultados, esse argumento se desmancha, aos poucos vai se definhando e mostrando de fato o quão ilógico é. Trata-se de uma preguiça intelectual, uma falta (enorme) de vontade de compreender a raiz da própria natureza e a base dos próprios atos, argumentos e idéias.

Sempre que se presencia um ato de puro mal e um ato de puro bem, mais se aproxima da idéia de que se tratam de naturezas distintas, e mais claro fica que seria impossível tais atos surgirem de uma mesma substância racional e simplesmente humana como uma conta de matemática.
Existe um ponto central para o bem, assim como existe um ponto central para a ausência dele, de forma com que o mal seja a ausência e o bem a substância, de forma com que o bem seja a fonte de tudo que há, e o mal a ausência, o desprezo e a miséria.
De forma que o bem sempre prevaleça, caso você o escolha.

Exemplificarei dois casos distintos :


Às 3h da manhã, dois homens descem de um carro em uma esquina, espancam, matam e queimam um morador de rua. Por absolutamente nenhum motivo criminal.

Em outra ocasião, um garoto de 8 anos sai pra buscar sua comida e de seu pai, no caminho de casa se depara com um morador de rua e entrega então a sua marmita para ele, e volta apenas com a do seu pai pra casa.

Se atente bem a esses dois casos, preste atenção em um de cada vez, os ilustre na sua cabeça e responda a si mesmo : Essas ações partiram de uma mesma natureza? De uma mesma substância?
É lógico acreditar que todas as nossas inclinações para atos de caridade e para atos extremamente cruéis ( dos quais muitas vezes sequer conseguimos compreender a razão do ato, e isso vale para ambos. ) surgem de um mesmo ponto central? que é completamente guiado por nós? Sem Deus, sem diabo, sem alma, sem espiritualidade, sem transcendência nenhuma. Só nós e nossa razão puramente humana, que evoluiu a partir do nada por sabe-se lá qual razão.
Fica claro que acreditar em tudo isso, ao meu ver, parece um mito bem maior e bem mais irracional do que Deus e religião.

Contrariando o escritor Frânces Anatole France, que dizia que : ''O mal é necessário, da mesma forma que o bem [...] E um não pode exaurir-se sem o outro.'' Eu digo que nessa realidade pode até ser, mas convido você a contestar a inegável constatação de que a substância, em algum momento, sobrepõe totalmente a ausência. E de que assim como água e óleo não se misturam, o bem e o mal também não.
Deixar preencher-se do sumo bem que é Deus, mostra e esclarece a distinta natureza do bem e do mal.

Afinal, aquele velho clichê caricaturizado de um anjinho e de um diabinho no seu ombro, te dizendo o que fazer, de fato, não é tão irreal assim, é?
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Paulo Santos
Paulo H. Santos é universitário de história e estudante voluntário e apaixonado de filosofia entre outras áreas de estudo.

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