A substância da vida.

Compreender e enxergar os problemas que nos são apresentados socialmente são coisas bem distintas, enquanto alguns buscam a raiz do problema, outros apenas enxergam os frutos. Se faz cada vez mais necessário então a busca pela origem do mal que nos aflige de forma tão massiva ultimamente, males como, simplesmente, não entender o valor de uma vida.

O valor da vida difere de acordo com o que vemos? Bom, numa visão Hedonista, sim, não só difere como nos dá o pseudo poder de determinar quais tem o direito de prosseguir na existência, de chegar a existência e de deixar a existência. Essa compulsão louca por ser capacitado e qualificado para não apenas inteligir sobre as vidas, mas de aplicar o valor a elas individualmente (como se a substância do valor da vida não fosse única e irrelativizável) surge de uma filosofia hedonista, onde nós, humanos, temos como finalidade e objetivo o prazer, o conforto e o bem estar.

A desvirtuação da finalidade das coisas é o que da origem a reação dos próprios atos, simplificando em um exemplo bem atual, quando você altera a finalidade do sexo, tirando a sua virtude de reprodução e sua função de gerar vidas e transforma em finalidade o prazer, excluindo assim a própria finalidade natural do ato, você entrega ao homem uma incompreensão natural da sua própria natureza. Se enxerga como a finalidade não mais a virtude da coisa, ou seja, aquilo para qual ela existe como função perfeita, e assume então no lugar uma premissa hedonista, o meio como fim, e o fim inexistente.

A própria reconceituação da finalidade de um ato sexual abre espaço para a reconceituação da finalidade da vida, ora, se um ato cujo segundo a própria natureza da coisa não exerce mais sua função, e no lugar é colocado a auto realização do homem, todos os passos dados adiante pretendem buscar essa auto realização, transformando assim a própria finalidade humana na busca pelo prazer, conforto e bem estar. A virtude da vida é a finalidade da mesma, e o hedonismo busca aprofundar e limitar cognitivamente a natureza humana em uma natureza animal. É necessário cavar até as raízes para compreender que os frutos não podem ser resultado de outra coisa, se em algum momento o ato sexual não tivesse sido reconceituado ao bel-prazer humano, a probabilidade de existirem homens que se subtraem a instintos animais na busca pelo prazer, ignorando moral, civilização, ética e lógica, dificilmente seria grande.

A animalização do homem não começa no ato, o ato é simplesmente o reflexo palpável do homem que se tornou animal.
Sobre o(a) Autor(a):
Paulo Santos
Paulo H. Santos é universitário de história e estudante voluntário e apaixonado de filosofia entre outras áreas de estudo.

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