Em A Máquina do Tempo, a sociedade evolui um milhão de anos no futuro em duas espécies separadas denominadas de Morlocks e Eloi. Os Morlocks representam os produtores, feios e sujos em sua aparência, que, por volta desta era futura, vivem todos debaixo da terra e levam e cabo a produção mundial. Os Eloi são resultantes da endogamia da elite que, por volta desta mesma época, são ingênuos, arianos, habitantes da superfície, vivem no ócio e consomem apenas o que os Morlocks produzem. Qual era, afinal, o impasse?

Os Morlocks periodicamente vão até a superfície em grupos de caça para raptar e comer Eloi desprevenidos neste círculo simbioticamente vicioso de vida.

Esta famosa ficção fora concebida em 1893 por um jovem escritor britânico, cujas ideias e obra pioneira na modelagem de novas técnicas de guerra cultural afetaram profundamente os 130 anos seguintes da história da humanidade. Essas ideias levaram à inovação das técnicas dramatúrgicas de “programação preditiva” e à guerra psicológica em massa. Em contraste com as visões otimistas sobre a humanidade e o futuro potencial vislumbrado anteriormente pelo grande escritor de ficção científica Júlio Verne, os contos misantrópicas de Wells possuíam o pretendido efeito de reduzir o potencial criativo e o amor à humanidade que a obra de Verne despertara.

Para a reafirmar a técnica de modo mais claro, ao modelar a imaginação da sociedade acerca do futuro, e incorporando desfechos existencialistas/niilistas aos seus enredos, Wells percebera que todo o zeitgeist da humanidade poderia ser afetado em um patamar mais profundo do que o que simples razão da consciência permitiria. Uma vez que ele velava o seu veneno com o manto da “ficção”, as mentes daqueles que eram os receptadores dos seus contos suspenderiam o engajamento das suas faculdades de pensamento crítico e simplesmente absorveriam todos os cavalos de Troia incorporados às obras ao seu inconsciente. Esta tem sido uma perspicaz estratégica empregada há mais de um século por engenheiros sociais e agências de inteligência cujo objetivo sempre foi a escravização voluntária de todos os povos da Terra.

Embora ele seja mais conhecido por obras de ficção como A Guerra dos Mundos, O Mundo Liberto, O Homem Invisível, A Ilha do Doutor Morrow, e A Máquina do Tempo, foram os escritos não-ficcionais menos conhecidos de Wells como A Conspiração Aberta, A Nova Ordem Mundial, O Esboço da História, A Ciência da Vida e O Cérebro Mundial que serviram de guia para os planos estratégicos de toda a guerra do século XX contra os estados-nações soberanos e a própria ideia de uma sociedade construída sobre a premissa da humanidade feita à imagem de Deus.

A revolução de Thomas Huxley

Os membros da oligarquia que se concentrava em Londres, à qual Wells havia se devotado desde muito cedo, viram-se presos num dilema na virada do século XIX. Estas famílias consanguíneas e retencionistas que controlavam o moribundo Império Britânico haviam sido há muito incrustadas pelos vícios da decadência, quando um jovem de baixa ascendência e enorme talento emergiu do meio dos guetos londrinos tratando pacientes sifilíticos como assistente de cirurgião. O nome deste jovem cirurgião era Thomas Huxley.

Huxley possuía um espírito sardônico, uma profunda misantropia e uma inteligência que não tardaram a ser descobertas por poderosos patronos, e em meados dos seus 20 anos, este jovem vira-se como uma estrela em ascensão na Academia Real de Ciências Britânica. Aqui ele rapidamente tornou-se uma liderante força criativa, moldando o poderoso X Club britânico, servindo como cão de guarda de Darwin na promoção de debates populares contra membros literalistas do clero. Nestes debates, ele defendia a interpretação da sujeição ao caos da evolução darwinista. Ele também fundou a revista Nature como instrumento de propaganda que tem sido utilizado até os dias de hoje para a imposição de um consenso científico favorável a um império mundial.

Huxley escolhia de forma cuidadosa os seus opositores, assegurando-se de que assim ele poderia obliterar fácil e publicamente os argumentos do clero anglicano menos intelectualizado, e então convencer todos os espectadores de que a única escolha que tinham para explicar a evolução das novas espécies era o criacionismo bíblico literal ou a sua ramificação da evolução darwinista. As muitas teorias científicas alternativas do século XIX (como as encontradas nas obras de Karl Ernst von Baer, Georges Cuvier, Lamarck e James D. Dana) que explicaram tanto a evolução das espécies, como a harmonia de todas as partes perante um todo, bem como os saltos criativos, foram esquecidas no meio desta falsa dicotomia que o autor que vos escreve destrinchou numa entrevista recente.

Wells pega a tocha deixada por Huxley

Nos seus últimos anos, Huxley foi o mentor de um jovem H. G. Wells, juntamente a toda uma geração de novos praticantes imperiais das artes da engenharia social (e do darwinismo social). Esta engenharia social rapidamente ganhou as formas da eugenia de Francis Galton, transformando-se rapidamente numa ciência de aceitação geral e praticada em todo o mundo ocidental.

O próprio Wells era filho de um humilde jardineiro, porém, assim como Huxley, exibia forte espírito misantrópico, paixão e criatividade que faltavam à alta nobreza, e assim fora elevado dos estratos inferiores da sociedade para a ordem da administração oligárquica na década de 1890. Durante este momento de vasto potencial — e nunca é demais reafirmar —, a ordem oligárquica que havia se tornado excessivamente autoconfiante durante os mais de 200 anos de hegemonia, ficou petrificada ao ver as nações da Terra libertarem-se rapidamente desta mesma hegemonia graças à disseminação internacional do sistema americano de Lincoln pela Alemanha, Rússia, Japão, América do Sul, França, Canadá e até mesmo na China com a revolução republicana de Sun Yat-sen de 1911.

Conforme delineado por Cynthia Chung em sua palestra “Por que a Rússia salvou os EUA”, a oligarquia já não mais parecia ter a vitalidade criativa e a sofisticação necessárias para extinguir estas chamas revolucionárias.

Wells descreveu o problema nos seguintes termos:
“A inegável contração da perspectiva britânica na década de abertura do novo século é um fato que muito exercitou a minha mente... Gradualmente, a crença na possível liderança mundial da Inglaterra havia sido deflacionada pelo desenvolvimento econômico da América e pela autoafirmação militar da Alemanha. O longo reinado da Rainha Vitória, tão próspero, progressivo, que não demandava muitos esforços, havia produzido hábitos de indolência política e de garantias baratas. Enquanto povo, nós havíamos a abandonado a prática de estar em forma, e quando o desafio destes novos rivais se tornou aberto, isto imediatamente tirou-nos o fôlego. Não sabíamos como enfrentá-lo...”
A ciência do controle da população admoestada por Huxley, Wells, Galton, Lord Alfred Milner, Halford J. Mackinder e Bertrand Russell foi o fundamento para um novo sacerdócio científico e um “governo mundial” que colocaria fim ao espantoso desequilíbrio desencadeado pela elétrica disseminação das nações-estados soberanas, do protecionismo e do comprometimento com o progresso científico e tecnológico.

Fabianos, adeptos da Távola Redonda e coeficientes: novos think tanks surgem

H. G. Wells, Russell e outros entre os primeiros engenheiros sociais deste novo sacerdócio organizavam-se em vários think tanks interligados, conhecidos como: 1) a Sociedade Fabiana, de Sidney e Beatrice Webb, que operava através da London School of Economics; 2) o Round Table Movement (Movimento da Távola Redonda), iniciado pelas fortunas deixadas à posteridade pelo magnata racista dos diamantes Cecil Rhodes, que também deu origem ao Rhodes Trust e aos programas de bolsas de estudos da Rhodes Scholarship, estabelecidos para doutrinar jovens talentos nos salões de Oxford; e finalmente 3) o Coefficients Club of London (Clube dos Coeficientes de Londres). Conforme observado pelo Professor Carroll Quigley, de Georgetown, no seu livro The Anglo-American Establishment (“O Estamento Anglo-Americano”), de 1981, a filiação às três organizações era virtualmente intercambiável.

Wells descreveu a ascensão destes think tanks originais e documentou a incapacidade da elite interna de enfrentar o desafio dos tempos afirmando que:
“A nossa classe dominante, protegida pelo invólucro das suas vantagens por um esnobismo universal, era de mente aberta, flexível e profundamente preguiçosa... O nosso liberalismo já não mais era um empreendimento maior, havia se tornado uma indolência generosa. Mas as mentes estavam despertando para isto. Sobre a nossa mesa no Hotel St. Ermin’s discutem Maxse, Bellairs, Hewins, Amery e Mackinder, todos se sentindo bordoados pelo pequeno porém humilhante conto das catástrofes da guerra sul-africana, todos sensíveis à ameaça de recessão econômica, e todos profundamente alarmados pela agressividade naval e militar da Alemanha.”
Temendo a perspectiva de uma aliança entre os EUA, a Rússia e a China, delineada em profundidade por Mackinder e Milner, ambos membros da Sociedade Fabiana e da Távola Redonda, a solução era simples: chutar todas as peças do tabuleiro de xadrez geopolítico e fazer com que todos se massacrassem uns aos outros. Relatos dos esforços imperiais britânicos para orquestrar esta guerra foram contados em muitos locais, mas nenhum deles de modo tão contundente quanto no documentário 1932: Speak Not of Parties, de 2008.

Na sequência da destruição que deixou 9 milhões de mortos de todos os lados e arruinou inúmeras vidas, Wells, Russell e a Távola Redonda de Milner tornaram-se as principais vozes em favor de um governo mundial sob a Liga das Nações (por volta de 1919), defendendo um “cosmopolitismo iluminado” para substituir a era das “nações-estados egoístas”.

A batalha pelo governo mundial

Uma década após a sua fundação, a Liga fora menos exitosa em relação ao que Wells e os seus co-idealizadores haviam vislumbrado, com nacionalistas do mundo inteiro reconhecendo a mão maligna do império à espreita por trás da aparente linguagem dos “valores liberais e da paz mundial”. Sun Yat-sen, entre muitos outros, estava entre as vozes que se opuseram às ideias de Wells e alertou os seus compatriotas chineses em 1924 para que não caíssem nesta armadilha dizendo:
“As nações que estão empregando o imperialismo para conquistar os outros e que estão tentando preservar as suas próprias posições privilegiadas como senhores soberanos de todo o mundo estão defendendo o cosmopolitismo [isto é: governança global/globalização — Ed.] e querem que o mundo una-se a elas... O nacionalismo é aquele bem precioso através do qual a humanidade preserva a sua existência. Se o nacionalismo entrar em decadência, então, quando o cosmopolitismo florescer, seremos incapazes de sobreviver e seremos eliminados.”
Em resposta a esta resistência patriótica ao redor do mundo, uma nova estratégia teve de ser inventada. Esta, por sua vez, tomou a forma de A Conspiração Aberta: Projeto para uma Revolução Mundial, de H. G. Wells, publicado em 1928. Este livro pouco conhecido serviu de guia para o século seguinte de grande estratégia imperial, clamando por uma nova religião e ordem social mundiais. De acordo com Wells:
“As antigas fés tornaram-se pouco convincentes, insubstanciais e insinceras, e embora existam indícios claros de uma nova fé no mundo, ela ainda aguarda a sua incorporação em fórmulas e organizações que levarão a uma reação eficaz sobre os assuntos humanos como um todo.”
No seu livro, Welles esboça a necessidade de um novo evangelho científico para substituir as fés judaico-cristãs do mundo ocidental. Este novo evangelho consistia numa série de tomos que ele e o seu colega Julian Huxley compuseram, intitulados: 1) O Esboço da História (1920), no qual Wells reescreveu toda a história com o desejo de que esta análise substituísse o livro de Gênesis; 2) A Ciência da Vida (1930), co-escrito com Sir Julian Huxley (neto de Thomas Huxley, que deu continuidade à tradição familiar juntamente com Aldous); e 3) O Trabalho, a Riqueza e a Felicidade da Humanidade (1932).

Parte deste imenso projeto de criação de uma nova religião sintética e coerente para reorganizar a humanidade envolvia uma reembalagem de um darwinismo que estava caindo em desuso entre muitos cientistas da década de 1920. Eles reconheceram o seu fracasso em dar conta de características óbvias da natureza, como a direcionalidade na evolução, espírito, intenção, ideias e concepção.

Esta reembalagem tomou a forma da Nova Síntese Evolutiva, que tentou salvar a teoria de Darwin e os seus corolários eugênicos utilizando a doutrina do “Homem Ômega” do Padre Jesuíta Pierre Teilhard de Chardin. O sistema elaborado por Chardin sintetizou a fundamentação dos pressupostos darwinistas com o reconhecimento da direcionalidade evolutiva, a possibilidade do espírito, e a existência da mente como força da natureza. A leveza destrutiva da mão usada por Chardin era de que todas estas características “transcendentes” da concepção — espírito, mente, razão, etc — eram: 1) ligadas a um ponto futuro finito de nenhuma mudança que dominou e guiou todas as modificações aparentes no tempo do espaço vivo; e 2) que ligavam o mundo da mente e do espírito às forças do mundo material. Essa recombinação das ideias de Chardin, Huxley e Wells manteve as leis de Darwin relevantes e manteve a ciência compatível com os modos imperiais de organização social.

Ao destacar os objetivos de A Conspiração Aberta, Wells escreve:
“Primeiramente, a natureza inteiramente provisória de todos os governos existentes, e a natureza inteiramente provisória, portanto, de todas as lealdades a ela associadas; Segundo, a suprema importância do controle da população na biologia humana e a possibilidade que nos proporciona de nos libertarmos da pressão da luta pela existência sobre nós próprios; e Terceiro, a urgente necessidade de resistência protetora contra o presente impulso tradicional para a guerra.”
Em 1933, a planejada Ditadura dos Banqueiros, destinada a solucionar os longos quatro anos da grande depressão e organizada durante os meses da Conferência de Londres, estava à beira de ser sabotada pelo então recém-eleito Presidente americano Franklin Delano Roosevelt. Foi então que Wells publicou um novo manifesto sob a forma de um livro de ficção chamado A Forma das Coisas por Vir: A Revolução Suprema. Este livro (logo transformado em um filme de Hollywood) serviu como uma das primeiras ferramentas de programação preditiva em massa, mostrando um mundo destruído por décadas de guerra global, pandemias e anarquia — tudo causado por... nações-estados soberanas.

A “solução” para estes tempos sombrios tomou a forma de uma sociedade maçônica de engenheiros sociais que desceram dos aviões (“A Benevolente Ditadura do Ar” de Wells) para restaurar a ordem sob um governo mundial. Wells fez seu personagem principal (um psicólogo social) afirmar que “enquanto o Conselho Mundial lutava, dirigia e levava adiante o Estado Mundial unificado, o Controle Educacional estava remodelando a humanidade”. Os psicólogos sociais que dirigiam o Governo Mundial estavam “tornando-se na literatura, na filosofia e no pensamento geral do mundo... a alma raciocinante no corpo da raça”.

O maior problema a ser superado, afirmou Wells, era “a variabilidade da resistência mental à direção e aos limites estabelecidos pela natureza ao ideal de um mundo cooperativo aquiescente”.

O herói de Wells, Gustav de Windt, estava “preocupado com os seus gigantescos esquemas de organização mundial, havia tratado o ‘espírito de oposição’ puramente como um mal, como um vício a se proteger contra, como um problema no maquinário que devia ser minimizado o mais completamente possível”.

Em 1932, Wells fez um discurso em Oxford, defendendo uma ordem global dirigida por fascistas liberais, dizendo: “Peço aos Fascisti liberais, aos nazistas esclarecidos”. Isto não era paradoxal quando se percebe que a ascensão do fascismo nunca foi um fenômeno “nacionalista” como os livros de história populares têm afirmado durante décadas, mas foi antes a consequência artificial de uma oligarquia financiadora supranacional do topo que desejava usar “agentes” para ajoelhar as suas sociedades a uma vontade superior.

O cérebro mundial

Quando a Segunda Guerra Mundial se iniciou, as ideias de Wells haviam desenvolvido novos componentes insidiosos que mais tarde deram origem a mecanismos como a Wikipédia e o Twitter sob a forma de O Cérebro Mundial (1937), no qual Wells clama pela redução da língua inglesa a um “inglês básico” de 850 palavras admitidas que constituiriam uma língua mundial. Neste livro, Wells afirma que:
“Os pensadores do tipo vislumbrador cujas ideias estamos agora levando em consideração, começam a perceber que a linha mais esperançosa para o desenvolvimento da nossa inteligência racial reside mais na direção da criação de um novo órgão mundial para a coleta, indexação, sumarização e divulgação de conhecimentos, do que em qualquer outra adaptação do sistema universitário altamente conservador e resistente, de textura local, nacional e tradicional, já existente. Estes inovadores, que podem ser sonhadores hoje, mas que esperam tornar-se organizadores bastante ativos do amanhã, projetam um órgão mundial unificado, se não centralizado, para unificar a mente do mundo.”
Por volta de 1940, Wells escreveu a A Nova Ordem Mundial, que mais uma vez amplificou a sua mensagem. Ao escrevê-la, ele coordenou os seus esforços com os muitos fabianos e acadêmicos da Rhodes que haviam se infiltrado nos estamentos de política externa ocidental a fim de moldar a guerra, mas mais importante ainda, a estrutura global do pós-guerra. Estas eram as redes que odiavam Franklin Roosevelt, o Vice-Presidente Henry Wallace, Harry Hopkins e outros “New Dealers” genuínos que nada mais queriam do que destruir o colonialismo de uma vez por todas, na sequência da guerra.

Wells insistia na “nova era de fraternidade” que deveria guiar as novas Nações Unidas, que não deveria tolerar nações-estados soberanas como sonhava Roosevelt (e conforme fora formalmente consignado na Carta das Nações Unidas), mas que deveria antes ser guiada pela sua casta de engenheiros sociais que teriam ao alcance das suas mãos as alavancas da produção e do consumo dentro de um sistema de “coletivização” em massa, ao dizer:
“A coletivização significa o gerenciamento dos assuntos comuns da humanidade por um controle comum responsável por toda a comunidade. Significa a supressão do go-as-you-please em assuntos sociais e econômicos tanto quanto em assuntos internacionais. Significa a franca abolição da busca pelo lucro e de todos os dispositivos através dos quais os seres humanos se esforçam para que se tornem-se parasitas dos seus semelhantes. É a realização prática da irmandade do homem através de um controle comum.”
Se as argumentações de Wells parecem semelhantes às ideias recentemente divulgadas do Grande Reset do Fórum Econômico Mundial, então não se surpreenda.

A morte de Wells e a perpetuação de uma má ideia

Com a morte de Wells em 1946, outros fabianos e engenheiros sociais deram continuidade ao seu trabalho durante a Guerra Fria. Uma das figuras principais aqui é Lord Bertrand Russell, um dos associados de Wells, que escreveu no seu O Impacto da Ciência na Sociedade, de 1952:
“Penso que o assunto que será politicamente mais importante é a psicologia de massas... A sua importância tem sido enormemente aumentada pelo crescimento dos métodos modernos de propaganda. Destes, o mais influente é o que se chama ‘educação’. A religião desempenha um papel, embora esteja decrescendo; a imprensa, o cinema e a rádio desempenham um papel cada vez maior... pode esperar-se que com o tempo qualquer pessoa seja capaz de convencer qualquer pessoa de alguma coisa se conseguir apanhar os jovens pacientes e se o Estado fornecer-lhes o dinheiro e o aparato.”
“O assunto fará grandes progressos quando for abordado por cientistas sob uma ditadura científica. Os psicólogos sociais do futuro terão à sua disposição uma série de salas de aulas de crianças nas quais tentarão diferentes métodos para produzir uma convicção inabalável de que a neve é preta. Eles não tardarão a chegar em vários resultados. Primeiro, que a influência do lar é obstrutiva. Segundo, que não se pode fazer muito, a menos que a doutrinação inicie-se antes dos dez anos de idade. Em terceiro lugar, os versos musicados e repetidamente entoados são muito eficazes. Quarto, que a opinião de que a neve é branca deve ser mantida para mostrar um gosto mórbido pela excentricidade. Mas eu antecipo. Cabe aos futuros cientistas tornar estas máximas precisas e descobrir exatamente quanto custa por cabeça fazer as crianças acreditarem que a neve é preta, e quanto menos custaria fazê-las acreditar que é cinza escura.”
Embora os corpos de Wells, Russell e Huxley já tenham apodrecido há muito tempo, suas ideias putrefatas continuam a animar seus discípulos, como Sir Henry Kissinger, George Soros, Klaus Schwab, Bill Gates e Lord Malloch-Brown (que verbalizou uma desconcertante celebração do coronavírus como uma oportunidade de ouro para finalmente reestruturar a civilização) deveriam ser objeto de preocupação de qualquer cidadão pensante. A ideia de um “Grande Reset” exposta por estes porta-vozes contemporâneos das más ideias da história sinaliza nada mais do que uma nova Idade das Trevas que deveria embrulhar o estômago de qualquer ser moral.

É aqui útil ter em mente as palavras de Kissinger, que havia canalizado o espectro de Wells, em um discurso proferido a um grupo de tecnocratas em Evian, na França, em 1992:
“Hoje, a América se indignaria caso as tropas da ONU entrassem em Los Angeles para restaurar a ordem. No futuro, ficarão gratos! Isto é especialmente verdade se fosse-lhes dito que havia uma ameaça exterior, real ou promulgada, que colocasse em risco a nossa própria existência. É aí que todos os povos do mundo implorarão para livrem-lhes deste mal. A única coisa que todo o homem teme é o desconhecido. Quando for-lhes apresentado este cenário, os direitos individuais serão voluntariamente abdicados pela garantia do seu bem-estar, que lhes é concedida pelo Governo Mundial.”
Fontes das Informações