Breve análise sobre o idoso e o mundo utilitário.

Um dia, lendo filosofia para corajosos de Luiz Felipe Pondé, me deparei com um ponto de vista assustador em um certo capítulo, do qual me perguntei porque raios nunca me questionei sobre, porque aquela análise nunca tinha vindo a minha mente antes?

Trata-se de uma análise e de um ponto de vista cirúrgico e introspectivo entre o idoso e o mundo contemporâneo, o mundo utilitário, o mundo moderno, o mundo de valores, não morais ou sentimentais, mas de mercado e utilidade. Valores esses quais sem ter nascido nessa geração que é concebida com um smartphone nas mãos, muito dificilmente você terá tido tempo pra ser útil no mundo do utilitarismo moderno.
E sendo bem claro e específico aqui, não se trata do valor que você atribui ou não aos seus avós, mas sim da velocidade e voracidade com que esse buraco negro gigante chamado mundo moderno os suga para a triste inutilidade.
Bom, levando em conta a velocidade em que o mundo avança em aspectos tecnológicos, científicos e práticos, seus avós apenas tentam se incluir e sobreviver nesse mundo se tornando adeptos das mídias sociais, enquanto simultaneamente perdem o sentido, suas funções e suas experiências.


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Um mundo que vinha sendo contado de geração em geração, experiências, sabedoria e conhecimento enquanto herança agora não mais os pertence e sim as suas telas e sites de busca. Gostaria de salientar aqui que não sou contra a tecnologia de forma alguma, nem contra a facilidade pela busca de conteúdo e conhecimento, mas convenhamos que a modernidade e a facilidade criaram uma geração terrivelmente preguiçosa, acomodada e utilitária, e aqui abordo principalmente o aspecto intelectual. O acesso a uma quantidade ilimitada de conhecimento nunca esteve tão ao alcance e ao mesmo tempo tão distante do interesse. Pra que guardar isso na minha mente se posso facilmente desbloquear a tela do meu smartphone e procurar a resposta? Pra que buscar conhecimento na fonte se uma matéria ou um desses resumos de YouTube já me contam tudo que eu preciso saber? Pra que exercitar meu cérebro se tenho um HD com espaço de sobra? (Aliás, já parou pra pensar o que seria da sociedade intelectual moderna sem um smartphone nas mãos ou um notebook na mesa? Pois é, aí complica né).

Temos permitido cada vez mais por osmose ou de propósito o esquecimento de uma sabedoria secular, milenar. Temos perdido cada vez mais a imagem e reverência pelos mais velhos, o conhecimento hereditário e mais ainda, o esquecimento daqueles que viveram épocas mais difíceis e mesmo assim chegaram até aqui, mesmo sem a tecnologia, sem a modernidade, sem a facilidade e a praticidade dos dias atuais transformando de fato todo esse conhecimento guardado numa biblioteca reprimida e trancafiada, sem possibilidade e interesse de abertura.
Aqui vale relembrar uma frase de um grande escritor britânico que você certamente conhece : '' Voltar as vezes pode ser o caminho mais rápido para seguir em frente'' - C. S. Lewis .
Sobre o(a) Autor(a):
Paulo Santos
Paulo H. Santos é universitário de história e estudante voluntário e apaixonado de filosofia entre outras áreas de estudo.

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