Será que assistiremos a biotecnologia servir aos interesses da humanidade sob um paradigma multipolar que vise prezar pela soberania nacional, pela vida humana, pela família e pela fé?


Por Matthew J.L. Ehret

Por mais que possa nos trazer uma bela dose de desgosto e causar até mesmo um embrulho no estômago a análise de ideias como as que são subjacentes à influência que a eugenia exerce na nossa atual e conturbada era, creio que ignorar um tópico do tipo, a bem dizer da verdade, não fará favor algum a ninguém a longo prazo.

Isto é de particular gravidade, uma vez que os principais “queridinhos” do Fórum Econômico Mundial, como Yuval Harari, ostentam conceitos como “a nova classe global de inúteis”, supostamente suscitada pela Inteligência Artificial, pela engenharia genética, pela automação e pela Quarta Revolução Industrial. Outras criaturas de Davos, como Klaus Schwab, clamam abertamente por uma cidadania global microchipada capaz de estabelecer uma interface com uma teia global provida de um pensamento único, enquanto que Elon Musk e Mark Zuckerberg promovem “neuralinks” para que a humanidade “mantenha-se relevante” através da fusão com computadores numa nova era da biologia evolutiva.

Proeminentes geneticistas darwinistas como Sir James Watson e Sir Richard Dawkins defendem abertamente a eugenia, ao passo em que uma tecnocracia se consolida numa estação governante utilizando-se de um “Grande Reset” como desculpa para engatilhar o início a uma nova era de estados pós-nacionais.

Se há algo de fundamentalmente maligno nos bastidores desses processos que possua qualquer ligação com a ascensão anglo-americana do fascismo e da eugenia há quase um século, então que pelo menos tenhamos a coragem de explorar essa possibilidade. Afinal de contas, foi somente por dar-se conta desse pântano trevoso 80 anos atrás que patriotas foram capazes de tomar medidas apropriadas para impedir uma ditadura tecnocrática dos banqueiros em 1933, e novamente durante a Segunda Guerra Mundial. Por isso é que talvez uma exposição semelhante de coragem para pensar no impensável possa valer o esforço para aqueles que hoje podem se encontrar numa situação semelhante.

O que não aconteceu em Nuremberg?

Há 76 anos, quando os aliados estavam consolidando a sua vitória sobre a máquina nazista e quando os “Tribunais de Nuremberg” estavam sendo rapidamente organizados, uma nova estratégia foi colocada em prática pelas mesmas forças que haviam despendido uma infinidade de energia, dinheiro e recursos na ascensão do fascismo como “a solução milagrosa” para o caos econômico que se instaurou logo após a Primeira Guerra Mundial e que havia se espalhado pela Europa e pelos EUA.

Consta entre os maiores escândalos da nossa era o fato da máquina de Wall Street/Cidade de Londres, que financiou Hitler e Mussolini como aríetes para uma nova ordem mundial, jamais ter sido realmente levada a julgamento. Muito embora Franklin Roosevelt tenha conseguido colocar algumas rédeas em Wall Street entre 1933-1945, enquanto preparava o cenário mundial para uma bela visão de um pós-guerra de cooperação de ganhos mútuos, as forças mais sombrias da oligarquia financeira que apenas queriam estabelecer um sistema de governança global unipolar não apenas escaparam de qualquer punição, como não perderam tempo a fim de recuperar a sua hegemonia perdida antes da guerra chegar ao fim.

O papel de Sir Julian Huxley​

Um dos grandes estrategistas conceituais deste processo foi um homem chamado Julian Sorrel Huxley (1887-1975). Célebre como biólogo e reformador social, Julian foi um membro devoto e vitalício da Sociedade Britânica de Eugenia, servindo em paralelo a John Maynard Keynes como secretário e, mais tarde, como presidente.

Julian era um homem de agenda cheia, que, juntamente com o seu irmão Aldous, trabalhou arduamente para preencher os enormes alicerces do seu avô Thomas (mais conhecido como o “Buldogue de Darwin”). Enquanto administrava simultaneamente o movimento eugenista do pós-Segunda Guerra, Julian viu-se colocando em prática o movimento ambientalista moderno, como fundador da União Internacional para a Conservação da Natureza (International Union for Conservation of Nature — IUCN) em 1948 e, em 1961, como cofundador do Fundo Mundial para a Natureza (World Wide Fund for Nature — WWF); criou o termo “trans-humanismo” e também fundou, em 1946, um órgão imensamente influente da ONU denominado de UNESCO (abreviação de Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), onde serviu como Diretor Geral entre 1946-1948.

O mandato para a nova organização foi claramente delineado em UNESCO: O Seu Propósito e a Sua Filosofia, de autoria do próprio Huxley, em 1946:
“A moral para a UNESCO é clara. A tarefa que lhe foi confiada de promover a paz e a segurança jamais poderá ser cumprida em sua plenitude através dos meios que lhe foram atribuídos — educação, ciência e cultura. Deve-se levar em consideração alguma forma de unidade política mundial, seja através de um único governo mundial ou de outra forma, como o único meio que possa seguramente evitar a guerra. [...] [N]o seu programa educacional, pode-se sublinhar a necessidade suprema de uma unidade política mundial e familiarizar todos os povos com as implicações da transferência da plena soberania das nações separadamente para uma organização mundial.”
Para qual fim esta “unidade política mundial” seria direcionada? Algumas páginas mais adiante, a visão de Huxley é delineada em todos os seus detalhes retorcidos:
“No momento, é provável que o efeito indireto da civilização seja disgênico em vez de eugênico, e que, para todos os casos, parece provável que o peso morto da estupidez hereditária, da fraqueza física, da instabilidade mental e da propensão a doenças, que já existe na espécie humana, venha a revelar-se como um fardo demasiado grande para que um progresso verdadeiro possa ser alcançar. Assim, muito embora seja bem verdade que qualquer política eugenista radical será por muitos anos política e psicologicamente impossível, será importante para a UNESCO observar que o problema eugênico seja examinado com o maior cuidado e que a mente pública seja informada das questões em jogo, de modo que muito do que agora é impensável possa, pelo menos, tornar-se pensável.”
Após o mundo ter tido a oportunidade de ver como era um programa eugenista sob o apoio total de um engenheiro social fascista, não seria exagero dizer que o programa perdeu grande parte da popularidade aos olhos de uma população mundial ainda muito ligada a instituições culturais tradicionais como o cristianismo, o patriotismo e o respeito pela sacralidade da vida.

Apesar de trinta estados estadunidenses e duas províncias canadenses terem legalizado políticas eugenistas (incluindo a esterilização forçada dos inaptos) entre 1907-1945, a ciência estatística e a aplicação política da eugenia cessaram abruptamente por volta do final da Segunda Guerra Mundial, e conforme Huxley havia iterado no seu manifesto, algo de novo tinha de ser feito.

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Uma palavra sobre Tavistock​

Huxley também trabalhou intimamente com a Clínica Tavistock de Londres, que, por sua vez, recebeu financiamentos de ambas as Fundações Rockefeller e Macy durante as décadas de 1930-1950. Liderada pelo também psiquiatra Brigadeiro-General John Rawlings Rees, Tavistock, estabelecida em 1921, pode ser melhor compreendida como a “filial psiquiátrica do Império Britânico”, que inovava com técnicas psiquiátricas usando misturas de behaviorismo pavloviano e teorias freudianas para influenciar comportamentos grupais das mais variadas maneiras.

Desde cedo, a clínica explorava as condições mentais extremas de vítimas da neurose de guerra, que sofreram casos de desconstrução psicológica durante os terrores sofridos nas trincheiras, reconhecido o elevado grau de maleabilidade nesses sujeitos. Conforme delineado por L. Wolfe numa brilhante matéria publicada em 1996 no Executive Intelligence Review, a ideia por trás de Tavistock sempre foi impulsionada por um objetivo de tentar descobrir como o cérebro poderia ser “despadronizado” e desconstruído de modo a ser reconstruído do zero como uma lousa em branco, com a esperança de que esta percepção da natureza dos indivíduos pudesse ser replicada mais tarde entre grupos sociais mais vastos, e até mesmo nações inteiras. Muitas destas pesquisas foram aplicadas sob a forma da MK Ultra nos EUA e serão o tema de um futuro artigo.

G. Brock Chisholm: o czar tavistockiano da saúde mundial​

Um proeminente psiquiatra que trabalhou durante anos com Rees na Tavistock era um canadense chamado G. Brock Chisholm.

Em 1948, Chisholm fundou um órgão afiliado à ONU denominado de Organização Mundial da Saúde (OMS), com o propósito de promover a saúde mental e física do mundo. Um nobre esforço que carregava consigo bastante responsabilidade e poder, exigindo um líder com uma visão excepcional sobre a natureza das enfermidades e da saúde. Infelizmente, com base na sua própria visão doentia sobre a natureza da humanidade e da sociedade, Chisholm era certamente o homem errado para o cargo.

As causas, dentre as maiores, da guerra e das doenças mentais na mente de Chrisholm não se encontravam no imperialismo ou nas injustiças econômicas, mas antes na crença da sociedade a respeito do que é certo e do que é errado. Num escrito de 1946, Chisholm expôs o propósito da “boa” psicoterapia e da “boa” educação ao dizer que “a reinterpretação e iminente erradicação do conceito de certo e errado que tem sido a base da formação da criança, a substituição do pensamento inteligente e racional pela fé nas certezas dos idosos — estes são os objetivos tardios de praticamente toda psicoterapia eficaz”.

Mas não tratava-se simplesmente do “conceito de certo e errado” ou “fé nas certezas dos idosos” que tinha de ser erradicado, mas a religião monoteísta, a família e o patriotismo. Oito anos mais tarde, Chisholm afirmou que “para que se possa alcançar o governo mundial, é necessário retirar da mente dos homens o seu individualismo, sua lealdade à tradição familiar, seu patriotismo nacional e seus dogmas religiosos".

O mundo torna-se patológico

Uma vez firmemente implantadas a UNESCO e a OMS, uma terceira organização foi criada para impulsionar o financiamento, e a prática da saúde mental em escala global.

Como delineado pelo historiador Anton Chaitkin, a Federação Mundial para Saúde Mental (World Federation for Mental Health — WFMH), financiada principalmente pela Fundação Macy, foi criada em 1948. A própria Fundação Macy foi criada em 1930 sob a liderança do General Marlborough Churchill (primo de Winston), que havia sido responsável pela inteligência secreta militar entre 1919-1929, sob a forma da “Câmara Negra”. A sua nova fundação fazia parte da máquina Rockefeller, e era utilizada como um veículo para derramar montantes de dinheiro nas “ciências da saúde”, com uma ênfase na eugenia.

A coordenadora técnica estadunidense da conferência que criou a WFMH expôs de forma transparente as origens da nova organização. Nina Ridnour escreveu que “a Federação Mundial para Saúde Mental [...] havia sido criada por recomendação da Organização Mundial da Saúde das Nações Unidas e da UNESCO, porque necessitavam de uma organização não-governamental de saúde mental com a qual pudessem cooperar”.

E justo quem se tornaria o primeiro Diretor Geral da WFMH?

Enquanto ainda servia como chefe da Clínica Tavistock de Londres, o Brigadeiro-General John Rawlings Rees foi encarregado de tomar a frente do novo órgão por ninguém menos que o arquirracista Montagu Norman (diretor do Bank of England), que havia dado início à operação a partir da sua Associação Nacional para a Saúde Mental, gerida diretamente da sua residência, a mansão Thorpe Lodge, em Londres.

Ao descrever este plano de batalha estratégico para reformar a sociedade, Rees afirmou:
“Se nos prepararmos para sair ao ar livre e atacar os problemas sociais e nacionais da nossa época, então devemos ter tropas de choque, e estas não podem ser providenciadas pela psiquiatria baseada inteiramente em instituições. Temos de ter equipes móveis de psiquiatras que tenham autonomia suficiente para se deslocarem e estabelecerem contatos com a área de atuação local.”
A ideia de equipes móveis de tropas de choque psiquiátricas foi uma ideia admoestada pelo proeminente e grande estrategista Lord Bertrand Russell, que havia escrito o seguinte no seu Impacto da Ciência na Sociedade, publicado em 1952:
“Creio que o assunto que será politicamente da maior importância é a psicologia das massas. [...] A sua importância tem sido enormemente incrementada pelo crescimento dos métodos modernos de propaganda. Destes, o mais influente é o que se chama de ‘educação’. A religião desempenha um papel, embora esteja em decadência; a imprensa, o cinema e o rádio desempenham um papel cada vez maior. [...] Pode esperar-se que, com o passar do tempo, qualquer um consiga persuadir qualquer outro de qualquer coisa se conseguir fisgar os receptadores ainda na sua juventude e se o Estado fornecer-lhe o dinheiro e o aparato necessários.”

A guerra fria bi-polar e um novo paradigma global​

No decorrer dos anos seguintes, a UNESCO, a OMS e a WFMH trabalharam em conjunto para coordenar centenas de suborganizações influentes, universidades, laboratórios de pesquisa e experimentos científicos secretos, incluindo a MK Ultra da CIA, a fim de criar a desejada sociedade “mentalmente saudável”, expurgada das suas ligações com o cristianismo, com a fé no que é verdadeiro, com o patriotismo nacional ou com a família.

Por volta de 1971, o momento em que o mundo se encontrava via-se propício para uma grande mudança.

A geração baby boomer, o alvo desta abrangente experiência de engenharia social, havia sido inundada por um vasto arsenal de guerra cultural em todos os patamares possíveis. Enquanto o LSD era disseminado pelos campi da América, e os assassinatos de líderes ocidentais que resistiam à nova era de guerras no sudoeste asiático tornaram-se a regra, os baby boomers assistiram ao retorno de entes queridos em sacos de cadáveres do Vietnã. “Não confiar em ninguém com mais de 30 anos” tornou-se o novo mantra da sabedoria, à medida em que o amor à pátria passou a ser sufocado pela expansão antinatural do imperialismo anglo-americano ao redor do mundo e pelas operações da ordem do Programa de Contrainteligência (COINTELPRO) no próprio território nacional.

Quando o Conselho das Relações Exteriores (Council on Foreign Relations — CFR) e a Comissão Trilateral desatrelaram o dólar americano do padrão-ouro, uma nova era de desregulamentações, consumismo e materialismo radical foi inaugurada, fazendo com que a geração baby boomer se transfigurasse rapidamente na geração “me” hiper-materialista da década de 1980.

A nível ecológico, uma nova ética de “preservacionismo” havia começado a passar das margens para o mainstream, substituindo a antiga ética pró-industrial da sociedade produtiva-criativa que historicamente havia governado o melhor da civilização ocidental.

A figura central entre os criadores desta nova ética de preservação que substituiu a ideia de “proteger a humanidade do império” por “proteger a natureza da humanidade”, não foi outro senão o próprio Julian Huxley. No mesmo ano em que cofundou a WWF, Huxley redigiu o Manifesto Morges (1961) como o manifesto organizador do movimento ecologista moderno, colocando a civilização humana em absoluto antagonismo com o suposto equilíbrio matemático e irredutível da natureza. Huxley cofundou a WWF com os arquimalthusianos Príncipe Philip, Duque “eu quero reencarnar como um vírus mortal” de Edimburgo, e o Príncipe Bernhard dos Países Baixos.

O Regime Planetário de Holdren​

Em meados da década de 1970, um dos principais neomalthusianos da época, Paul Ehrlich, foi o mentor de um jovem pupilo chamado John Holdren, e juntos, em 1977, produziram um manual de embrulhar o estômago intitulado Ecociência, no qual a dupla escreveu o seguinte:
“Talvez essas agências, em conjunto com a UNEP e as agências populacionais da ONU, possam a partir de algum momento evoluir para um Regime Planetário — uma espécie de superagência internacional para o gerenciamento populacional, dos recursos e do meio-ambiente. Um Regime Planetário tão abrangente poderia controlar o desenvolvimento, a administração, a preservação e a distribuição de recursos 100% naturais, renováveis ou não renováveis, pelo menos na medida em que implicações internacionais existam. Assim, o Regime poderia ter o poder de controlar a poluição não só da atmosfera e dos oceanos, mas também das massas de água potável, como rios e lagos, que ultrapassam fronteiras internacionais ou que desaguam nos oceanos. O Regime poderia também ser uma agência central lógica para regular todo o comércio internacional, talvez incluindo a assistência dos países desenvolvidos aos países menos desenvolvidos, e incluindo a oferta de todos os alimentos no mercado internacional. Poderia-se atribuir ao Regime Planetário a responsabilidade de determinar o contingente populacional ideal para o mundo e para cada região, e de arbitrar as cotas para os vários países dentro dos seus limites regionais. O controle da dimensão populacional poderia continuar a ser da responsabilidade de cada governo, mas o Regime teria algum poder para fiscalizar a manutenção dos limites acordados.”
Considerando que estas palavras foram escritas apenas três anos após o relatório NSSM-200, de autoria de Henry Kissinger, que transformou a doutrina de política externa dos EUA de pró-desenvolvimento para pró-redução populacional, as palavras de Holdren de 1977 não devem ser tomadas de forma leviana.

O Projeto Genoma Humano ressuscita monstros adormecidos​

No decorrer das décadas seguintes, Holdren tornou-se amigo íntimo de Eric Lander, acadêmico e matemático de Harvard associado ao programa de Bolsas de Estudos Rhodes, que liderou o Projeto Genoma Humano entre 1995-2002. Lander anunciou o êxito da revelação do sequenciamento completo do genoma humano em 2003, afirmando que: “O Projeto Genoma Humano representa uma das notáveis conquistas da história da ciência. A sua culminância este mês sinaliza o início de uma nova era de pesquisas no campo da biomedicina. A biologia está sendo transformada numa ciência da informação”.

Ao comentar sobre o potencial de direcionamento da evolução humana possibilitado pelo Projeto Genoma Humano de Lander e pelos progressos mais recentes da tecnologia mRNA CRISPR, então sob fase de desenvolvimento, Sir Richard Dawkins escreveu o seguinte em 2006:
“Nas décadas de 1920 e 1930, cientistas tanto da esquerda quanto da direita não teriam considerado a ideia de conceber bebês por manipulação própria particularmente perigosa — embora, é claro, não teriam usado essa frase. Hoje, suspeito que a ideia seja bastante perigosa para uma discussão confortável, e a minha conjectura é que Adolf Hitler é o responsável pela mudança [...] Fico imaginando se, cerca de 60 anos após a morte de Hitler, poderíamos ao menos aventurar-nos a questionar qual seria a diferença moral entre produzir uma criança [artificialmente] para uma habilidade musical e forçar uma criança a ter aulas de música. Ou o porquê de ser aceitável treinar corredores para que se tornam velozes e saltadores para que possam atingir longos alcances, em vez de produzi-los [artificialmente]. Eu consigo pensar em algumas respostas, e elas são boas, o que provavelmente acabaria por me persuadir. Mas não terá chegado o momento em que devemos deixar de ter medo para ao menos levantar a questão?”
Não demorou muito até Holdren encontrar-se desfrutando de um poder maior do que o que jamais havia imaginado como czar científico e arquiteto do programa de governança “fundamentado em provas” de Obama, que envolvia a maximização de financiamentos das tecnologias verdes para descarbonizar a humanidade sob novos sistemas de governança global. Lander trabalhou intimamente com Holdren como copresidente do conselho científico de Obama, e também com David Baltimore, o presidente do Instituto Whitehead, na criação do Instituto Broad do MIT e de Harvard.

Juntos, em 2015, Lander e Baltimore supervisionaram uma importante conferência sobre a “nova era de pesquisas no campo da biomedicina”, que revelou uma nova tecnologia de modificação genética conhecida como CRISPR, envolvendo a utilização de enzimas e RNA encontrados na Escherichia coli, nos quais descobriu-se que possuem a capacidade de alvejar sequências de DNA e induzi-las a várias mutações. Embora seja óbvio que esta poderosa tecnologia oferece um bem potencial à humanidade como ferramenta para eliminar males hereditárias em humanos e em lavouras, o incrível poder do CRISPR de alterar fundamentalmente o DNA humano para sempre pode causar danos inimagináveis se colocado em mãos erradas.

Na cúpula internacional “histórica” da edição de genes humanos que ocorreu em dezembro de 2015, o presidente da conferência, David Baltimore, ecoou as horripilantes palavras de Julian Huxley durante o seu discurso de abertura:
“Com o passar dos anos, o impensável tornou-se concebível. Estamos à beira de uma nova era da história da humanidade.”
Em janeiro de 2021, John Holdren parabenizou Eric Lander por ter sido nomeado o czar científico de Joe Biden (Diretor das Políticas de Ciência e Tecnologia da Casa Branca) — o cargo anteriormente ocupado pelo próprio Holdren. Neste cargo, Lander supervisionou a reativação de cada política científica da era Obama como parte de uma reconfiguração tecnocrática do governo dos EUA, em concomitância com a agenda do Grande Reset do Fórum Econômico Mundial. Com a utilização do amplo poder da Lei de Autorização de Emergência (Emergency Authorization Act) para contornar a FDA e empurrar de forma avassaladora tecnologias de terapia genética, fazendo-as passar como “vacinas”, uma nova experiência social se iniciou. A tecnologia CRISPR já está sendo aclamada como a chave para dar fim às novas variantes da COVID-19, e está sendo utilizada como “vacina” para determinadas doenças tropicais no próprio momento em que escrevo este artigo. A ligação óbvia entre as organizações eugenistas de ontem e a ascensão recente de atividades relacionadas ao uso da tecnologia mRNA associadas à GAVI e à Astra Zeneca da Oxford, revelada pela jornalista investigativa Whitney Webb no início deste ano, deve ser firmemente mantida em mente.

Será que esta tecnologia será utilizada pelos herdeiros contemporâneos dos eugenistas patrocinadores dos nazistas, num esforço para retomar o que Dr. Mengele deixou inacabado, ou será que assistiremos a biotecnologia servir aos interesses da humanidade sob um paradigma multipolar que vise prezar pela soberania nacional, pela vida humana, pela família e pela fé?

As próximas partes desta série explorarão as raízes eugenistas do Trans-Humanismo, da Inteligência Artificial e do Grande Reset. Também abordaremos a Escola de Frankfurt, a ascensão da Cibernética de Wiener e o programa elaborado por Bertrand Russell e David Hilbert em 1900 para confinar o universo inteiro numa gaiola de estagnação mortificadora.
Fontes das Informações