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Entenda Como Funciona a Cabeça de um Militar Brasileiro

Informações da Imagem
Um militar com os seus familiares.
A Cabeça do Militar Brasileiro
Farei quanto em minhas mãos estiver para que se consolidem os ideais do movimento cívico da nação brasileira nestes dias memoráveis de abril, quando se levantou unida, esplêndida de coragem e decisão, para restaurar a democracia e libertá-la de quantas fraudes e distorções a tornavam irreconhecível. Marechal Castelo Branco, 1964.
Fervilham na internet as frases de ataques e contra-ataques entre os definidos como olavistas ou como milicos. Uns dizem que não tem importância, outros julgam cliques e likes em redes sociais, outros até fazem condenações. Chamam-se uns aos outros de traidores e até aventam uma conspiração pela "tomada do poder".

O que pouca gente se pergunta é: como realmente pensam os militares? a educação de seus líderes é diferente? que tipo de ameaça eles podem oferecer? qual o objetivo de quem os chama de traidores?

As raízes do pensamento militar brasileiro são filosoficamente embasadas no Positivismo de Augusto Comte, século XIX. No positivismo não se busca o "porquê" das coisas, mas se observa como as coisas de fato acontecem. A imaginação está subordinada à observação e busca-se o visível e o concreto.

Esse pensamento idealista militar, advindo do positivismo, impulsiona firmemente os militares a acreditar e perseguir o progresso, como um empreendedor, para atingir seus objetivos dentro de uma ordenação, a qualquer custo. A expressão máxima do positivismo nacional está gravada em nossa bandeira: Ordem e Progresso.

No pensamento militar, a propriedade é o que permite o progresso, a família é a responsável pela educação, valores e guardiã das tradições e da cultura, sustentáculo da ordem; e o capital intelectual é o mais importante, traduzido por uma linguagem perfeita e objetiva.

O espírito da Cavalaria dos valores dos guerreiros da Idade Média como: solidariedade, misericórdia, religiosidade, força e honra, admirados por Augusto Comte, estão arraigados no código de ética e valores dos militares. São esses valores que pautam suas ações.

Faço aqui uma pausa para dizer que militares não são de esquerda ou direita. Os ideais aqui apresentados não são alinhados, completamente, nem com isentismos, nem com conservadores e nem com socialistas. Os ideias aqui são pautados pelo bem comum, pelo civismo, ética, valores morais e pela manutenção da família como célula mater básica da edificação de uma sociedade.

Assim, esse pensamento filosófico impregnou os modelos de educação militar até os dias de hoje. O ensino militar é regulado por uma Lei específica, conforme a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) e tem paridade com todos os cursos de nível médio, superior e de pós graduação no MEC. (Lei 9.786 de 8 de fevereiro de 1999).

Anote-se que militares entendem que a educação tem que ser tratada como uma joia, pois é, definitivamente, o nosso legado para as gerações futuras. Muita polêmica está em torno da luta entre olavistas e milicos no Ministério da Educação, uns dizem que é por poder, eu digo que é porque durante os últimos 30 anos, o ensino militar foi o único poupado da infiltração do pensamento progressista. Militares tem mais experiência em evitar a impregnação socialista comunista na educação do que qualquer outro, isso é fato.

As Forças Armadas brasileiras servem primordialmente para a defesa da Pátria, ou seja, são as "armas" da Diplomacia, a última ferramenta de imposição do Poder da Nação. Ainda, são o baluarte da garantia dos poderes constitucionais e da garantia da lei e da ordem , segundo o artigo 142 da Constituição Federal de 1988.

O pensamento estratégico é influenciado pela filosofia basal militar. Em estratégia todos os poderes da Nação devem ser analisados para que o conjunto seja mais forte que um único. São considerados poderes o militar, o econômico, o político, o psicossocial e o científico tecnológico, segundo a teoria da Escola Superior de Guerra.

A única garantia que se tem de paz, é apoiar todas as saídas diplomáticas possíveis e manter relações abertas com o máximo de países possível, sem alinhamento automático com nenhum.

Ainda, não é permitido pela Constituição de 1988 que o Brasil tome qualquer atitude bélica ofensiva segundo os números IV e VII de seu Art 4. Sendo a Constituição a Lei Magna do País, as Forças Armadas não podem querer outra solução para crises, como a da Venezuela, que não sejam pacíficas. Esse foi um ponto dito de tensão entre olavistas e milicos. Assim foram chamados, esses últimos, de traidores.

Nas relações exteriores, militares apoiam todas as ações que possam levar à paz, que respeitem o Direito Internacional Humanitário (Direito da Guerra) e que apoiem todos os países que precisem de ajuda. Alguns encaram isso como uma subordinação aos ditames progressistas e globalistas da ONU. Eu diria que são os ditames do bom senso, do senso comum de quem quer preservar a vida humana a todo custo, seja de nossos soldados, seja dos demais.

Todavia, outro ponto se destaca. Ainda há muita polêmica sobre a transferência, ou não, da embaixada de Israel para Jerusalém, acusaram os militares de estarem sabotando uma promessa de governo.

Injusta acusação, o aconselhamento baseado no pensamento estratégico visa a balancear a ação em todos os campos do poder. Uma ação no campo político, transferência da embaixada, poderia ter consequências negativas nos campos econômico, psicossocial e científico tecnológico, então, será que é traição ter prudência estratégica, em um início de governo?

Concluindo, o pensamento militar brasileiro precisa ser mais estudado e conhecido, em especial por aqueles ditos especialistas nacionais e estrangeiros no assunto.

Digo isso porque a educação dos líderes militares é bem complexa e diversa em relação a todas as outras faixas da sociedade. Líderes militares são formados em 4 anos de Academia, especializados 9 anos depois, preparados para alta administração militar e estratégica, em cursos de mestrado e doutorado, dentro e fora do Brasil, 20 anos após sua formação. É uma educação completa entre teoria e prática, não vista em nenhum outro estamento do serviço público brasileiro.

Militares não oferecem ameaça, mas sim prudência e uma maneira heterodoxa de tomada de decisão, objetiva e descentralizada. Um pensamento estratégico holístico, forjado em mais de 35 anos de dedicação exclusiva ao Brasil.

É possível que aqueles que chamam militares de traidores, sejam apenas ignorantes (sentido literal) em relação à caserna, ou sejam radicais conservadores ou socialistas, que não aceitam outro pensamento, ou pior, sejam mal intencionados que queiram privar o País de uma objetividade e pragmatismo que sobreviveu a mais de 30 anos na obscuridade, mesmo sendo uma classe humilhada e apagada pelos ditos socialistas.

Você, leitor, decide.
Sobre o(a) Autor(a):
Clynson Oliveira
Clynson Oliveira é PhD em Ciências Militares com ênfase em Política e Estratégia pela Escola de Comando e Estado-maior do Exército e coronel R1 do Exército Brasileiro. Por mais de 15 anos atuou na área de marketing de guerra do Exército Brasileiro, sendo especialista em operações psicológicas, direito internacional humanitário, emprego constitucional das Forças Armadas e operações multinacionais, interagẽncias e de paz. Comandou unidades militares no interior da Amazônia brasileira, residiu por mais de 2 anos em todas as regiões do País e participou de atividades militares em mais de 11 países, entre eles Haiti, EUA e Índia, tendo reunido profundos conhecimentos da problemática política, econômica, social, tecnológica e militar, interna e externa, do Brasil, ao longo de mais de 28 anos de serviço militar. Formado em Gerenciamento de Projetos pela FGV, após uma experiência de mais de 6 anos em projetos estratégicos (projeto PROTEGER), e de ter sido CEO da Boston International Sales, fundou a Líder Ação consultoria & treinamentos. É casado, pai de três filhos, dois cachorros e avô de um neto. É também um colaborador do POLITZ.

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