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Um trem que transportava petróleo bruto descarrilhado e em chamas em 22 de dezembro de 2020, em Custer, Washington (EUA). © AFP / David Ryder.
Por Kevin Karp

Em meio à recuperação econômica pós-COVID-19, o risco do ecoterrorismo decorrente do ativismo climático está aumentando, e com ele o perigo das elites políticas cooptarem as suas intenções para implementar regimes regulatórios "verdes" repletos de controvérsias.

Enquanto o mundo travava uma batalha contra a COVID-19 em 2020, outra crise sinistra, que vinha sendo forjada há anos, estava irrompendo despercebidamente. Esta crise é o eco-terrorismo. Estando à solta já há décadas, desde quando os ex-ativistas do Greenpeace começaram a atacar navios comerciais na década de 1970, o ecoterrorismo, segundo a definição do FBI, é “o uso ou a ameaça do uso da violência de natureza criminosa contra vítimas inocentes ou propriedades por um grupo subnacional de orientação ambientalista, por razões político-ambientais, ou dirigido contra um público para além do alvo, por vezes de natureza simbólica”.

Um ponto fulcral mais recente de atividades ecoterroristas tem angariado o envolvimento de grupos de ambientalistas radicais que atacam unidades infraestruturais em serviço da indústria petrolífera global. Tal jogo sujo teve um alegado envolvimento no descarrilhamento de um trem que transportava petróleo bruto ao norte de Seattle, ocorrido em dezembro de 2020, como parte de uma onda de dezenas de ataques ecoterroristas a unidades infraestruturais relativas ao transporte ferroviário de petróleo bruto, assolando o Estado de Washington desde o início daquele ano.

O método aparentemente utilizado nestes incidentes consiste em colocar um dispositivo de “desvio” nos trilhos que causa interferência na corrente elétrica de baixa tensão dos trilhos, prejudicando os componentes de segurança do trem e provocando assim o seu descarrilhamento.

O Departamento de Justiça dos EUA tem colocado a culpa em grupos anarquistas de esquerda por esses ataques ecoterroristas. Após uma série de incidentes de descarrilhamentos em Washington, em janeiro de 2020, o grupo Puget Sound Anarchists assumiu a responsabilidade pelos ataques, declarando no website itsgoingdown.org “que as ações que provocaram os descarrilhamentos foram executadas em solidariedade com as tribos indígenas americanas do Canadá, visando impedir a construção de um oleoduto que atravessa a Columbia Britânica, e com o objetivo expresso de prejudicar as operações e abastecimentos da [Ferrovia] BNSF em favor do oleoduto”, de acordo com uma denúncia penal finalmente apresentada pelo Departamento de Justiça em novembro de 2020.

A Dakota Access Pipeline, cujos quase 1.900 quilômetros de extensão atravessam as Dakotas, Iowa e Illinois, foi submetida a uma similar e incessante batalha entre o lado das obras de construção do oleoduto e o lado dos ambientalistas radicais, tendo a Energy Transfer, a empreiteira responsável pelo projeto, processado o Greenpeace em 2017 por coordenar “grupos delinquentes de ecoterroristas” numa campanha de protestos que, conforme foi noticiado, aumentou o custo da construção em 300 milhões de dólares. Um incidente em 2016 motivou centenas de manifestantes a desencadear um confronto num dos canteiros das obras, no qual foram disparados tiros contra policiais e veículos foram incendiados. O oleoduto, que teve a sua construção interrompida sob a Administração Obama porém retomada e concluída sob o Presidente Donald Trump, encontra-se atualmente sob levantamento ambiental por parte da Administração Biden.

Conscientemente ou não, os ecoterroristas que buscam alvejar infraestruturas petrolíferas podem ser peões na pressão para um sistema globalizado de regulação das emissões de carbono e os seus bilhões de dólares de potenciais receitas. Esta é a teoria sugerida por Roy Spencer, um cientista especializado em climatologia da Universidade do Alabama, localizada em Huntsville, que discorda do que é postulado como implicações do aumento do dióxido de carbono na atmosfera da Terra, cujo colega John Christy, que compartilha uma posição similar, foi alegadamente alvo de sete tiros disparados durante um evento da “Marcha pela Ciência” no campus em 2017.

Ceder credibilidade a este ponto de vista é o motivo pelo qual o grupo Puget Sound Anarchists, que reivindicou a responsabilidade pelos ataques que causaram o descarrilhamento de janeiro de 2020, assume uma postura veementemente ativista em relação às questões climáticas acerca do que consideram ser o aquecimento global causado pelo homem. Num artigo publicado no seu portal, o grupo defende o argumento de que “o rápido agravamento do colapso ecológico e das alterações climáticas suscitadas pela má gestão dos ‘seus’ recursos por parte do Estado e em cooperação com a exploração bastante cautelosa da terra e do mar por parte do capitalismo industrial desestabilizaram regiões de todo o mundo e criaram refugiados climáticos e destruíram comunidades”.

No entanto, estes ecoterroristas radicais são frequentemente retratados nos principais meios de comunicação como, de alguma maneira ou sob alguma forma, nobres cruzados forçados a seguir o caminho da violência em razão das ações de uma perversa e irresistível força conservadora — encarnada pela recente Administração Trump — que se recusa a reconhecer a teoria supostamente inatacável das alterações climáticas causadas pelas ações do homem por meio da queima de combustíveis fósseis.

Esta é uma perigosa generalização sob vários aspectos. Há um corpo de evidências científicas que coloca em dúvidas as alegações de alterações climáticas antropogênicas.

A tão chamada “energia limpa” — supostamente o Shangri-La nos livrando dos combustíveis sujos para a produção de electricidade ecologicamente correta desde a fonte até o consumidor — é um artifício escorregadio usado para esconder uma verdade profundamente tóxica. Instalações de energia limpa, incluindo aquelas utilizadas para a geração de energia solar e eólica, juntamente com baterias de veículos eléctricos, dependem fortemente de componentes feitos de metais de terras raras, que são extraídos e processados por meio de métodos e solventes altamente poluentes, frequentemente em países com condições de trabalho terríveis. Somente na cidade de Baotou, na China, milhares de toneladas de terra rara quimicamente tratada e minerada são alegadamente despejadas todos os anos num lago artificial de aproximadamente 8 quilômetros de largura após a extração de neodímio para a fabricação de turbinas eólicas, muitas das quais instaladas no Reino Unido. A poluição arruinou terras agrícolas e colocou em perigo os residentes juntamente com as suas fontes de água potável.

Com a demanda global de petróleo aumentando novamente e o comércio — incluindo o dos combustíveis à base de hidrocarbonetos — acelerando de modo a compensar um ano inteiro da pandemia da COVID-19, o risco de incidentes ecoterroristas pode estar aumentando também, à medida em que os ambientalistas radicais encontram novos “motivos” para perpetrar novos ataques. Mas os motivos podem ser menos importantes do que as implicações.

O verdadeiro mal do ecoterrorismo é a forma como os círculos mainstream do establishment “progressista” retratam os terroristas, como figuras semi-simpáticas que são utilizadas como justificativa para a introdução de onerosos regimes de regulamentações que visam lidar com as mudanças climáticas. Se o mundo enfrentasse a ameaça supostamente existencial das mudanças climáticas causadas pelo homem apenas tributando os consumidores pelo seu consumo de energias emissoras de carbono, conforme a teoria insinua, tais ecoterroristas se desradicalizariam e reingressariam à sociedade mainstream. Estas elites já estão se munindo para utilizar qualquer pretexto oportuno para tornar a recuperação pós-COVID-19 mais onerosa e contenciosa do que a coalescência e expansão dos ganhos econômicos dessa recuperação.

As armas de peso do dogma globalista já foram plenamente mobilizadas, na tentativa fazer prevalecer um esforço revigorado de ativismo climático em larga escala, devido à alegada interrelação entre o coronavírus e as mudanças climáticas. Arthur Wyns, um pesquisador especializado em mudanças climáticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), escreveu que “sistemas de saúde providos de bons recursos são essenciais para nos proteger das ameaças à segurança sanitária, incluindo as mudanças climáticas”.

O think tank Instituto Brookings cita os ganhos econômicos da recuperação da pandemia dos países em desenvolvimento da África como justificativa para tributar esses ganhos para assim financiar as “transformações verdes” num “programa de recuperação e sustentabilidade”.

Por fim, na última quarta-feira (09/06), o Presidente dos EUA Joe Biden comentou, num discurso ao corpo da Força Aérea do Reino Unido, que os Chefes de Estado-Maior militares dos EUA disseram-lhe que “a maior ameaça física que a América enfrenta” é o aquecimento global alegadamente causado pelo homem.

O que esta linguagem rebuscada faz é fornecer uma plataforma pública dissimulada para as visões de mundo radicalizadas, e bastante estreitas, dos ativistas climáticos que se tornaram terroristas. O que ela denota, na realidade, é um sistema de tributação que canaliza dinheiro para máquinas burocráticas irresponsáveis. As novas propostas de orçamentos pós-COVID de Biden estão repletas de medidas regulatórias de emissões de carbono e de um retrocesso dos cortes fiscais da era Trump, e embora não delimitem explicitamente um “imposto sobre o carbono”, o presidente dos EUA ainda está aparentemente aberto à ideia.

A Fundação Heritage, de viés de direita, tem o seu próprio eixo ideológico a triturar no domínio dos impostos diretos e indiretos sobre o carbono, mas, no entanto, chega a aproximar-se mais do alvo num relatório que salienta que um sistema de tributação global sobre o carbono prejudicaria os consumidores individuais através do aumento dos custos de energia que lhes seriam passados pelas grandes companhias petrolíferas, ao mesmo tempo em que destruiria empregos e abrindo alas para “uma expansão sem precedentes do governo federal, enquanto que tornaria os americanos mais pobres e mais dependentes de Washington”.

Aqueles que mais lucram com o terrorismo “anarquista” e “ambientalista” contra a indústria petrolífera, não são os que combatem o status quo, mas as próprias figuras do establishment que buscam cooptar de forma sutil a sua mensagem, usando-a para como justificativa para implementação de um regime regulatório ambientalista-ativista insuflado. Este caminho conduz a um sistema opressivo e oligopolista de cabalas governamental e empresarial inconsequentes que prejudicam as posições econômicas dos cidadãos e das empresas menores.

Atacar de forma irrefletidamente militante o petróleo como o vilão da história, enquanto se sustenta a efêmera do ativismo climático como algo sacrossanto, é um caminho perigoso, desviando a atenção do problema real da poluição tóxica nas indústrias que abastecem o setor das energias “limpas” com os seus respectivos componentes. A tentativa de desviar os ganhos econômicos da recuperação pós-pandêmica sob o nobre título de proteção ambiental é uma tática de coação — uma tática que distorce a causa do ambientalismo quando este necessita tão desesperadamente de uma crítica honesta.
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