Estamos vivendo ou sobrevivendo?

Esse questionamento pode parecer bem atual e até soar como clichê levando em conta o cenário mundial em que estamos vivendo recentemente, mas na verdade sempre foi um questionamento atual do ponto de vista individual, sempre foi uma das perguntas mais frequentes dentro da história da filosofia e da humanidade. Acontece que a cada fator extra que coloca nossa fragilidade enquanto homens a mostra nós faz voltar a essa pergunta como se nunca tivéssemos a questionado antes : Será que estou de fato vivendo de forma natural ou isso tudo é só uma rotina programada onde eu nem lembro qual foi a última vez que eu fiz algo sem estar na minha agenda? Ou se nem lembro sequer qual foi a última vez em que eu acordei e não fiz as exatas mesmas coisas nos últimos 5 anos? Ou se de fato a vida é mesmo natural e irá continuar acontecendo e se formando mesmo que eu a pare de programar? Bom, essa última ai pode até parecer bem óbvia, mas acredite ou não, ainda tem pessoas que precisam buscar uma resposta para ela.

Os anos continuam a passar com a velocidade da luz e ninguém se atreve a dar uma resposta generalizada para essa pergunta (e se algum coach ou sabidinho da vida tentar te dar uma, ignore, pois ele só está com a pretensão de te tirar algum dinheiro ou atenção) mas porque? Porque de fato não existe uma resposta geral pra questões individuais, ninguém vive a mesma vida e nem questiona a mesma coisa pela mesma ótica, bom, nem sempre. Embora seja uma questão que tenha sido extremamente banalizada nos últimos anos, ainda existem aqueles que não conseguem compreender esse questionamento ou discernir a diferença entre um e outro. Se você der uma busca rápida no Google vai encontrar aos montes artigos, opiniões, livros de auto ajuda e coisas do tipo dispostos a te oferecer uma resposta tão simples e fácil que faz o questionamento parecer ter sido feito por uma criança de 5 anos e que pode parecer tentador dar um pouco de dinheiro ou atenção.

Pois bem, iniciemos então com a seguinte pergunta : O que te fez questionar isso? Levando em conta a facilidade atual que você tem de se deparar com esse questionamento, sua resposta pode ser tão simples e indiferente quanto : ''Eu vi no Facebook''. Porém mesmo que você tenha esbarrado com esse questionamento só por uma simples rede social, ele certamente te levantou alguma curiosidade a respeito.

Partiremos do ponto mais prático de se analisar essa questão : Nossa Rotina.
Diariamente nos levantamos e direcionamos nossa atenção e preocupações a instintos básicos de sobrevivência atuais, tais como : Trabalho, Dinheiro, Comida, Saúde, Família e por ai a fora. Mas onde exatamente essas ações por sobrevivência esbarram na vivência? Esse aqui é o principal ponto do questionamento e eu uso uma estratégia de pontuar exatamente a importância que você dá a esses instintos como método de auto análise. O quanto da sua vida você entrega ao trabalho? A profissão que você vive ou está escolhendo viver te agradaria e te faria feliz mesmo que você não recebesse um centavo em exerce-la? Quantos dos seus objetivos envolvem dinheiro, e quais deles tem de fato como objeto final algo além do dinheiro? E se for conforto e luxo, eles te bastam? Irão bastar quando você os tiver, mesmo que não tenha nada além disso? O quanto da sua saúde preocupa mais a você do que a um médico? Quais são as coisas que você abre mão de fazer por acreditar que vai agravar um possível problema de saúde que você sequer tem? Essas entre outras questões transformariam o próprio questionamento numa bola de neve infinita de perguntas, que certamente eu irei te poupar, pois não quero te levar a um possível ataque cardíaco ou surto de ansiedade.

A dualidade entre viver e sobreviver é algo natural e inseparável, um não existiria sem o outro, você não teria a oportunidade em ter desejo de viver se não tivesse seus instintos e preocupações em sobreviver, e certamente você não teria mais motivos do que um animal pra sobreviver se não tivesse um desejo pela vida. Escolher entre um dos dois é se dar o luxo de perder a oportunidade de harmonizar uma dualidade inseparável e necessária para a manutenção da própria vida em si, talvez você nunca enxergue a diferença entre os dois se não compreender que eles são quase um só, se questione mas não com a pretensão de achar uma resposta simples e fácil, mas com a compreensão que o questionamento te mantém vivo, lúcido e ajuda a sobreviver também.
Sobre o(a) Autor(a):
Paulo Santos
Paulo H. Santos é universitário de história e estudante voluntário e apaixonado de filosofia entre outras áreas de estudo.

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