Estudo publicado em revista científica mostra que testosterona baixa em homens aumenta o risco da gravidade da peste chinesa (COVID-19)

Dados da Imagem
Imagem da praga chinesa, ilustrativa (Reprodução / Gerd Altmann / Pixabay).

Estudo publicado em revista científica mostra que testosterona baixa em homens aumenta o risco da gravidade da peste chinesa (COVID-19)​


Ao contrário do que foi divulgado no início da pandemia chinesa (COVID-19), muitos afirmavam que altos níveis, ou, a própria testosterona, o principal hormônio masculino, estava ligado aos casos graves da peste chinesa no mundo.

E quando a ciência realmente funciona, pela sua natureza do próprio contraditório, pesquisas, análises científicas, debates e dados, ela costuma ir na direção de uma verdade factual, diferentemente do que se aplicam em situações de lockdowns, uso obrigatório de máscaras e outras bizarrices vistas durante toda essa pandemia, em especial, a completa ignorância quanto ao conceito da imunidade de rebanho, atualmente no Brasil falada apenas pelo Osmar Terra e pelo POLITZ, obviamente.

No caso da testosterona, o contraditório realmente apareceu.

O estudo publicado na revista científica JAMA (Journal of The American Medical Association), que pode ser lido clicando aqui, ou ao final da nossa reportagem, encontrou uma relação importante aos baixos níveis de testosterona em homens e os casos graves de pacientes infectados pelo vírus chinês. O estudo foi realizado pela Universidade de Washington nos Estados Unidos.

No estudo, foram avaliadas amostras de materiais genéticos de 152 pacientes, entre homens e mulheres, incluindo 143 internados com a praga chinesa, entre março a maio de 2020. O resultado é surpreendente: dos 90 homens que apresentaram quadros graves da doença, 66 tinham uma taxa de testosterona de 65% a 85% menor que os 24 homens que tiveram um quadro moderado, entre os primeiros e terceiros dias de sintomas.
Segundo a pesquisa, homens com baixos níveis de testosterona, isto é, até 250 nanogramas por decilitro de sangue, tinham mais chance de precisar de tratamento intensivo ou intubação nos 2 ou 3 dias subsequentes.

Entre as mulheres, não foi comprovada essa relação. O estudo, porém, conclui que mais investigações são necessárias para entender sua associação fisiopatológica com a COVID-19.


Como forma de tentar facilitar a leitura dos nossos grandes seguidores(as), traduziremos a primeira página do artigo, contendo o Abstract da publicação, algo como um "resumo" do estudo para quem não quiser se aprofundar em 15 páginas técnicas e médicas de puro inglês. Destacamos o principal ponto ao final, a conclusão do estudo. A publicação científica completa está logo abaixo da nossa reportagem:

PONTOS PRINCIPAIS:

Pergunta:
Os hormônios sexuais que circulam em nossos corpos estão associados à gravidade da doença em pacientes com o COVID-19?

Resultados:
Em um estudo de coorte de 152 pacientes com COVID-19, incluindo 143 pacientes hospitalizados, as concentrações de testosterona na apresentação e no dia 3 foram inversamente associadas à gravidade da doença e às concentrações de citocinas inflamatórias circulantes em homens, mas não em mulheres. O perfil transcricional de células mononucleares circulantes revelou suprarregulação das vias de sinalização hormonal em pacientes que requerem cuidados intensivos em comparação com aqueles com doença mais branda.

Significado: Os resultados do estudo sugerem que baixas concentrações de testosterona no paciente podem estar relacionadas à mecanismos e funções que resultam em resultados mais graves observados em homens infectados pelo COVID-19, sendo desnecessário os testes clínicos para testar essa hipótese.

IMPORTÂNCIA:
Homens são naturalmente um fator de risco para o desenvolvimento de doença COVID-19 grave. Não se sabe se os hormônios sexuais contribuem para essa predisposição.

OBJETIVO: Investigar a associação das concentrações de testosterona sérica, estradiol e fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1, cujas concentrações são reguladas pela sinalização do hormônio sexual) com a gravidade do COVID-19.

LOCAL, CONFIGURAÇÕES E PARTICIPANTES: Este estudo de coorte prospectivo foi conduzido usando amostras de soros coletadas de pacientes consecutivos que se apresentaram de março a maio de 2020 no Hospital Judeu Barnes em St Louis, Missouri, com COVID-19 (diagnosticado usando esfregaços nasofaríngeos [N.T.: o famoso swab]). As concentrações foram medidas no momento da apresentação (ou seja, dia 0) e nos dias 3, 7, 14 e 28 após a admissão (se o paciente permanecesse hospitalizado).

PRINCIPAIS RESULTADOS E MEDIDAS: As concentrações de hormônio basal foram comparadas entre pacientes com COVID-19 grave versus aqueles com doença COVID-19 mais branda. O sequenciamento de RNA foi realizado em células mononucleares circulantes para entender a associação mecanística das concentrações alteradas de hormônio circulante com as vias de sinalização celular.

RESULTADOS: Entre 152 pacientes (90 [59,2%] homens; 62 [40,8%] mulheres; idade [SD] média, 63 [16] anos ), 143 pacientes (94,1%) foram hospitalizados. Entre 66 homens com COVID-19 grave, as concentrações medianas de testosterona [interquartile range] foram menores no dia 0 (53 [18 a 114] ng / dL vs 151 [95 a 217] ng / dL; P = 0,01) e no dia 3 ( 19 [6 a 68] ng / dL vs 111 [49 a 274] ng / dL; P = 0,006) em comparação com 24 homens com doença mais leve. As concentrações de testosterona foram inversamente associadas às concentrações de interleucina 6 (β = −0,43; IC 95%, −0,52 a −0,17; P <0,001), proteína C reativa (β = −0,38; IC 95%, −0,78 a −0,16 ; P = 0,004), antagonista do receptor de interleucina 1 (β = −0,29; IC de 95%, −0,64 a −0,06; P = 0,02), fator de crescimento de hepatócitos (β = −0,46; IC de 95%, −0,69 a - 0,25; P <0,001), e proteína induzível por interferom 10 (β = −0,32; IC de 95%, −0,62 a −0,10; P = 0,007). As concentrações de estradiol e IGF-1 não foram associadas à gravidade do COVID-19 em homens. As concentrações de testosterona, estradiol e IGF-1 foram semelhantes em mulheres com e sem COVID-19 grave. A análise de enriquecimento do conjunto de genes revelou vias de sinalização hormonal reguladas positivamente em monócitos CD14 + CD16− (isto é, clássicos) e monócitos CD14 − CD16 + (isto é, não clássicos) em pacientes do sexo masculino com COVID-19 que precisaram de tratamento em unidade de terapia intensiva versus aqueles que não precisaram.

CONCLUSÕES E RELEVÂNCIA: Neste estudo de coorte de centro único de pacientes com COVID-19, concentrações mais baixas de testosterona durante a hospitalização foram associadas ao aumento da gravidade da doença e inflamação em homens. As vias de sinalização hormonal em monócitos não são paralelas às concentrações de hormônios séricos, e mais investigações são necessárias para entender sua associação fisiopatológica com COVID-19.



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