Em um país onde Paulo Freire é tido como patrono da educação, Ludmila dá solução em economia e Anita fala em democracia. Cultura e educação não ficariam ilesas dessa corrupção intelectual, não bastando milhões de brasileiros viverem submersos em um poço de desconhecimento, manipulação e interesses, do qual o quanto mais se investiga dele, mais ficamos cientes da infinidade de sua profundeza.

Começando por Paulo Freire, desconhece um ser o qual é tão citado em conteúdo acadêmico, não por ter contribuições com métodos para a educação ou boas condutas para a direção das crianças e adolescentes do
Brasil. Muito pelo contrário, Freire sempre deixou claro com suas próprias
palavras seu desejo e ambição:

“Eu preferia dizer que não tenho método. O que eu tinha, quando muito jovem,
há 30 ou 40 anos, não importa o tempo, era a curiosidade de um lado e
o compromisso político do outro, em face dos renegados, dos negados, dos proibidos
de ler a palavra, relendo o mundo. O que eu tentei fazer, e continuo fazendo hoje, foi
ter uma compreensão que eu chamaria de crítica ou de dialética da prática educativa,
dentro da qual, necessariamente, há uma certa metodologia, um certo método, que eu
prefiro dizer que é um método de conhecer e não um método de ensinar.”

Como pode alguém que não teve sequer um método de ensino, nenhum compromisso com o avanço da educação e mesmo assim o
universo acadêmico o trata como semideus? A resposta deste questionamento não poderia ser simples diante do problema da educação
- ou melhor, de sua falta -. Na última avaliação do PISA (2018) com resultado divulgado em dezembro em 2019, o país ficou nas últimas posições possíveis. Os alunos não sabem calcular e muito menos ler, o sistema educacional não os instrui a aprenderem, a colocarem em prática seus conhecimentos, etc. Mas os levam a crer que a educação é um direito do Estado mãe a sua população.Essa ideia de educação ser um “direito” transformou as escolas e universidades públicas em colossais fábricas de analfabetos funcionais, as quais todos os anos despejam na sociedade seres os quais acreditam ser inteligentes por criticarem o mundo ao seu redor. Por sua vez, tais críticas são fundadas de tal princípio. O princípio é o interesse de certos grupos de pessoas, e como Paulo Freire era um marxista, bastamos lembrar da seguinte crença de Marx.

“Todo homem é forçado a pensar de um modo que evidencia seus interesses.”

Logo, você pensa da maneira que seus “interesses” o forçam a pensar. Seus “interesses” são independentes da sua mente e das suas ideias. Seus “interesses” existem no mundo separado das suas ideias. Consequentemente, o produto de tais ideias não é a verdade. Partindo do princípio que o intelecto sedestina a apreensão do principal conceito de ‘ser’ que é a verdade, logo, a inteligência do indivíduo intelige o ser como uma “verdade” que ele acredita ser produto de suas críticas. Por tal motivo é fácil notar a quantidade de estudantes que ao se posicionarem sobre assuntos sociais não conseguem terem bases para sustentar o posicionamento. Não por ter uma regra geral a ausência de conhecimento entre esse grupo, mas por que esse grupo foi resultado da invasão no meio educacional por filosofias como a de Gramsci. Não seria de se espantar ao dizer que hoje as escolas são a primeira “preocupação” de muito governante, não por eles estarem preocupado com o nosso bem-estar e vida intelectual. Mas é fácil entender a real causa, “Se você dita o que é ensinado, você controla o que é criticado”, observando o que é a educação brasileira desde do final do século XX, conhecemos a raiz do problema.

Certa vez Étienne de la Boétie disse:

“Por ora, gostaria apenas de entender como pode ser que tantos homens, tantos burgos, tantas cidades, tantas nações suportam às vezes um tirano só, que tem apenas o poderio que eles lhe dão, que não tem o poder de prejudicá-los senão enquanto eles têm vontade de suportá-lo, que não poderia fazer-lhes mal algum senão quando preferem tolerá-lo a contradizê-lo. Coisa extraordinária, por certo; e, porém, tão comum que se deve mais lastimar-se do que espantar-se ao ver um milhão de homens servir miseravelmente, com o pescoço sob o jugo, não obrigados por uma força maior, mas de algum modo (ao que parece) encantados e enfeitiçados apenas pelo nome de um...”

Étienne questionava por qual motivo as pessoas toleravam os regimes opressivos da época, visto que a sociedade era muito maior que os governantes. E prosseguiu com:

“Chamaremos isso de covardia? ... Se cem, se mil aguentam os caprichos de um
único homem, não deveríamos dizer que eles não querem e que não ousam atacá-lo, e
que não se trata de covardia e sim de desprezo ou desdém? Se não vemos cem, mil
homens, mas cem países, mil cidades, um milhão de homens se recusarem a atacar um
só, de quem o melhor tratamento fornecido é a imposição da escravidão e da servidão,
como poderemos nomear isso? Será covardia? ... Quando mil ou um milhão de
homens, ou mil cidades, não se defendem da dominação de um homem, isso não pode
ser chamado de covardia, pois a covardia não chega a tamanha ignomínia. . . Logo, que
monstro de vício é esse que ainda não merece o título de covardia, que não encontra
um nome feio o bastante . . . ?”

Ele concluiu que as pessoas davam consentimento a tais regimes, por tanto, para que hoje pessoas acreditem que o Estado esteja visando no nosso bem precisa-se de um sistema de educação não falido, mas sim corrompido. Por isso a oposição fala tanto em ministério da educação e tenta de todas as formas derrubar o Abraham Weintraub, desqualificar o Carlos Nadalim, impedir que uma mudança para um certo rumo na educação pública ocorra, etc.
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