Em reação à pandemia do coronavírus e ao papel de Bill Gates na distribuição de vacinas, muitos meios de comunicação estão ligando suas atividades ao malthusianismo — uma ideologia obstinada a reduzir a população mundial. Muito embora as alegações contenham frequentemente uma série de teorias conspiratórias, por outro lado, também há fatos indiscutíveis que são fáceis de encontrar no âmbito do domínio público.

Entretanto, a questão em si é mais complicada e complexa, e o problema não resume-se apenas ao trabalho de certos grupos de pressão cujos membros são políticos globais de grande destaque.

Basta ler o memorando secreto de código NSSM 200 da NSA (Agência de Segurança Nacional) americana, elaborado por Henry Kissinger e concluído em 10 de dezembro de 1974. Intitulava-se “Implications of Worldwide Population Growth For U.S. Security and Overseas Interests” (Implicações do Crescimento Populacional Mundial para a Segurança e os Interesses Estrangeiros dos EUA) e foi desclassificado pela Casa Branca em 1989.

O despovoamento deve ser a prioridade de maior importância da política externa em relação ao terceiro mundo, porque a economia dos EUA exigirá grandes e crescentes quantidades de minerais provenientes de fora, especialmente de países menos desenvolvidos. — Henry Kissinger


O memorando destacava a necessidade de acomodar o crescimento da população mundial para a escala de até 6 bilhões pessoas até meados do século XXI, e de manter o nível final o mais próximo possível dos 8 bilhões. Os países listados a seguir foram identificados como “culpados” pela superpopulação: Índia, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, México, Indonésia, Brasil, Filipinas, Tailândia, Egito, Turquia, Etiópia e Colômbia. O memorando observava ainda que os EUA deveriam fazer um uso mais frequente de agências como o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que trabalhou para reduzir a população de 80 países. Sugeria-se a realização de programas de planejamento familiar, bem como a redução das taxas de natalidade através de programas educativos que propiciassem os pais com incentivos para que não tivessem filhos. Em outras palavras, efetuar uma lavagem ao cérebro de acordo com as circunstâncias de cada país e de cada região. Ao mesmo tempo, no item 37 afirma-se que há uma visão alternativa sobre a questão da população que julga a situação como muito mais grave do que já se pressupunha ser e que exige medidas urgentes para evitar uma catástrofe demográfica.

Em termos de redução populacional, o memorando enumera fundos como o Pathfinder Fund, e os do International Planned Parenthood Foundation e do Population Council, e, para além dos programas em curso, vários experimentos foram propostos para ajudar a reduzir os custos dos EUA.

Isto pode ser novidade para muitos, mas o pai de Bill Gates era o chefe do Planned Parenthood, fato que o próprio Bill Gates uma vez reiterou numa entrevista a uma emissora de televisão. Após Donald Trump se tornar presidente, a organização deixou de receber fundos do orçamento estatal dos EUA, mas as subvenções de fundações privadas não deixaram de chegar.

A propósito, além de vacinas, Gates tem se envolvido em outros programas experimentais relacionados ao campo das biotecnologias, incluindo aqueles que envolvem o zika vírus, que se acredita ser um risco particularmente para mulheres grávidas.

O zika vírus é transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti. Estes mosquitos se notabilizaram por terem sido geneticamente modificados pela Oxitec (Oxford Insect Technologies), uma empresa britânica de biotecnologia. Se os resultados dos testes forem dignos de seriedade, os mosquitos Aedes aegypti da Oxitec evitam a disseminação da dengue, da febre amarela, da chikungunya e do zika vírus.


Manuelly Araujo da Cruz nasceu com microcefalia após sua mãe ter sido infectada com o zika vírus durante a sua gestação.

A Oxitec desenvolveu mosquitos geneticamente modificados utilizando dinheiro da Bill & Melinda Gates Foundation. Os primeiros testes de campo dos Aedes aegypti transgênicos ocorreram no Caribe, mais precisamente nas Ilhas Cayman, no outono de 2009. Em seguida, eles multiplicaram-se, sofreram mutações e acredita-se que se tenham tornado portadores do zika vírus. Neste caso, a indução artificial a uma epidemia é clara.

Quando se trata de política internacional coordenada, as questões de crescimento demográfico são tratadas na ONU por meio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Substancialmente, eles almejam a implantação de uma política de neomalthusianismo — ou seja, de redução da taxa global de natalidade através da esterilização das mulheres e dos abortos.

É interessante observar que, no seio da ONU, as mesmas tradições relacionadas à prática do aborto e da esterilização são passadas de geração em geração.

Em 2001, por exemplo, o presidente do Conselho Internacional de Planejamento Familiar, Alexander Sanger, serviu como Embaixador da Boa Vontade do UNFPA. Como representante e defensor do controle da natalidade, Sanger foi nomeado “uma das 100 pessoas mais influentes do planeta” em 1995. Ao mesmo tempo, Alexander Sanger é neto de Margaret Sanger, a educadora sexual que, em 1921, fundou a Liga Americana de Controle de Natalidade, e posteriormente, em 1929, o Comitê Nacional para a Legislação Federal do Controle de Natalidade.

Margaret Sanger lançou as bases para o uso generalizado de contraceptivos e para a prática de abortos clínicos subsidiados pelo estado. Ela também contrabandeou diafragmas para os EUA e publicou material de conteúdo obsceno na imprensa, violando assim repetidamente as leis federais.

Em 1923, Sanger criou o Gabinete de Investigação Clínica, explorando uma brecha na lei. O gabinete foi a primeira clínica de controle de natalidade legal nos EUA e era inteiramente composto por mulheres médicas e assistentes sociais. A clínica recebeu financiamento da família Rockefeller (ainda mais entusiastas do controle global), que apoiou anonimamente as atividades de Sanger no decorrer de uma década.

Ideologicamente, Margaret Sanger era uma anarquista e uma racista que acreditava que o controle da natalidade e a promoção da eugenia poderiam “ajudar a corrida pela eliminação dos inaptos”[1]. Suas sugestões incluíam uma política de imigração rigorosa, o livre acesso a métodos de controle de natalidade, plenos direitos de planejamento familiar para os capazes, e segregação ou esterilização compulsórias para os “irremediavelmente retardados”[2].


Margaret Sanger

Em 1926, Sanger deu uma palestra sobre controle de natalidade à subsidiária feminina do Ku Klux Klan em Silver Lake, Nova Jersey, e mais tarde trabalhou com grupos racistas semelhantes dos EUA[3].

Suas ideias radicais, entretanto, não se limitavam aos representantes de outros grupos raciais ou de pessoas com deficiências. No seu livro Woman and the New Race (A Mulher e a Nova Raça), ela escreveu: “A coisa mais misericordiosa que a grande família poderia fazer a uma de suas crianças é matá-la”. Em um outro livro, The Pivot of Civilization (O Pivô da Civilização), ela argumentava que os habitantes de áreas pobres, que, em virtude da sua natureza animal, procriam como coelhos e são prontamente capazes de cruzar os limites das suas próprias áreas ou territórios e depois infectar os melhores elementos da sociedade com doenças e genes inferiores, deveriam ser sujeitos à seleção natural.

Muito embora Sanger seja celebrada nos EUA como uma das fundadoras do movimento dos direitos das mulheres, alguns estudiosos compararam justificadamente as suas ideias com os métodos praticados pela Alemanha nazista.

Sanger foi presidente da International Planned Parenthood Federation (IPPF) de 1952 a 1959.

A política e a estratégia da IPPF sugere que o direito humano básico à liberdade reprodutiva (a opção de se recusar a ter um bebê através do aborto, esterilização ou da contracepção) deve ser aplicado a todas as pessoas, independentemente da idade, orientação sexual, condição financeira ou localização (PPFG Bulletin, setembro de 1992). A IPPF também se posiciona de forma favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, apoia o desenvolvimento das liberdades das minorias sexuais e classifica as drogas abortivas como remédios.


Notas:
[1]
Engelman, Peter C., “Margaret Sanger”, artigo na Encyclopedia of Leadership, Volume 4, George R. Goethals, et al (eds), SAGE, 2004, p. 132.
[2] Porter, Nicole S.; Bothne Nancy; Leonard, Jason. Public Policy Issues Research Trends, Evans, Sophie J. (ed), Nova Science. p. 126.
[3] Sanger, Margaret. Margaret Sanger, An Autobiography. Nova York: W. W. Norton, 1938. p. 361


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