O mundo contemporâneo e a sua paixão pelo novo.

Entender esse apego miserável pelo novo, pelo exclusivo e pelo moderno na sociedade contemporânea não é uma tarefa tão fácil quanto pode aparentar. É necessário ir um pouco mais atrás de compreender o que o ser humano busca, ou melhor, tem buscado cada vez mais. A resposta, é claro, aparência. Não poderia ser outra tendo em vista uma sociedade cada vez mais televisiva, e aqui não falo do aspecto midiático, não por agora.

Essa caminhada irritante do homem em encontro do seu 'EU' tem sido cada vez mais perdida a medida que conseguimos ver que esse 'EU' que tem sido buscado se trata do absoluto esquecimento do que de fato é o homem. Deixam pra trás tudo aquilo em que a sociedade construiu de bonito e bom a décadas e séculos. Bom, na verdade Bom e Bonito agora são relativos, né?

A pouco mais de 6 meses perdemos Sir Roger Scruton um dos últimos grande defensores ferrenhos contra a maioria estúpida que fala tanto sobre a relatividade das coisas, quase uns Einsteins modernos, ou melhor, tratando de um aspecto mais filosófico e menos físico, eu diria uns Sofistas modernos, onde aqui relativizam e ignoram a existência não só da verdade, mas de tudo, certo e errado, bom ou ruim, belo ou não e por ai vamos ladeira abaixo na estúpida e mentirosa defesa da inexistência das coisas. A cada dia se torna mais notável a necessidade ( ou a coerção a ela ) de jogar fora todo o passado da humanidade, apagando da cultura as tradições, os costumes, a moral, e tudo aquilo na qual a sociedade como conhecemos hoje foi alicerçada. É preciso ter em vista e levar em consideração não uma oposição cega ao progresso, mas uma oposição ao progresso cego. Há de se reavaliar sempre e por de forma empírica o progresso do homem ao longo das décadas e séculos, a auto-critica enquanto espécie, enquanto ser. Um bom começo é analisar de fato, se há um progresso, se a narrativa histórica não está inversa e aquilo que estejamos chamando de progresso, não se trate do exato oposto.

O homem por si só, anda muito cheio de si, e não digo no aspecto histórico da coisa, mas no aspecto do próprio ego, da aparência própria e do medo do que os amigos, parentes, vizinhos ou colegas vão achar de você caso seja diferente ou contrário a essa busca imparável e cega pelo novo. Essa paixão estética louca que atropela a verdade, as virtudes, a moral e a ética não poderia ser melhor definida do que uma paixão, fazendo uma breve correlação com a palavra 'Pathos' do grego, sofrimento e da sua origem em latim 'Passione', sofrimento do corpo, doença da alma. Numa visão mais Kantiana, uma inclinação emocional violenta, capaz de dominar completamente a conduta humana e afastá-la da desejável capacidade de autonomia e escolha racional.
  • Curtir
Reactions: Sou Bonitinho
Sobre o(a) Autor(a):
Paulo Santos
Paulo H. Santos é universitário de história e estudante voluntário e apaixonado de filosofia entre outras áreas de estudo.

Comentários

infelizmente nós vivemos num mundo onde o que mais importa são as coisas materiais e a estética. Pessoas vivem na busca da perfeição e acabam se transformando em algo pior do que queriam, vemos aí várias celebridades que priorizaram a beleza artificial ao invés da beleza natural e no final se transformaram em uma coisa bizarra. Pelo menos a atenção que queriam foi disponibilizada. Espero que eu tenha sido coerente hehe, gostei do artigo de hoje! 👏❤
 
Só ver na arquitetura, muitas construção modernas são obviamente inferiores se comparada com estilo clássico ibério, toscano ou mediterrâneo e mesmo assim são supervalorizadas só por "inovarem".
 

Informações da Publicação

Autor(a)
Paulo Santos
Visual.
2.010
Comentários
2
Última atualização

Mais em Colunistas

Mais de Paulo Santos

Compartilhar

Top Bottom