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Parte III: Como Explodir o Politicamente Correto

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Esse artigo faz parte da Série Como Explodir o Politicamente Correto
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A famosa "Janela de Overton", descrita nesse artigo.
Manipulando a "Janela de Overton"

Há 16 anos, em uma conversa de família, minha mãe espalhava aos quatro cantos, com orgulho, que tinha filhos normais. Ela dizia com todas as letras que seus filhos eram saudáveis, com endereço fixo, tinham trabalho, bons amigos, esposa e filhos, eram avessos a drogas e homens com H (heterossexuais). Quando lhe perguntavam sobre o que achava sobre quem tinha filhos ¨gays¨, ela prontamente dizia: - é... essa Mãe não é tão sortuda quanto eu.

Este ano perguntei para ela o que ela achava de ter um bisneto homossexual. Ela me olhou, pensou trinta segundos e respondeu: - ah meu filho, eu respeito, vou amá-lo de qualquer jeito, já é uma sorte ter bisnetos, que venha, sou muito abençoada.
O que mudou nesses 16 anos? Porque antes a ideia era a de que ter parentes ¨gays¨, ou ¨nem nem¨ era anormal e agora ela aceita perfeitamente e até acredita ser um tipo de "sorte". Joseph P. Overton explica.

Overton em seus estudos acerca da manipulação das massas e da opinião pública conseguiu demonstrar que pessoas, ¨bombardeadas¨ por conceitos extremos podem ser manipuladas a mudar a sua opinião sobre um assunto, que antes era por si classificado como inaceitável, para as condições de normal, aceitável ou desejável.

A "Janela de Overton" é a porção da informação considerada "aceitável" em relação a um assunto qualquer, pela maioria da população, ou seja, pela opinião pública. Exemplificando:

O assunto a ser considerado aqui é o ABORTO. Há pessoas que consideram o aborto como sendo crime doloso ou culposo, outras são sem opinião, outras consideram aceitável ser autorizado em certos casos, e outras acreditam que deve livre decisão da mãe e que o Estado nada tem a ver com isso. O aborto, no século XX, era um tipo de "tabu", um crime horrendo para religiosos e boa parte da população brasileiro.

Entretanto, setores da população, como: artistas, políticos, feministas, esquerdistas, liberais, mídia, entre outros, polemizaram o assunto, trazendo-o à discussão científica e na sociedade, de tal forma, que após a primeira década do século XXI, a Lei brasileira autorizou a realização do aborto em certos casos, ou seja, a aceitabilidade do tema se deslocou do "crime doloso" para o "autorizado em certos casos", em menos de 20 anos de discussão.

Essa é a representação (simulada) do deslocamento da Janela de Overton sobre o tema ABORTO entre os anos de 1990 – 2010.

Durante anos, a opinião pública, quando pesquisada, apresentava uma resposta conservadora com tendência a se posicionar a favor da proibição do aborto por considerá-lo crime.

Entretanto, após a manipulação massiva acerca do assunto na mídia e na sociedade e do próprio avanço do pensamento da sociedade, observa-se que nos dias de hoje a maioria das pessoas pesquisadas apresentam respostas progressistas com tendência à descriminalização e liberação total do aborto, ou seja, uma total quebra do tabu e das convenções sociais conservadores de outros tempos.

A manipulação da opinião pública pode ser realizada ¨empurrando¨ as tendências de respostas do que é aceitável para o que é inaceitável, por meio de repetição e orquestração de posições e opiniões veiculadas por artistas, especialistas e pela grande mídia de massa. Os temas polêmicos colocados em pauta e discussão pela mídia, como: criminalização da homofobia, prisão política de ex-presidentes, aborto, posse de armas, militarização do alto escalão do governo, reforma da previdência, entre outros, são manipulados de forma a tirar o espectador da zona ¨sem opinião¨ e levá-lo à aceitabilidade do inaceitável em cada tema proposto.

Como exemplo coloco aqui o desarmamento da população. No plebiscito de 2005, 63% população (2/3) votou favoravelmente à comercialização, posse e porte de armas por cidadãos brasileiros. A mídia e os partidos políticos progressistas tentam, desde então, diuturnamente, fazer acreditar que "armas são proibidas" e que quaisquer medida tomada pelo governo para organizar o direito do brasileiro em ter armas (garantido pelo plebiscito) favorecerão o aumento do crime e de todo tipo de homicídio.

Isto é uma falácia (mentira), pois a comercialização, o porte e a posse de armas NUNCA foram proibidos no Brasil. A manipulação da informação ocorre em fazer acreditar que algo aceitável e legal, possuir armas, é inaceitável e ilegal. Faça o exercício de consultar as manchetes de jornal, de 2005 para 2019, aleatoriamente e observe como isso acontece. A manipulação da informação é muito real e presente. Como então age essa manipulação, no sentido de convencer as pessoas que o aceitável é inaceitável?

As pessoas que se posicionam publicamente a favor do armamento da população, para proteção em legítima defesa, via de regra, no trabalho, na família, nas redes sociais etc... é bombardeado com argumentos politicamente corretos extraídos das discussões publicadas na mídia.
Afim de não se aborrecer, de manter amizades e um bom ambiente, esse cidadão se cala, e entra na espiral do silêncio para não se contrapor à opinião publicada (manipulada). Assim, com o passar dos meses e anos, ele passa a concordar com certos pontos apresentados contra "armas".

De tanto ver, ouvir e sentir, argumentos contra "armas", no seu dia, sua crença de que armas são legais vai definhando.

Até que, em um belo dia, cansado de ver, por anos a fio, mortes por armas de fogo na televisão, de ler, diariamente, estatísticas de aumento de violência, acontece o inesperado.

De repente ocorre um acidente com armas com um vizinho, conhecido, amigo ou um parente,. Essa pessoa próxima é ameaçada ou assassinada por arma de fogo (ilegal).

A consternação produzida, juntada ao medo de morrer, podem fazê-lo mudar de opinião (de forma irracional) e, a partir daí, ele passar a defender o desarmamento. Acima temos o exemplo de como interagem as 3 partes deste artigo. Como o "politicamente correto", a Espiral do Silêncio e a Janela de Overton podem manipular seus pensamentos, atitudes e comportamentos sem que você se dê conta.

A manipulação da informação não é realizada apenas por progressistas e conservadores, por militantes de esquerda, de direita ou dos isentos de centro. É realizada por todos. Você está sendo manipulado a partir do momento que abre os olhos pela manhã.

Como evitar ser manipulado?
  • Mantenha-se atento e saiba separar o que é opinião pública da publicada.
  • Tenha a firmeza de caráter e a honestidade de propósitos necessária para que você se mantenha fiel à sua visão de mundo, seja ela conservadora ou não.
  • Defenda suas posições, sempre, não aceite se calar por conveniência. Sabendo o momento e escolhendo as palavras certas, você pode contra-argumentar e salvar ¨almas desavisadas¨ que estejam ouvindo a sua conversa.
  • E, acima de tudo, acredite que "nem tudo é o que parece ser".
Sobre o(a) Autor(a):
Clynson Oliveira
Clynson Oliveira é PhD em Ciências Militares com ênfase em Política e Estratégia pela Escola de Comando e Estado-maior do Exército e coronel R1 do Exército Brasileiro. Por mais de 15 anos atuou na área de marketing de guerra do Exército Brasileiro, sendo especialista em operações psicológicas, direito internacional humanitário, emprego constitucional das Forças Armadas e operações multinacionais, interagẽncias e de paz. Comandou unidades militares no interior da Amazônia brasileira, residiu por mais de 2 anos em todas as regiões do País e participou de atividades militares em mais de 11 países, entre eles Haiti, EUA e Índia, tendo reunido profundos conhecimentos da problemática política, econômica, social, tecnológica e militar, interna e externa, do Brasil, ao longo de mais de 28 anos de serviço militar. Formado em Gerenciamento de Projetos pela FGV, após uma experiência de mais de 6 anos em projetos estratégicos (projeto PROTEGER), e de ter sido CEO da Boston International Sales, fundou a Líder Ação consultoria & treinamentos. É casado, pai de três filhos, dois cachorros e avô de um neto. É também um colaborador do POLITZ.

Comentários

M
Perfeitamente plausível. Ênfase em: "Nem tudo é o que parece ser".
 
Defender o que contra quem? Defender em um mundo que so tem granscista e por qualquer argumento ja te chama de fascista? Que tipo de argumento invalido e chamar de "fascista", sendo que tu pergunta pra uma pessoa o que fascismo ela vai te responder e de comer?
 
R
Concordei com muita coisa nos textos, mas faltou uma crítica contrária aos elementos da modernidade como o secularismo e a própria democracia enfraquece toda essa guerra cultural conservadora. No fim do dia, o conservadorismo busca conservar apenas o fruto das revoluções liberais.

Não há no conservadorismo o ímpeto necessário para expurgar o politicamente correto da consciência da massas, pois o politicamente correto é produto da modernidade que o conservador quer conservar e que ele burramente chama de civilização ocidental.

Recomendo para reflexão:

Virar a Janela de Overton para o polo conservador não basta. Rompa com os pilares que sustentam a própria janela, de modo que não haja a possibilidade de um polo progressista!
 
Última vez editado:
R
Concordei com muita coisa nos textos, mas faltou uma crítica contrária aos elementos da modernidade como o secularismo e a própria democracia enfraquece toda essa guerra cultural conservadora. No fim do dia, o conservadorismo busca conservar apenas o fruto das revoluções liberais.

Não há no conservadorismo o ímpeto necessário para expurgar o politicamente correto da consciência da massas, pois o politicamente correto é produto da modernidade que o conservador quer conservar e que ele burramente chama de civilização ocidental.

Recomendo para reflexão:

Virar a Janela de Overton para o polo conservador não basta. Rompa com os pilares que sustentam a própria janela, de modo que não haja a possibilidade de um polo progressista!
Resumindo, o que quero dizer é que focar-se apenas em pautas (abortos, armas, drogas, partidos...) não é o bastante. É preciso atacar a superestrutura que possibilita estarmos debatendo tais coisas.
 
É sério que pra voces o correto seria ainda considerar a homossexualidade como algo digno de desprezo, um infortúnio digno de pena? É sério que uma mãe de um filho homossexual não pode se sentir orgulhosa do filho que tem?

Esse texto é uma grande piada já que ao mesmo tempo, associa o pensamento liberal como fruto das manipulações de massas, mas exclui o comportamento "das antigas" como TAMBÉM derivado da manipulação cultural daquela época. A hipocrisia do conservadorismo é acreditar que viemos de uma sociedade perfeita que deve ser conservada, ignorando que QUALQUER status quo, de qualquer época, vem necessariamente das conquistas liberais das sociedades anteriores. O que o conservador defende hoje foi uma sociedade conquistada por liberais da época que ele escolheu "conservar". Isso sem falar do saudosismo exacerbado, da completa ignorância científica de muitos dessa linha e do puro e simples preconceito.

Peguemos pra ilustrar o próprio exemplo da percepção de um filho homossexual "daquela época": a percepção negativa em relação a isso não advinha de qualquer explicação razoável, mas simplesmente da percepção SOCIAL de que isso era uma característica negativa. Percepção social essa criada pelos MESMOS mecanismos que hoje tornam a homossexualidade mais aceita. Daqui 50 anos, os conservadores vão lembrar de como os dias DE HOJE eram infinitamente melhores, assim como daqui 100, 150, 200 e enquanto a humanidade durar.

O conservadorismo falha na sua premissa pois ele não é imutável. Não existe um instante de tempo atemporal considerado "aquilo que se deve conservar" no qual qualquer conservador possa se inspirar. O "antigamente" defendido pelos conservadores atuais é o mesmo ferrenhamente criticado pelos conservadores da época, e assim será enquanto a humanidade existir.
 
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Clynson Oliveira
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