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Parte IV: Generalizações x Propaganda Comunista, será?

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Esse artigo faz parte da Série A Propaganda Comunista - Como Ela Funciona
As ideias dominantes de uma época, sempre foram as ideias da classe dominante - Karl Marx
Parte 4 - GENERALIZAÇÕES

Como fazer para que uma pessoa que nada entende do seu proselitismo, ou que seja, um alienado do mundo, que é sem luz ou que não tem estudos, entenda a complexidade e a beleza do que você tem a dizer? A resposta é simples, generalize.

A arte de influenciar as pessoas está em falar exatamente como ela, para que ela possa entender o que você quer que ela entenda. A propaganda comunista se dá ao direito de ter a licença poética para ressignificar os mesmos verbetes de forma diametralmente opostas, dependendo do interlocutor, para que se abram as portas para a influenciação.

Os comunistas tomaram o poder pelas armas em Natal, em 1935, durante o evento que ficou conhecido na história como a ¨Intentona Comunista¨. O lema deles era ¨pão, terra e liberdade¨. Ora, quem não quer comida para os filhos, terra para plantar e morar e liberdade para fazer o que bem entender? Era ótimo... na cabeça dos ¨não convertidos¨.

Porém, a realidade do que eles queriam dizer era a tradução do que estava proposto no Manifesto Comunista:

Pão – estatização dos meios de produção e da agricultura, isto é, você só come o que o governo te dá. Durante a intentona, em Natal, todos as lojas foram saqueadas e prol da distribuição de comida para o povo.

Terra - abolição da propriedade da terra e seu rentismo, bem como o confisco das terras dos inimigos do estado. Em 1935, em apenas 3 dias de poder, todas as fazendas dos políticos, casas de comerciantes e fazendas de agricultores foram expropriadas pelo governo dito ¨popular¨.

Liberdade – estatização do transporte, da educação, das fábricas e de todo o trabalho; abolição do direito de herança, todo o crédito e o dinheiro pertence ao governo, integração entre cidade e campo. Na prática, em Natal – 1935, todos os bancos foram roubados em nome do governo, tendo desaparecido uma cifra próxima a R$ 800.000.000, em dinheiro de hoje. O Bonde, considerado inovação tecnológica, foi dado ao povo para que passeasse de graça (tipo um movimento do passe livre).

A prática e a realidade contrariam o senso do correto e do bem comum, sendo o bem do partido o verdadeiro sentido do comunismo. Até hoje não encontraram o dinheiro roubado dos bancos em Natal naquele novembro de 1935.

A mesma coisa se dá em relação ao termo ¨Democracia¨, o poder do povo pelo povo. A democracia brasileira é pautada pelo que está escrito em sua Constituição (1988) onde regula como ela é exercida pelo cidadão (voto) e como o poder do Estado é exercido (Executivo, Judiciário e Legislativo, independentes entre si).

A democracia progressista e a soberania do povo, como defendido pelo candidato oposto ao presidente brasileiro eleito em 2018, e difundida nos canais do YouTube por um certo guerrilheiro, ex braço direito do ex presidente Lula, é exercida pelo ¨partido¨ e pelas representações da sociedade (LGBT, ONG, Jornais, sindicatos, clubes, movimentos sociais, etc).

Os representantes desses movimentos são escolhidos por ideologia partidária e representam o povo, sem serem eleitos por nenhum tipo de sistema. Assim, se garante que todas as decisões democráticas vêm do povo, dos escolhidos (pelo partido), sem que haja Congresso ou Assembléias Legislativas, ou seja, o significado de governo do povo pelo povo é na verdade o governo do partido pelo partido, para o partido. Alguma semelhança com o período de 1998 a 2014 não é mera coincidência.

No progressismo não há poder Judiciário. Há o Tribunal Constitucional, subordinado ao Partido, para julgar os fatos de acordo com a lei, expedida pelo executivo, e soberano perante todos. Sem direito a defesa imparcial, pois todos os advogados são do próprio governo, acusação e defesa, e o Juiz, também é do partido, ou seja, liberdade... desde que você obedeça fielmente ao partido.

Um outro caso de generalização é a pauta da Reforma Agrária. O que é essa reforma? Para um não comunista é uma forma de melhorar a vida do povo, diminuindo as tensões sociais e melhorando o padrão de vida. Para um comunista é a completa extinção da propriedade, tudo é do Estado e lhe é emprestado ou cedido para que você more, conforme escrito no Manifesto Comunista.

Desta feira, pode-se observar hoje em 2019, as mesmas generalizações de 83 anos atrás, e outras mais interessantes como o da campanha de difamação contra o presidente eleito em 2018.

A campanha de mainstream #elenao (descrita na parte 3) era uma generalização brilhante pois trazia em si a mensagem de tudo o que mais os comunistas odeiam, a liberdade de expressão e o pensamento político diferente do seu, na concepção comunista, a verdadeira alienação.

A generalizações brilhantes servem para polarizar opiniões entre o certo e o errado. São muito poderosas e capazes de causar danos à imagem de qualquer desavisado, ainda mais em tempos de pós verdade e de fakenews, inundando a internet.

O comunismo marxista vem mutando. É praticamente impossível lutar contra o capitalismo, todo bom comunista propagandista possui um iphone e mora em locais onde os ¨burgueses malditos¨, que normalmente são os seus próprios pais, moram.

O marxismo causístico, ou identitário, é aquele que toma força em tempos de mídias sociais poderosas e fluidas. As causas sociais divisivas, por meio da difusão de generalizações brilhantes, proselitismo e nada de ação, arrebanham centenas de fãs. Leia o próximo capítulo.
Sobre o(a) Autor(a):
Clynson Oliveira
Clynson Oliveira é PhD em Ciências Militares com ênfase em Política e Estratégia pela Escola de Comando e Estado-maior do Exército e coronel R1 do Exército Brasileiro. Por mais de 15 anos atuou na área de marketing de guerra do Exército Brasileiro, sendo especialista em operações psicológicas, direito internacional humanitário, emprego constitucional das Forças Armadas e operações multinacionais, interagẽncias e de paz. Comandou unidades militares no interior da Amazônia brasileira, residiu por mais de 2 anos em todas as regiões do País e participou de atividades militares em mais de 11 países, entre eles Haiti, EUA e Índia, tendo reunido profundos conhecimentos da problemática política, econômica, social, tecnológica e militar, interna e externa, do Brasil, ao longo de mais de 28 anos de serviço militar. Formado em Gerenciamento de Projetos pela FGV, após uma experiência de mais de 6 anos em projetos estratégicos (projeto PROTEGER), e de ter sido CEO da Boston International Sales, fundou a Líder Ação consultoria & treinamentos. É casado, pai de três filhos, dois cachorros e avô de um neto. É também um colaborador do POLITZ.

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