Em agosto, um curioso documento intitulado Preventing a Disrupted Presidential Election and Transition (“Prevenindo uma Conturbada Eleição Presidencial e Transição”) foi lançado nos EUA. Ele foi preparado por um grupo denominado de Transition Integrity Project, composto por mais de cem oficiais sêniores antigos e atuais dos EUA, juntamente com especialistas de várias áreas. O grupo anunciou que havia realizado exercícios de cenários para as eleições de novembro de 2020, todos os quais haviam mostrado resultados lamentáveis.

Deve-se observar que o grupo, estabelecido em dezembro de 2019, inclui não apenas democratas como também republicanos que se posicionam abertamente contra Donald Trump. Tem-se noticiado também que o Transition Integrity Project tem o apoio direto de George Soros, que, por sua vez, está tentando organizar uma revolução colorida nos EUA.

Entre outras coisas, uma ligação foi descoberta entre a fundadora do grupo, Rosa Brooks, e o próprio Soros, bem como com o chefe de campanha de Hillary Clinton, John Podesta, e o ex-Conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan, que trabalha para Joe Biden.

Rosa Brooks é membro da New American Foundation, que já foi patrocinada pelas Open Society Foundations, e trabalhou como Conselheira de Segurança Nacional Sênior no Departamento de Estado americano durante os mandatos de tanto Clinton quanto Obama. Ele atualmente está seguindo carreira acadêmica no Modern War Institute de West Point. Por alguma razão, Rosa Brooks acredita que as próximas eleições resultarão em violência e em uma crise constitucional.

O segundo fundador do grupo é Nils Gilman, que é vice-presidente de programas do Berggruen Institute (São Francisco) e que também trabalha para a Rockefeller Foundation. O instituto é um centro de pesquisa que promove ideias relacionadas ao trans-humanismo, isto é, opõe-se aos valores tradicionais.

O diretor do grupo é Zoe Hudson, ex-analista político sênior das Open Society Foundations de Soros que foi responsável por manter contatos entre a organização e os departamentos do governo americano por mais de dez anos.

O grupo também inclui o bem conhecido neoconservador Bill Kristol, o analista militar Max Boot, o ex-Secretário de Defesa dos EUA Chuck Hagel e o supracitado John Podesta.

O documento de 22 páginas afirma que:
“As eleições de novembro serão marcadas por um cenário legal e político de caos. Também avaliamos a possibilidade do [sic] Presidente Trump contestar os resultados através de meios tanto legais quanto extralegais, numa tentativa de se manter no poder.”
Os protestos recentes, os quais agentes federais foram mobilizados para neutralizar, são também considerados como evidências de que Trump pode recorrer a medidas extremas para permanecer na presidência.

Estas são as principais conclusões que os próprios autores destacam no relatório:

— O conceito de “noite das eleições” já não é mais preciso e tornou-se perigoso.
“Enfrentaremos um período de contestação que se estenderá a partir do primeiro dia em uma cédula de votação for depositada numa urna, na metade de setembro, até o dia 20 de janeiro”, observa os autores do relatório. “O vencedor pode não ser anunciado, e avaliamos que muito provavelmente não será, na ‘noite das eleições’, em paralelo à cotagem das urnas de votação por correio por oficiais. Este período de incertezas proporciona oportunidades para que um candidato inescrupuloso lance dúvidas sobre a legitimidade do processo e que estabeleça um atentado sem precedentes sobre os resultados. As campanhas, os partidos, a imprensa e o público devem ser educados para que comecem a regular suas expectativas imediatamente.”
— Uma determinada campanha poderá contestar as eleições na altura de janeiro de 2021. O relatório afirma:
“Antecipamos processos judiciais, narrativas divergentes da mídia, tentativas para que a contagem das urnas seja interrompida, e protestos atraindo pessoas de ambos os lados. Trump, o atual Presidente, muito provavelmente se utilizará do poder executivo para apoiar a sua estratégia de campanha, inclusive através do Departamento de Justiça. Avaliamos que há um chance do Presidente tentar convencer as legislaturas e/ou os governadores a tomarem medidas — incluindo medidas ilegais — para que resistam ao voto popular. As leis federais fornecem pouca orientação sobre como o Congresso deve solucionar irregularidades, caso se decida realizar uma Sessão Conjunta no dia 6 de janeiro de 2021. É de particular preocupação a forma como os militares reagiriam no contexto de resultados eleitorais incertos. Aqui as evidências recentes oferecem alguma tranquilidade, mas são inconclusivas.”
— O próprio processo de transição administrativa pode ser gravemente dificultado. De acordo com os autores do relatório:
“Os participantes dos nossos exercícios, de todos os tipos de antecedentes e ideologias, acreditam que Trump priorizará os benefícios pessoais e a autoproteção em vez de assegurar uma transferência administrativa dentro da ordem para o seu sucessor. Trump pode se utilizar de desculpas para impedir futuros processos criminais, organizar acordos comerciais com governos estrangeiros que venham a beneficiá-lo financeiramente, tentar subornar e silenciar associados, e tentar desviar fundos federais para os seus negócios.”
O relatório contém quatro recomendações que refletem a típica agenda típica das revoluções coloridas: preparação de recursos, cenários, processos judiciais, etc.

— Plano para uma eleição contestada.
“Se houver uma crise, acontecimentos se desdobrarão rapidamente, e líderes indescansáveis serão abordados para que tomem decisões subsequentes rapidamente”, afirma o relatório. “Pensar em opções agora ajudará a assegurar melhores decisões. Abordar isto como uma batalha política, não apenas como uma batalha legal. No caso de contestação eleitoral, a mobilização política sustentada será provavelmente crucial para assegurar a integridade da transição. Pessoal e recursos dedicados têm de estar a postos, pelo menos até ao final de janeiro.”
— Foco na preparação dos EUA, fornecendo apoio político para uma contagem completa e precisa. Os autores do relatório afirmam:
“Governadores, Secretários de Estado, Procuradores-Gerais e Legisladores podem comunicar e reforçar leis e normas e estar prontos para enfrentar irregularidades. Os oficiais eleitorais precisarão de apoio político e público para que levem o processo até à sua conclusão.”
— Atacar de frente as duas maiores ameaças: mentiras sobre “fraude eletoral” e a eclosão da violência.
“Fraude eleitoral será praticamente inexistente”, afirma o relatório, “mas Trump mente a respeito disso para criar uma narrativa concebida para mobilizar politicamente a sua base e para criar motivos para contestar os resultados caso ele perca. O potencial de conflitos violentos é alto, particularmente porque que Trump encorajará seus apoiadores a pegar em armas.”
— Prever uma difícil transição administrativa. De acordo com o relatório:
“As equipes de transição terão provavelmente de fazer duas coisas simultaneamente: defender-se contra as ações negligentes de Trump na sua saída do cargo; e encontrar soluções criativas para assegurar que as equipes que estiverem entrando possam ter acesso à informação e aos recursos de que necessitam para começar a preparar-se para governar.”
Muitos meios de comunicação esquerdistas apoiaram as declarações do Transition Integrity Project e publicaram uma série de entrevistas sobre os “jogos de guerra” levados a cabo pelo grupo. Os principais canais de televisão dos EUA também estão dando credibilidade à imagem do grupo e cedendo tempo no ar às suas posições. Al Gore, por exemplo, declarou abertamente ao vivo na Fox News que se Trump não sair da Casa Branca em janeiro de 2021, os militares então irão retirá-lo.

É bem verdade que um dos cenários dos exercícios conduzidos pelo grupo resultou numa vitória clara de Trump. Sendo assim, com que base haveria motivo para supor que os cidadãos americanos demonstrariam a sua resistência e a organizariam motins?

A despeito dessas contradições, e do fato de não haver qualquer menção à disposição da Constituição dos EUA sobre eleições presidenciais, que mostra claramente o mecanismo de reconhecimento do vencedor, é óbvio a partir do próprio relatório e da reação subsequente que a opinião pública está sendo programada nos EUA, e isto inclui alguns elementos: a inevitabilidade de conflitos civis em todo o país; a responsabilidade direta de Donald Trump na provocação dos mesmos; a necessidade de mobilização das massas; e uma intervenção militar a favor do adversário de Trump, ou seja, o representante do Partido Democrata dos EUA.

Estas ações, no mínimo, já estão rechaçando a prática da democracia eleitoral que, até agora, tem sido considerada como o fundamento das sociedades ocidentais do “Estado de direito”.
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