Segundo a Wikipédia “a Justiça é um conceito abstrato que se refere a um estado ideal de interação social em que há um equilíbrio, que por si só, deve ser razoável e imparcial entre os interesses, riquezas e oportunidades entre as pessoas envolvidas em determinado grupo social” e “a Igualdade é a inexistência de desvios ou incongruências sob determinado ponto de vista, entre dois ou mais elementos comparados, sejam objetos, indivíduos, ideias, conceitos ou quaisquer coisas que permitam que seja feita uma comparação”. Às vezes me pergunto algo como: “se toda justiça deve ser igual e imparcial, toda igualdade é justa?” e acabo levando em consideração diversos fatores como a economia, relações sociais, natureza do homem, os movimentos sociais, e etc. Pensei se seria possível existir uma sociedade que fosse igual e justa ao mesmo tempo, e cheguei à conclusão de que não acredito em igualdade, já que há implicações que acabam por tornar algumas coisas iguais na sociedade, porém elas acabam por não serem justas, da mesma forma que há implicações onde é possível a existência de justiça e igualdade, porém teriam de serem levados em conta diversos fatores.
Tal reflexão é bem complexa uma vez que podemos acabar confundindo o que é justo com o que é igual, por exemplo: tenho uma barra de chocolate e dois amigos, se eu dividir essa barra entre eu e meus amigos, podemos dizer que na situação em questão, somos iguais por termos cada um, um pedaço, mas isso seria justo? É a partir daí que entram as demais implicações, uma vez que se eu não dividisse o chocolate, seria justo pelo fato de que eu comprei o chocolate e, portanto o mesmo me pertence, o promoveria uma desigualdade entre mim e meus amigos. Creio que por sermos complexos e imperfeitos, nós como seres humanos, somos incapazes de promover uma sociedade justa e igualitária devido ao número gigantesco de circunstâncias que acabamos considerando para fazer um julgamento, fora claro, as questões culturais, ideológicas daquela ou desta nação.
O fato de eu não acreditar na igualdade, se deve mais a como ela é vendida hoje em dia, do que um debate sério e bem estruturado do que seria igualdade e suas implicações, já que a forma que a igualdade é vista nos dias atuais (vou usar o nosso país nessa reflexão) está mais atrelado ao uma forma de “justiça social” (coloco aspas uma vez que a própria semântica desse termo é contraditória) que prevê que aqueles que conseguem o que querem através da meritocracia, devem pagar e bancar aqueles que não conseguiram o mesmo, uma vez que partem do pressuposto de que aqueles que conseguiram ser os bem sucedidos são sempre pessoas ricas, bem afortunadas e as que aqueles que não conseguiram o mesmo são pessoas pobres e oprimidas. A igualdade na forma que é aplicada hoje em dia visa dar mais recursos (seja financeiro ou legislativo) para as ditas “minorias” (mulheres, negros, pobres, entre outras classes que inventam) para que elas possam se equiparar com aqueles que seriam os ditos “privilegiados” (ricos, homens, brancos, héteros, etc), culpando e punindo os mesmo por sua situação de vida, como se no momento do nascimento essas pessoas já estivessem em um berço de ouro (e mesmo que tenham nascido em uma família mais bem sucedida, poderia significar que essa família se esforçou ao ponto de conseguirem o que queriam).
Nesse mesmo contexto temos os temas recorrentes como: reparação histórica, igualdade de salários, cotas raciais, entre outros, que tem como objetivo a chamada “justiça social e igualdade de direitos” (engraçado como os movimentos sociais amam brandar igualdade de direitos, mas nunca a palavra DEVERES aparece) que segundo a lógica atual (de origem marxista) é algo justo já que, aparentemente, as “minorias” são incapazes de obterem sucesso através da perseverança e esforço próprio. Não vou aqui dizer também que a meritocracia é sempre justa ou igual para todos, pois de fato ela não é e nunca será, mas devemos reconhecer que para termos uma sociedade igual, é necessário primeiro que todos sejam iguais em todos os âmbitos possíveis, o que por via de regra, iria promover uma eterna espiral de contradições, pois estaríamos ignorando (como já havia mencionado) as diversas circunstâncias as quais as pessoas passam e enfrentam (competição, pobreza, analfabetismo, origem, entre outros elementos) o que acaba ponde em questão o seguinte: “em uma sociedade qualquer, temos um pobre e um rico, e temos a ideia de que o rico geralmente sempre terá a melhor educação devido aos recursos que possui diferente do pobre que já não possui o mesmo, mas se o capacitarmos, ele não estaria em pé de igualdade com o rico na questão de conquistar algo? E isso não seria justo?”. Nessa questão podemos considerar fatores econômicos, e nas entre linhas, questões pessoais como a capacidade e a proatividade, pois sabemos que nada adianta dar incentivo, se esse mesmo não é aproveitado, e no fim, acabamos, mais uma vez, adentrando na espiral das infinitas possibilidades do que seria justo e igual baseando-se nas questões culturais, legislativas, ideológicas da sociedade em questão, sem sombra de dúvida, é muito difícil chegar a uma conclusão sem ser incoerente em algum momento.
Acredito que mesmo nessa nossa passagem neste mundo, não vamos conseguir chegar a uma conclusão perfeita, mas sim, uma que se aproxima mais da própria realidade da humanidade (que é a ideia de que se somos imperfeitos, devemos ao máximo, diminuir os riscos e inconsistências), alguns vão dizer que já chegaram a uma conclusão, mas provavelmente essas pessoas ou se agarraram a uma ideologia, ou preferem acreditar em um poder maior (meu caso, no que consta a espiritualidade e não esse mundo, pois nesse mundo eu não tenho conclusões, apenas de que um dia vou morrer), ou talvez se guiam pelas leis e valores vigentes, mas tudo que podemos fazer, como eu já havia mencionado, é tentar reconhecer que não somos perfeitos, portanto tudo que vem de nós não será perfeito, e procurarmos amenizar o que acreditamos ser necessário no nosso cotidiano, partindo é claro, de iniciativa individual.
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