A fim de facilitar o entendimento, vou manter o texto curto porém condensado em questão de complexidade de informação.

Chamado de Argumento Ontológico, proposto originalmente por "Anselm" em 1077, o raciocínio propõe provar a existência de Deus a partir de seu próprio conceito. O resultado foi posteriormente críticas de seus contemporâneos, inclusives teístas e escolásticos posteriores, assim como reformulações do Argumento ao longo dos anos.

Utilizarei aqui o Argumento de Craig e de Anselm, pois os dois são bem parecidos, embora tenham leves mudanças.

Anselm afirma:

  1. Assume que Deus não existe.
  2. Deus é definido como "aquilo/aquele do qual não se pode conceber nada maior/melhor".
  3. "Aquilo do qual não se pode conceber nada maior", não deve, pois, existir (de 1 & 2).
  4. "Aquilo do qual não se pode conceber nada maior" existe somente na imaginação, não na realidade (de 2 & 3).
  5. Se "aquilo do qual não se pode conceber nada maior" existisse na realidade e também na imaginação, seria ainda "maior/melhor" (qualitativo).
  6. Mas isso significaria que "aquilo do qual não se pode conceber nada maior" não é "aquilo do qual não se pode conceber nada maior".
  7. "Aquilo do qual não se pode conceber nada maior" deve existir na imaginação e também existir na realidade para que seja a maior/melhor coisa concebível.
  8. Isso significa que "Deus" existe e não existe (de 1 & 7).
  9. Premissa 1 não pode ser verdadeira (reductio ad absurdum).
  10. Deus existe.
(traduzido)

Versão de Craig:

  1. É possível que um ser último/máximo (Deus) exista.
  2. Se é possível que um ser último exista, então um ser último existe em algum mundo possível.
  3. Se um ser último existe em algum mundo possível, então ele existe em qualquer mundo possível.
  4. Se um ser último existe qualquer mundo possível, então ele existe no mundo atual.
  5. Portanto, um ser último existe no mundo atual.
  6. Por conseguinte, um ser último existe.
  7. Logo, Deus existe.
(traduzido)


Agora vamos às críticas, que variam desde problemas de construção argumentativa até mesmo à falta de clarificação de conceitos.

1- O principal problema do argumento, que considero o pior de todos, tange à utilização de Existência como qualidade/predicado. Em outras palavras, descrever a qualidade de Deus como existir sendo essa qualidade.

Se você já estudou gramática, provavelmente lembra do significado de predicado: algo que se diz/declara de um sujeito. E é aí que chegamos ao problema: predicado é posterior à existência, pois esta é necessária para que algo tenha qualquer qualidade.

Formula-se, portanto, um argumento circular ao você dizer que Deus existe pois a característica de Deus é existir. É o famoso "Deus existe por definição pois sua definição é existir".

2- A segunda falha é a presunção de que seres podem criar/conceber seres. Não fica EXPLÍCITO no argumento, porém se você olhar especialmente para o argumento de Anselm, há uma noção em duas premissas diferentes (de 2 & 7), que descreve o significado da palavra DEUS com duas conotações diferentes. Na segunda você vê Deus CONCEITO, e na sétima, um salto para a utilização de SER. Mentes humanas não produzem seres, apenas conceitos, portanto a própria noção de utilizar um conceito para provar algo é absurda, pois presume-se que você prove que algo existe, para então formular seu conceito.

3- Por último, podemos apontar uma falha da composição no argumento de Craig. A quem não está familiarizado com o termo, falha da composição envolve um erro na construção de um argumento lógico, no qual assume-se que uma parte resume o todo ou vice-versa. Um exemplo bem fácil pode ser notado na frase: O jogador A tem herpes, logo, todos do time também têm a doença. Note que uma parte nem sempre pode ser aplicada ao todo.

Craig comete esse erro quando assume que em TODOS (suas palavras) universos possíveis, existe um ser último (Deus), logo, no nosso, também há. Não há nenhuma prova de que há outros universos possíveis, muito menos de que neles as condições seriam as mesmas que possuímos no nosso. Classifica-se então, como uma falácia da composição.

Ressalto que essas são críticas rasas. O argumento é alvo de MUITAS outras, envolvendo principalmente o seu raciocínio circular, que tenta descrever a existência de algo que sequer foi provado, presumindo assim que ela exista.

Fontes:

Amazon product https://rationalwiki.org/wiki/Ontological_argument (site do qual foram traduzidos os argumentos postados neste artigo).