Lembro-me que essa palavra “Machismo” não era tão popular assim, foram raras as vezes que a ouvi, e quando a ouvia, a mesma sempre era dita em um contexto negativo, sempre usada como xingamento contra certas atitudes masculinas que eram desagradáveis às mulheres. Essa palavra se tronou mais popular com o crescimento do que seria conhecido como “3° Onda Feminista” (apesar da palavra já ter sido utilizada na década de 60, onde o termo era “chauvinismo masculino”), e na minha época, testemunhei como tal palavra era utilizada para demonizar os homens, onde atitudes que podem ser consideradas inofensivas, ou até mesmo irrelevantes para o contexto onde elas eram praticadas, foram pouco a pouco criticadas e talvez algum dia, criminalizadas.
Não estou aqui dizendo que apoio que homens façam o que bem quiserem com as mulheres, mas há coisas que simplesmente não fazem sentido. Primeiro: se machismo é ruim, por que homens que tomam atitudes nobres (segundo os valores de nossa sociedade) como, se arriscar por uma mulher, ser um cavalheiro, é considerado igualmente machista se comparar com homens que agridem, violam e profanam mulheres? Por que a masculinidade é sempre retratada como algo a ser corrigido e adestrado, enquanto atitudes femininas passam impunes? Será que homens por natureza são tão maus assim, e apenas a intervenção feminina poderia salvá-los?
Em minha reflexão sobre a palavra “machismo”, eu posso concluir que ela não só é apenas uma palavra para descrever ações comuns, como não faz o menor sentido utilizá-la de forma pejorativa. Explicarei o por que. Sabemos que no amanhecer da humanidade, em tempos onde os papéis naturais dos seres vivos eram necessários para a sobrevivência, percebemos que os homens até então, se arriscavam constantemente para o bem da comunidade que faziam parte, eram eles os caçadores, os inventores, os trabalhadores, os guerreiros, os pais, os líderes, etc. De uma forma ou de outra, os homens são os responsáveis pela forma como o mundo é hoje, pois grande parte do tempo eram eles que estavam dispostos a se sacrificarem por um bem maior, algo que poderia trazer progressos para a sua comunidade e/ou família. Não devemos esquecer também de como os homens ao longo dos tempos, foram responsáveis pelos maiores massacres, genocídios, matanças, entre outras coisas, que inclusive só foram interrompidas por outros homens, que com senso de justiça lutaram contra esses atos, ou pelo menos, o amenizaram. Portanto a masculinidade deveria ser algo ruim? Será que o fato de existirem homens que praticam os atos mais vis contra o próximo, são maus pelo simples fato de serem homens? Será que a individualidade e natureza daquele indivíduo não conta? Para o feminismo parece que não.
A palavra “Machismo” tem como seu primeiro significado “qualidade, ação ou modos de macho”, deixando a entender que são valores mais biológicos do que sociais, já os demais significados se referem a “comportamento que tende a negar à mulher a extensão de prerrogativas ou direitos do homem”, dizendo que os homens impedem as mulheres de terem liberdades e direitos, e, portanto as oprimem por isso. Mas quando olhamos para as estatísticas, para a história, e a nossa própria cultura ocidental, vemos que ao chamar algum homem de machista, quando este mesmo diz algo ou faz algo que contrarie ou de alguma forma, ofenda as vontades femininas, percebemos que as peças não se encaixam, pois, no mundo atual, não existe ser mais privilegiado do que a mulher ocidental (se contar os países de 1° mundo então...), pois elas desfrutam de um aparato jurídico e cultural enorme que sempre irá ajudá-la caso a mesma necessite ou demande, não mencionando que são os próprios homens na política que acabam por aprovar leis que beneficiem as mulheres (cota para mulheres na política, por exemplo).
Um questionamento que me fiz em relação ao primeiro significado da palavra que é tema central deste texto, foi: “O que seria considerado ‘atitude de macho’ na cultura base? E isso seria ruim?”. A resposta a qual cheguei foi que, na cultura ocidental (que tem como base moral o cristianismo) as ditas “atitudes de macho” seriam exatamente o sacrifico masculino pela comunidade, uma vez que os homens são estatisticamente a maioria dos acidentados nos trabalhos, as maiores vítimas de crimes violentos (agressão, homicídio) e são os que compõem a maioria do que trabalham em serviços insalubres e periculosos (bombeiros, policiais, eletricistas, pedreiros, mineradores, etc.), e apesar disso tudo, podemos dizer que conseguimos viver com conforto se levar em consideração que são os homens que fazem a manutenção da sociedade. Dizem que o homem é ensinado a esconder seus sentimentos, a se reafirmar como viril e másculo, a ser o pegador, entre outras coisas, quando muitas vezes esses mesmos homens acabam aprendendo sozinhos a serem assim, pois é comum um homem ser ridicularizado quando mostra seus sentimentos, e sempre recebe validação feminina quando se reafirma como viril/másculo e experiente. Grande parte do tempo, o fato de ser um homem na nossa sociedade, muitas vezes está atrelado à validação feminina, ao que as mulheres querem em um homem, mas o que seria ser um homem segundo os próprios homens? Ao longo do tempo, as sociedades definiram o que seria considerado um homem de verdade segundo as circunstâncias da época, e as mulheres e feministas fazem o mesmo até hoje, mas o que significa ser um homem segundo o próprio indivíduo? Não estou aqui dizendo que existe uma fórmula de masculinidade para todos, estou simplesmente questionando o porquê precisamos de terceiros para responder uma pergunta que só nós podemos responder, e que talvez, ser verdadeiro consigo é mais importante do que está certo segundo a sociedade natural. Não confio na lábia de feministas, uma vez que elas bradam palavras doces e bonitas, ao mesmo tempo em que suas atitudes são as mais espúrias e hipócritas possíveis. Digo aqui que ser machista segundo a idéia feminista é algo subjetivo, uma vez que pode significar tudo e nada ao mesmo tempo, dependendo da vontade de que fala, e que devemos nos perguntar o seguinte: “Quero ser o homem que o mundo quer que eu seja, ou ser um homem que eu mesmo julgue correto?”.