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#Economia Geral da Economia - Ibov 100k

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A academia e o mercado está errado e só os austríacos estão certos? Cara, eu gosto pra ******* da escola austríaca, mas achar que todos eles são o crème de la crème da economia/seja lá o que for é ingênuo, não é possível que todo mundo esteja contra eles.
Na minha opinião, os austríacos não compreendem bem o funcionamento da sociedade real, eles tem uma visão muito boa de como seria sem a interferência do estado, mas são inúmeras interferências que só a maior liberalização não vai gerar melhorias necessariamente; Veja, quando retiraram a glass-steagall lá pelos anos 1999, se houvesse a separação entre banco comercial e banco de investimento a crise de 2008 teria sido muito menor.
 
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Na minha opinião, os austríacos não compreendem bem o funcionamento da sociedade real, eles tem uma visão muito boa de como seria sem a interferência do estado, mas são inúmeras interferências que só a maior liberalização não vai gerar melhorias necessariamente; Veja, quando retiraram a glass-steagall lá pelos anos 1999, se houvesse a separação entre banco comercial e banco de investimento a crise de 2008 teria sido muito menor.
Austriacos não são contra regulamentação bancária em um mercado com BC's e reservas fracionarias. Na verdade eles pedem por mais regulamentações, ao contrário do que se esperaria de um liberal
 
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Austriacos não são contra regulamentação bancária em um mercado com BC's e reservas fracionarias. Na verdade eles pedem por mais regulamentações, ao contrário do que se esperaria de um liberal
Não foi o que eu li nos artigos do mises, que solucionavam com abolição do BC e reservas fracionárias. Talvez eu tenha lido de algum autor mais ancap, pode me mandar sobre? Porque a verdade é que querendo ou não o estado vai existir e interferir na economia, o melhor é se entender os efeitos das interferências pra se ter o caminho com menores externalidades.
 
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Não foi o que eu li nos artigos do mises, que solucionavam com abolição do BC e reservas fracionárias. Talvez eu tenha lido de algum autor mais ancap, pode me mandar sobre? Porque a verdade é que querendo ou não o estado vai existir e interferir na economia, o melhor é se entender os efeitos das interferências pra se ter o resultado esperado com menores externalidades.
Então, no modelo atual onde os bancos podem alavancar e tem um BC para reduzir o risco moral, eles dizem que as regras de basileia atual são insuficientes e inócuas, e deveriam se voltar ao modelo austríaco.. Porem, como isso não é possível no mundo atual, regulamentações são meritórias, elas diminuem o risco de alavancagem, fazem os bancos ter fundos para evitar quebras.. Tirar toda a regulamentação no modelo atual é suicidio..

Imagine o sistema bancário atual sem as regras de basileia....
 
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Para existir uma '''meritocracia'' em um mercado o processo de falencia precisa funcionar.. Se você é salvo, como você vai disciplinar os sujeitos que erram?
Nenhum CEO é infalível. Nenhuma empresa privada, mesmo em um mercado sobre concorrencia, é infalível.

Taklvez houvesse mais austriacos em chefia de bancos se eles quebrassem de fato
Mas o Banco precisa ser salvo, o povo não pode pagar pelos erros de um CEO irresponsável que brinca de alavancagem e risco com o dinheiro dos outros. O CEO tem que falir, não pode existir essa assimetria. Agora, na época acho que talvez até os bancos poderiam ser estatizados temporariamente ou algo do tipo, os CEOS demitidos e condenados/falidos e o dinheiro do povo salvo, até porque eram bancos normais que depois da queda do glass act viraram bancos de investimento também(Falir banco de investimento é completamente diferente de falência de banco comercial).
 

Pinochet

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Uma coisa é prever crises outra é prever o timig exato da crise..
A melhor ferramenta para prever crises nos EUA é a inversão da curva de juros.. Entre 6 meses e 3 anos, quando ela se inverte, ocorre uma crise.
Só que bolsas de valores antecedem suas quedas geralmente bem antes. Entrando em Bear market
Se era uma ferramenta para ganhar dinheiro que você queria, ai está uma

Peter Schiff, um austríaco. Ganhou uma boa grana prevendo a crise de 2008
sem tirar o mérito do peter schiff, ele prevê uma crise futura a todo momento

previu uma hiperinflação no pós-crise e agora todos os dias ele crê em uma nova crise

os austríacos são muito mais dogmáticos do que pragmáticos e acabam tendo uma visão pessimista de qualquer cenário possível

em termos de sistema financeiro, os austríacos se dividem em duas correntes: uns defendem a volta do padrão-ouro com reservas de 100%, enquanto outros defendem um sistema de free banking, com moedas privadas e autorregulação

começa aí o desprezo acadêmico pela escola austríaca ao propor para o cerne da economia medidas utópicas

a escola austríaca se tornou popular porque ela é extremamente acessível para não-economistas

no lugar de modelos matemáticos e discussões técnicas, a escola austríaca transforma a economia quase que em filosofia

eu gosto de muito do que autores austríacos (hayek principalmente) escreveram, mas o fantástico mundo da economia política libertária só serve dentro dos livros mesmo

os austríacos não têm skin in the game

esse é o maior problema
 

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sem tirar o mérito do peter schiff, ele prevê uma crise futura a todo momento

previu uma hiperinflação no pós-crise e agora todos os dias ele crê em uma nova crise

os austríacos são muito mais dogmáticos do que pragmáticos e acabam tendo uma visão pessimista de qualquer cenário possível

em termos de sistema financeiro, os austríacos se dividem em duas correntes: uns defendem a volta do padrão-ouro com reservas de 100%, enquanto outros defendem um sistema de free banking, com moedas privadas e autorregulação

começa aí o desprezo acadêmico pela escola austríaca ao propor para o cerne da economia medidas utópicas

a escola austríaca se tornou popular porque ela é extremamente acessível para não-economistas

no lugar de modelos matemáticos e discussões técnicas, a escola austríaca transforma a economia quase que em filosofia

eu gosto de muito do que autores austríacos (hayek principalmente) escreveram, mas o fantástico mundo da economia política libertária só serve dentro dos livros mesmo

os austríacos não têm skin in the game

esse é o maior problema
Cocê não precisa mais esperar pela hiperinflação; ela está ocorrendo há tempos. É só ver como o Fed expandiu a base monetária da economia americana, que foi de US$640 bilhões para trilhões. Isso é hiperinflação. A questão é que todo este dinheiro ainda está represado na forma de reservas bancárias voluntariamente depositadas junto ao Fed. Toda vez que o FED sobe os Juros, ele paga aos bancos para que eles manteham suas reservas depositadas junto a eles.
Se esse dinheiro começar a entrar na economia, o dolar vira pó. Por isso o fed esta em uma sinuca de bico. Ele não pode subir muito os juros. Se ele fizer isso, o lucro operacional que ele repassa ao tesouro diminui, o deficit americano sobe (como alias, já esta acontecendo)..
Não é função de um economista razoavelmente sério ficar fazendo adivinhações sobre quando tal mudança de comportamento irá ocorrer.
Também é previsão austríaca que ele não vai subir muito mais os juros. A cada ciclo ele tem uma posição mais expansionista...

Sobre ele prever uma crise agora. Atualmente até o mainstrem está prevendo uma.. É um dos raros casos de consenso entre as escolas
 
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Há quem diga que o FED está insolvente. Quebrado. Pq ele tenta controlar inflação subindo os juros, e toda vez que ele faz isso ele tem de aumentar o montante que ele paga sobre as reservas

 
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Até o miltão , por puro empirismo, percebeu que bancos centrais geram mais problemas do que arrumam

 

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Sobre ser uma ''utopia''..

Um sistema monetário mais concorrencial que o atual existe no panamá.. Apesar de ainda existir reservas fracionárias. Não tem uma uma moeda oficial do país. Isso gera concorrencia aos bancos.. Você pode usar o dólar ou o Euro.. Panamá também não tem um banco central.

Ele não vive uma crise financeira faz muito tempo.

Não é questão de utopia ou impossibilidade política. É muito mais culpa dos economistas e da academia
 
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Não há um Banco Central no Panamá


Em nosso atual arranjo monetário pós-Bretton Woods, dominado por políticas monetárias inflacionistas conduzidas coordenadamente pelos principais bancos centrais mundiais, muitas pessoas normalmente simpáticas a todos os argumentos contrários à existência de bancos centrais ainda assim acreditam que a eliminação destas instituições centralizadoras é algo impraticável, um sonho utópico.
Para um exemplo prático e real de um sistema cuja política monetária é aquela escolhida pelo mercado, sem o comando de um banco central, não é preciso olhar para o passado; o exemplo existe atualmente na América Central, na República do Panamá, um país que, desde sua independência em 1903, não possui um banco central, e que, não obstante (ou por causa disso), usufrui um ambiente macroeconômico estável e bastante exitoso.
A ausência de um banco central no Panamá faz com que a oferta monetária do país seja completamente determinada pelo mercado. Neste caso, o mercado do Panamá escolheu o dólar americano como sua moeda de fato. Para comprar ou obter dólares, o país tem de produzir ou exportar bens e serviços; o governo não tem como criar dinheiro do nada. Desta forma, o sistema é um tanto similar ao velho padrão-ouro. Desde 1984, a inflação média anual tem sido de 1%.
A inflação de preços panamenha normalmente é de 1 a 3 pontos percentuais menor que a inflação americana; ela é causada majoritariamente pelo efeito gerado pelo Federal Reserve (o Banco Central americano) sobre os preços mundiais. Este sistema conduzido pelo mercado criou um ambiente macroeconômico extremamente estável. O Panamá é o único país da América Latina que nunca vivenciou um colapso financeiro ou uma crise monetária desde sua independência.

Inflação de preços ao consumidor no Panamá (Fonte: FMI)
chart (1).png
Assim como a maioria dos países das Américas, a moeda do Panamá no século XIX era baseada no ouro e na prata, com uma variedade de moedas metálicas de prata e cédulas de papel lastreadas em ouro em circulação. O Peso Prata (do México) era a moeda que havia sido escolhida. No entanto, por causa da ferrovia ístmica — a primeira ferrovia a ligar o Atlântico ao Pacífico —, que fora construída por uma empresa americana em 1855, o dólar americano também circulava parcialmente no país.
O Panamá originalmente se tornou independente da Espanha em 1821, mas foi integrado à Grande Colômbia. Sendo um país pequeno, ele não conseguiu se separar da Colômbia, como haviam conseguido a Venezuela e o Equador. Em 1886, o governo colombiano publicou vários decretos forçando a aceitação de cédulas de papel produzidas pelo governo central. A economia do Panamá, que era aberta e baseada no transporte e no comércio, claramente não tinha como se beneficiar deste arranjo imposto. Um editorial do principal jornal do país, datado de 1886, declarou o seguinte:

Não há nenhum país no globo, certamente nenhum centro comercial, em que a introdução de uma moeda de papel irredimível e sem lastro traria consequências mais desastrosas que no Panamá. Tudo o que nós consumimos é importado. Não temos nenhum produto para ser exportado, de modo que a única coisa que podemos mandar para fora em troca de nossas importações é dinheiro.
Em 1903, o país se tornou independente, apoiado pelos EUA por causa do interesse americano na construção de um Canal atravessando o Panamá. Os cidadãos do novo país, ainda receoso do experimento de 1886 com as cédulas de papel colombianas, decidiram incluir o artigo 114 na Constituição de 1904 dizendo que,
Nenhum dinheiro de papel será imposto como a moeda oficial da República. Portanto, qualquer indivíduo pode rejeitar qualquer cédula que ele porventura considere indigna de confiança.
Com este artigo, qualquer moeda em circulação seria gerenciada pelo mercado e não seria de curso forçado. No entanto, ainda em 1904, o governo do Panamá assinou um acordo monetário permitindo que o dólar americano se tornasse moeda corrente e fosse de curso forçado. De início, os panamenhos não aceitaram o dólar; eles não confiavam na moeda americana, preferindo continuar utilizando o Peso Prata. A Lei de Gresham, no entanto, se encarregou de tirar as moedas de prata de circulação.[1][2]
Em 1971, o governo aprovou uma lei abrindo e liberalizando o sistema bancário. Não haveria nenhuma agência governamental supervisionando o setor, e nenhum imposto poderia ser cobrado sobre juros ou transações originadas no sistema financeiro. O número de bancos pulou de 23 em 1970 para 125 em 1983, a maioria deles formada por bancos estrangeiros. Esta lei bancária estimulou empréstimos internacionais e, em decorrência de o Panamá ter um sistema tributário restrito apenas ao seu território, os lucros obtidos com transações ou empréstimos feitos no exterior são isentos.
Isto, em conjunto com a presença de numerosos bancos estrangeiros, gerou uma total integração internacional do sistema. Ao contrário de outros países da América Latina, o Panamá não possui controle de capitais. Sendo assim, quando o capital internacional porventura decide inundar o sistema bancário panamenho, os bancos emprestam este excesso de capital aos mercados estrangeiros, evitando assim os corriqueiros desequilíbrios e a alta inflação que outros países vivenciam quando também recebem volumosos influxos de capital.
A política fiscal tem pouco espaço para manobras, dado que o Tesouro não pode contar com um Banco Central para monetizar seus déficits. Sendo assim, a política fiscal não influencia a oferta monetária; se o governo tentar aumentar a quantidade de dinheiro na economia durante uma recessão vendendo títulos no mercado internacional e trazendo o dinheiro arrecadado para a economia panamenha, os bancos irão contrabalançar esta medida pegando este dinheiro adicional e o enviando para o estrangeiro na forma de empréstimos (que, como dito, não são tributáveis). Logo, não haverá alterações significativas na oferta monetária.
Adicionalmente — e ao contrário do que ocorre nas economias cujos sistemas bancários são controlados por bancos centrais —, os bancos do Panamá não têm como combinar uma expansão coordenada da oferta monetária via reservas fracionárias, pois, como mencionado acima, o número de bancos é enorme, e a concorrência entre eles é forte. Ademais, por não existir um banco central, não há como socorrer aqueles bancos que expandirem excessivamente o crédito sem terem uma quantidade minimamente segura de dinheiro guardado em seus cofres. Pânicos e corridas bancárias, muito comuns no sistema bancário americano durante todo o século XIX, nunca ocorreram no Panamá. As eventuais quebras bancárias que já ocorreram não se espalharam para outros bancos. Vários bancos que passaram por problemas foram comprados — antes que ocorresse qualquer corrida bancária — por bancos maiores, atraídos pelos lucros possibilitados por esta obtenção de ativos a preços reduzidos.
Como não há seguros federais para depósitos bancários e nem um emprestador de última instância para socorrer os bancos, todo o sistema bancário tem de atuar de maneira bastante responsável. Qualquer empréstimo ruim que resulte em calote será pago pelos acionistas do banco; ninguém irá socorrer os bancos que fizerem trapalhadas e entrarem em apuros.
No entanto, este sistema não é imune a ciclos econômicos — afinal, o sistema bancário ainda tem liberdade para expandir o crédito artificialmente via reservas fracionárias, o que gera períodos de euforia econômica que resultam em um acúmulo de investimentos insustentáveis. Porém, o período de correção dos ciclos econômicos é muito mais eficiente no sistema panamenho. Após o período de euforia gerado pela expansão artificial do crédito, o que gera um acúmulo de investimentos insustentáveis, os próprios bancos dão início ao processo de inevitável liquidação dos empréstimos ruins. Como não há um banco central para intervir e prolongar a expansão artificial do crédito, a recessão começa sem nenhuma obstrução criada por políticas monetárias contracíclicas. Os bancos simplesmente são forçados pelas próprias leis de mercado a criar a contração creditícia necessária para pôr fim à euforia e, com isso, corrigir os desequilíbrios gerados na estrutura de produção da economia — caso não o fizessem, sua própria solvência estaria em risco. As recessões no Panamá geralmente resultam em inflação de preços praticamente nula, o que alivia o fardo dos consumidores e facilita o processo de recuperação ao reduzir os custos de produção.
O único fato que atrapalha os processos de correção é a lei do salário mínimo, que não permite a flexibilização para baixo dos salários, o que faz com que as recessões sejam mais longas do que o necessário. Não obstante, as recessões ocorrem sem absolutamente nenhuma das terríveis consequências que os economistas keynesianos afirmam que haverá caso não seja adotada uma política monetária expansionista para amenizar a recessão.
Portanto, aquelas pessoas que dizem que a abolição do banco central é algo utópico e impraticável devem apenas olhar para o ambiente macroeconômico do Panamá — o qual tem sido auspicioso há mais de 100 anos — para constatar que, de fato, a abolição não apenas é algo possível, como na realidade é algo extremamente benéfico. Claramente, a ausência de uma moeda de papel controlada pelo governo nacional, a inexistência de um banco central, e uma inflação de preços desprezível estão funcionando muito bem neste pequeno país. Quem pode argumentar que estas mesmas políticas não funcionariam em economias maiores?
 

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Para não dizer que apenas os austríacos preveem crises. Os que ajudam criar ela também preveem

"Para combater esta recessão, o Fed [tem de estimular] os gastos dos consumidores para contrabalançar o moribundo investimento das empresas. E para fazer isso (...) Alan Greenspan tem de criar uma bolha imobiliária para substituir a bolha da Nasdaq." — Paul Krugman,

 
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Não há um Banco Central no Panamá


Em nosso atual arranjo monetário pós-Bretton Woods, dominado por políticas monetárias inflacionistas conduzidas coordenadamente pelos principais bancos centrais mundiais, muitas pessoas normalmente simpáticas a todos os argumentos contrários à existência de bancos centrais ainda assim acreditam que a eliminação destas instituições centralizadoras é algo impraticável, um sonho utópico.
Para um exemplo prático e real de um sistema cuja política monetária é aquela escolhida pelo mercado, sem o comando de um banco central, não é preciso olhar para o passado; o exemplo existe atualmente na América Central, na República do Panamá, um país que, desde sua independência em 1903, não possui um banco central, e que, não obstante (ou por causa disso), usufrui um ambiente macroeconômico estável e bastante exitoso.
A ausência de um banco central no Panamá faz com que a oferta monetária do país seja completamente determinada pelo mercado. Neste caso, o mercado do Panamá escolheu o dólar americano como sua moeda de fato. Para comprar ou obter dólares, o país tem de produzir ou exportar bens e serviços; o governo não tem como criar dinheiro do nada. Desta forma, o sistema é um tanto similar ao velho padrão-ouro. Desde 1984, a inflação média anual tem sido de 1%.
A inflação de preços panamenha normalmente é de 1 a 3 pontos percentuais menor que a inflação americana; ela é causada majoritariamente pelo efeito gerado pelo Federal Reserve (o Banco Central americano) sobre os preços mundiais. Este sistema conduzido pelo mercado criou um ambiente macroeconômico extremamente estável. O Panamá é o único país da América Latina que nunca vivenciou um colapso financeiro ou uma crise monetária desde sua independência.

Inflação de preços ao consumidor no Panamá (Fonte: FMI)

chart (1).png

Assim como a maioria dos países das Américas, a moeda do Panamá no século XIX era baseada no ouro e na prata, com uma variedade de moedas metálicas de prata e cédulas de papel lastreadas em ouro em circulação. O Peso Prata (do México) era a moeda que havia sido escolhida. No entanto, por causa da ferrovia ístmica — a primeira ferrovia a ligar o Atlântico ao Pacífico —, que fora construída por uma empresa americana em 1855, o dólar americano também circulava parcialmente no país.
O Panamá originalmente se tornou independente da Espanha em 1821, mas foi integrado à Grande Colômbia. Sendo um país pequeno, ele não conseguiu se separar da Colômbia, como haviam conseguido a Venezuela e o Equador. Em 1886, o governo colombiano publicou vários decretos forçando a aceitação de cédulas de papel produzidas pelo governo central. A economia do Panamá, que era aberta e baseada no transporte e no comércio, claramente não tinha como se beneficiar deste arranjo imposto. Um editorial do principal jornal do país, datado de 1886, declarou o seguinte:

Em 1903, o país se tornou independente, apoiado pelos EUA por causa do interesse americano na construção de um Canal atravessando o Panamá. Os cidadãos do novo país, ainda receoso do experimento de 1886 com as cédulas de papel colombianas, decidiram incluir o artigo 114 na Constituição de 1904 dizendo que,

Com este artigo, qualquer moeda em circulação seria gerenciada pelo mercado e não seria de curso forçado. No entanto, ainda em 1904, o governo do Panamá assinou um acordo monetário permitindo que o dólar americano se tornasse moeda corrente e fosse de curso forçado. De início, os panamenhos não aceitaram o dólar; eles não confiavam na moeda americana, preferindo continuar utilizando o Peso Prata. A Lei de Gresham, no entanto, se encarregou de tirar as moedas de prata de circulação.[1][2]
Em 1971, o governo aprovou uma lei abrindo e liberalizando o sistema bancário. Não haveria nenhuma agência governamental supervisionando o setor, e nenhum imposto poderia ser cobrado sobre juros ou transações originadas no sistema financeiro. O número de bancos pulou de 23 em 1970 para 125 em 1983, a maioria deles formada por bancos estrangeiros. Esta lei bancária estimulou empréstimos internacionais e, em decorrência de o Panamá ter um sistema tributário restrito apenas ao seu território, os lucros obtidos com transações ou empréstimos feitos no exterior são isentos.
Isto, em conjunto com a presença de numerosos bancos estrangeiros, gerou uma total integração internacional do sistema. Ao contrário de outros países da América Latina, o Panamá não possui controle de capitais. Sendo assim, quando o capital internacional porventura decide inundar o sistema bancário panamenho, os bancos emprestam este excesso de capital aos mercados estrangeiros, evitando assim os corriqueiros desequilíbrios e a alta inflação que outros países vivenciam quando também recebem volumosos influxos de capital.
A política fiscal tem pouco espaço para manobras, dado que o Tesouro não pode contar com um Banco Central para monetizar seus déficits. Sendo assim, a política fiscal não influencia a oferta monetária; se o governo tentar aumentar a quantidade de dinheiro na economia durante uma recessão vendendo títulos no mercado internacional e trazendo o dinheiro arrecadado para a economia panamenha, os bancos irão contrabalançar esta medida pegando este dinheiro adicional e o enviando para o estrangeiro na forma de empréstimos (que, como dito, não são tributáveis). Logo, não haverá alterações significativas na oferta monetária.
Adicionalmente — e ao contrário do que ocorre nas economias cujos sistemas bancários são controlados por bancos centrais —, os bancos do Panamá não têm como combinar uma expansão coordenada da oferta monetária via reservas fracionárias, pois, como mencionado acima, o número de bancos é enorme, e a concorrência entre eles é forte. Ademais, por não existir um banco central, não há como socorrer aqueles bancos que expandirem excessivamente o crédito sem terem uma quantidade minimamente segura de dinheiro guardado em seus cofres. Pânicos e corridas bancárias, muito comuns no sistema bancário americano durante todo o século XIX, nunca ocorreram no Panamá. As eventuais quebras bancárias que já ocorreram não se espalharam para outros bancos. Vários bancos que passaram por problemas foram comprados — antes que ocorresse qualquer corrida bancária — por bancos maiores, atraídos pelos lucros possibilitados por esta obtenção de ativos a preços reduzidos.
Como não há seguros federais para depósitos bancários e nem um emprestador de última instância para socorrer os bancos, todo o sistema bancário tem de atuar de maneira bastante responsável. Qualquer empréstimo ruim que resulte em calote será pago pelos acionistas do banco; ninguém irá socorrer os bancos que fizerem trapalhadas e entrarem em apuros.
No entanto, este sistema não é imune a ciclos econômicos — afinal, o sistema bancário ainda tem liberdade para expandir o crédito artificialmente via reservas fracionárias, o que gera períodos de euforia econômica que resultam em um acúmulo de investimentos insustentáveis. Porém, o período de correção dos ciclos econômicos é muito mais eficiente no sistema panamenho. Após o período de euforia gerado pela expansão artificial do crédito, o que gera um acúmulo de investimentos insustentáveis, os próprios bancos dão início ao processo de inevitável liquidação dos empréstimos ruins. Como não há um banco central para intervir e prolongar a expansão artificial do crédito, a recessão começa sem nenhuma obstrução criada por políticas monetárias contracíclicas. Os bancos simplesmente são forçados pelas próprias leis de mercado a criar a contração creditícia necessária para pôr fim à euforia e, com isso, corrigir os desequilíbrios gerados na estrutura de produção da economia — caso não o fizessem, sua própria solvência estaria em risco. As recessões no Panamá geralmente resultam em inflação de preços praticamente nula, o que alivia o fardo dos consumidores e facilita o processo de recuperação ao reduzir os custos de produção.
O único fato que atrapalha os processos de correção é a lei do salário mínimo, que não permite a flexibilização para baixo dos salários, o que faz com que as recessões sejam mais longas do que o necessário. Não obstante, as recessões ocorrem sem absolutamente nenhuma das terríveis consequências que os economistas keynesianos afirmam que haverá caso não seja adotada uma política monetária expansionista para amenizar a recessão.
Portanto, aquelas pessoas que dizem que a abolição do banco central é algo utópico e impraticável devem apenas olhar para o ambiente macroeconômico do Panamá — o qual tem sido auspicioso há mais de 100 anos — para constatar que, de fato, a abolição não apenas é algo possível, como na realidade é algo extremamente benéfico. Claramente, a ausência de uma moeda de papel controlada pelo governo nacional, a inexistência de um banco central, e uma inflação de preços desprezível estão funcionando muito bem neste pequeno país. Quem pode argumentar que estas mesmas políticas não funcionariam em economias maiores?
Mas ainda existe um Banco central, fica nos EUA e a crise não foi sentida no setor financeiro, mas no setor real foi. Também não gosto dessas comparações de países pequenos porque a escala influencia sim na economia.
Veja, a Suíça tem um Bacen, mas conseguiu sair da crise relativamente fácil e é um dos países mais estáveis do mundo:


On October 16, the government and SNB outlined their aid plan: CHF6 billion ($6.09 billion) from the state to restore the bank's own funds and $54 billion from the central bank to allow UBS to transfer the illiquid securities into a special stability fund – a bad bank, while waiting for better times to sell them back. These securities were parked in a "special purpose vehicle" set up by the SNB in the Cayman Islands.


A questão é como o Bacen deve operar.
 
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Mas ainda existe um Banco central, fica nos EUA. Também não gosto dessas comparações de países pequenos porque a escala influencia sim na economia.
Veja, a Suíça tem um Bacen, mas conseguiu sair da crise relativamente fácil e é um dos países mais estáveis do mundo:


On October 16, the government and SNB outlined their aid plan: CHF6 billion ($6.09 billion) from the state to restore the bank's own funds and $54 billion from the central bank to allow UBS to transfer the illiquid securities into a special stability fund – a bad bank, while waiting for better times to sell them back. These securities were parked in a "special purpose vehicle" set up by the SNB in the Cayman Islands.


A questão é como o Bacen deve operar.
Existe concorrencia.. Se existir concorrencia ao BC ,e for um currency board, isso ajuda como um desincentivo a abusos
A suíça é uma anomalia política no mundo. Até o banco central deles é uma anomalia. Eles permitem que o franco se valorize.. Uma das moedas mais fortes do mundo e durante esse periodo eles permitiram uma valorização dele em relação ao Euro.. Gerando deflação de preços.. O que é uma heresia para muitos países..

Ela é uma dor de cabeça para quem diz que uma economia deve ter uma moeda fraca, que o cambio dele se desvalorizar, etc..
Algumas décadas atrás o franco suíço era conversível a uma taxa de 3 dolares e pouco, hoje o dolar vale centavos perto do franco (nem mesmo uma unidade)

Isso, para os austríacos, é um ganho de poder de compra constante
 
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Também, ao aumentar a liquidez, depois de uma crise, você pode fazer os números do PIB voltar... Mas, os investimentos insustentáveis que deveriam ser liquidados podem permanecer..

Você estaria apenas postergando essas falencias sistemicas.

É o que a china faz hoje quando ela nota uma desaceleração. Ela injeta mais crédito no sistema pq não quer sofrer uma reestruturação econômica. Quando você tem 1 bilhão de pessoas e um regime político fechado. Não é uma boa ideia ter desemprego
 
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Também, ao aumentar a liquidez, depois de uma crise, você pode fazer os números do PIB voltar... Mas, os investimentos insustentáveis que deveriam ser liquidados podem permanecer..

Você estaria apenas postergando essas falencias sistemicas.

É o que a china faz hoje quando ela nota uma desaceleração. Ela injeta mais crédito no sistema pq não quer sofrer uma reestruturação econômica. Quando você tem 1 bilhão de pessoas e um regime político fechado. Não é uma boa ideia ter desemprego
Tem que fazer em conjunto, a china só faz o aumento da liquidez porque não quer fechar as empresas dela por motivos que sabemos(Corporativismo, influência internacional, população etc), mesmo caso do Japão, que por motivos culturais se mantêm numa lentíssima reestruturação econômica que fez ele continuar por muito tempo em armadilha da liquidez, pode ter taxa de juros real maior que a nominal e política fiscal expansionista que for que realmente, sem reestruturação econômica, não resolve.
 

Pipoqueiro

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Tem que fazer em conjunto, a china só faz o aumento da liquidez porque não quer fechar as empresas dela por motivos que sabemos(Corporativismo, influência internacional, população etc), mesmo caso do Japão, que por motivos culturais se mantêm numa lentíssima reestruturação econômica que fez ele continuar por muito tempo em armadilha da liquidez, pode ter taxa de juros real maior que a nominal e política fiscal expansionista que for que realmente, sem reestruturação econômica, não resolve.
O japão vive em um sistema bancário zumbi, eles foram salvos, mas estão descapitalizados.. É uma das consequencias de se salvar bancos. Se deixar falir é ruim, salvar da forma que eles fizeram também é..
Então, eles só conseguem fazer emprestimos para alguns poucos, para o governo, etc.. Isso mantem a economia sem grandes investimentos..
Repare, austríacos não são contrários a expansão monetária, quando o Ouro era moeda,havia expansão da moeda.. Mas ocorria deflação de preços.. Deflação de preços é diferente de deflação monetária, embora possa ocorrer uma deflação de preços quando ocorre uma deflação monetária. Essa ultima é ruim e geralmente ocorre em épocas de falencias bancárias sobre sistemas de reservas fracionárias.. Não há como ocorrer uma deflação monetária em um sistema de reservas a 100%..
Deflaçãos monetárias só ocorrem no atual sistema. Quando um banco quebra, ele se desalavanca, e ocorre uma retração monetária na economia. Isso é extremamente recessivo. Então dai surgiu a noção que deflação é ruim em periodos de crise.
De fato é. Por que gera uma deflação da moeda, e por causa disso os preços caem, então se tem uma noção erronea que a queda de preços é algo ruim para a economia..

Pode ser, dependendo do regime político. No Brasil, como os salários dos funcionarios publicos nunca caem, uma deflação de preços, sem um aumento de produtividade para elevar salários, pode fazer o estado quebrar, pq os custos saláriais subiriam cada vez mais.

Porem, deflação de preços com aumento de produtividade e consequentemente aumento salárial, que foi o que os EUA viveu durante boa parte da sua história, não é negativo..
Ou as leis economicas mudam de acordo com a história.
 
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Pinochet

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Existe concorrencia.. Se existir concorrencia ao BC ,e for um currency board, isso ajuda como um desincentivo a abusos
A suíça é uma anomalia política no mundo. Até o banco central deles é uma anomalia. Eles permitem que o franco se valorize.. Uma das moedas mais fortes do mundo e durante esse periodo eles permitiram uma valorização dele em relação ao Euro.. Gerando deflação de preços.. O que é uma heresia para muitos países..

Ela é uma dor de cabeça para quem diz que uma economia deve ter uma moeda fraca, que o cambio dele se desvalorizar, etc..
Algumas décadas atrás o franco suíço era conversível a uma taxa de 3 dolares e pouco, hoje o dolar vale centavos perto do franco (nem mesmo uma unidade)

Isso, para os austríacos, é um ganho de poder de compra constante
o problema da deflação de preços (como austríacos dizem rs) é que ela costuma ser uma consequência de contração monetária

é um sinônimo de investimentos sendo liquidados em massa aka recessão

um cenário de crescimento econômico também é um cenário de crescimento de crédito e de demanda por insumos - e isso gera inflação, ainda que baixa

a alemanha pós-guerra é a prova cabal de que moeda fiduciária controlada por um banco central independente pode ter inflação controlada por décadas mesmo que essa moeda não seja o dólar



a inflação do marco se manteve bem controlada o tempo inteiro (salvo um pico no a virada das décadas de 40-50, que foi quando o marco foi implementado), mesmo com um estado inchado por conta da independência do bundesbank

e tudo isso foi feito por um velhinho simpático chamado ludwig erhard, discípulo de röpke, provavelmente o mais influenciado por mises fora da escola austríaca

o último livro austríaco que eu li há uns três anos, The Tragedy of the Euro, do Bagus, reconhece os esforços do bundesbank em manter o poder do marco

moeda fiduciária monopolista é a regra do jogo que não deve mudar tão cedo

culpar todos os problemas do mundo por isso é infantilidade
 

Pipoqueiro

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o problema da deflação de preços (como austríacos dizem rs) é que ela costuma ser uma consequência de contração monetária

é um sinônimo de investimentos sendo liquidados em massa aka recessão

um cenário de crescimento econômico também é um cenário de crescimento de crédito e de demanda por insumos - e isso gera inflação, ainda que baixa

a alemanha pós-guerra é a prova cabal de que moeda fiduciária controlada por um banco central independente pode ter inflação controlada por décadas mesmo que essa moeda não seja o dólar



a inflação do marco se manteve bem controlada o tempo inteiro (salvo um pico no a virada das décadas de 40-50, que foi quando o marco foi implementado), mesmo com um estado inchado por conta da independência do bundesbank

e tudo isso foi feito por um velhinho simpático chamado ludwig erhard, discípulo de röpke, provavelmente o mais influenciado por mises fora da escola austríaca

o último livro austríaco que eu li há uns três anos, The Tragedy of the Euro, do Bagus, reconhece os esforços do bundesbank em manter o poder do marco

moeda fiduciária monopolista é a regra do jogo que não deve mudar tão cedo

culpar todos os problemas do mundo por isso é infantilidade
Austriacos não discordam que a deflação de preços geradas por contração monetária por falencia bancária é ruim. .. É um sintoma da liquidação como você disse.. Acontece que existe confusão dessa deflação maléfica da deflação por produtividade. Atualmente alguns setores são tão produtivos que existe deflação setorial, como o setor de computador e informática..
Nunca no sistema de padrão ouro existiu contração monetária sem que ocorresse uma quebra bancária sobre reservas fracionarias. Porem, a base monetária permanecia, não tem como o Ouro fisico sumir.. Já se fosse com 100% De reservas, não haveria meios de a base monetaria contrair, somente se o ouro fosse mandado ao espaço a uma taxa maior do que ele é extraido da terra

Esse sistema com reservas fracionarias vigorou nos EUA por um tempo, e ainda ocorria ciclos economicos(os juros são afetados por ele). Mas o aumento da produtividade e consequentemente dos salários também ocorriam. As crises eram relativamente menos constantes que as de hoje e tinham uma duração menor, se o BC foi criado para evitar crises, o histórico não ajuda muito.. é evidente, os investimentos ruins tinham uma escala menor.. Uma das classicas é a crise dos mal investimentos em estradas ferro.. E também, se ciclos pudessem ocorrer em uma economia sobre 100% de reservas, ainda assim, a única coisa que poderiamos fazer é aceitar, pq não há sociedades humanas conhecidas totalmente estáveis, até o socialismo tinha instabilidades e ciclos..

Quando o otimismo com a economia aumenta, os bancos passam a conceder mais emprestimos, concordo absolutamente com você... Porem, tem de ver até que ponto esse crédito é lastreado em poupança real.. Uma taxa de poupança baixa, consumo do governo elevado, faz com que essas expansões de crédito tenham durações reduzidas e ocorram voos de galinha, como no Brasil..
Há uma forte relação no Brasil entre o PIB e a expansão da moeda.. O Leandro tem uma explicação boa em gráficos sobre o aumento dos depositos a vista e o PIB..

Não quero de forma alguma equiparar todos os bancos centrais do mundo.. Seria o mesmo que dizer que o Banco central da venezuela é igual ao da Europa, que mantem o Euro com inflação controlada.. Ainda assim, a crítica austríaca vai além da mero aumento de preços gerais.. Esse aumento de preços gerais pode esconder uma não-neutralidade da moeda e a inflação não precisa ocorrer de forma igual em todos os setores.. Por exemplo, o preço dos imóveis pode ocorrer de forma muito maior, por causa dos emprestimos, do que o preço dos computadores, que vivem deflação tecnológica.
A média geral de preços seria ''equilibrada'', mas a forma como isso afeta o poder de compra não..
 
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Pipoqueiro

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Estabilidade da moeda (e dos preços) vem de uma noção de neutralidade da moeda.. Só que não existe neutralidade da moeda. E isso até o Keynes concorda..

A moeda que entra na economia não afeta todos os setores(e seus preços) de forma igualitária..

Essa não-nautralidade da moeda também resulta em uma transferencia de renda dos ultimos da cadeia que receberam a moeda para os primeiros. Eleva os preços sobre a cadeia produtiva de forma desigual, dependendo de onde ela está entrando.

Mises explica que o setor industrial, por ser um setor que faz emprestimos muito mais vultuosos, tende a sofrer mais essa inflação dos preços.. Industria então vai fazer compra de óleo, minério de ferro, ligas de aço.

Se formos ver os preços desses itens na bolha de 2008. Eles foram inflados Muito acima da média de inflação.
 
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Xande

Xande

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Ver o anexo 38453

Estabilidade da moeda (e dos preços) vem de uma noção de neutralidade da moeda.. Só que não existe neutralidade da moeda. E isso até o Keynes concorda..

A moeda que entra na economia não afeta todos os setores(e seus preços) de forma igualitária..

Essa não-nautralidade da moeda também resulta em uma transferencia de renda dos ultimos da cadeia que receberam a moeda para os primeiros. Eleva os preços sobre a cadeia produtiva de forma desigual, dependendo de onde ela está entrando.

Mises explica que o setor industrial, por ser um setor que faz emprestimos muito mais vultuosos, tende a sofrer mais essa inflação dos preços.. Industria então vai fazer compra de óleo, minério de ferro, ligas de aço.

Se formos ver os preços desses itens na bolha de 2008. Eles foram inflados Muito acima da média de inflação.
Finalmente chegou no ponto da discussão econômica de hoje, a neutralidade da moeda no longo prazo, existem estudos econométricos que provam a existência, mas obviamente são falseáveis.

Se puder mandar artigos que comprovem a não neutralidade mande, mas tem que ser científico, nada de mises.org beleza? (Sem menosprezar, claro)
 

Pipoqueiro

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Finalmente chegou no ponto da discussão econômica de hoje, a neutralidade da moeda no longo prazo, existem estudos econométricos que provam a existência, mas obviamente são falseáveis.

Se puder mandar artigos que comprovem a não neutralidade mande, mas tem que ser científico, nada de mises.org beleza? (Sem menosprezar, claro)
Isso é usar uma metodologia que um austríaco rejeita, mas da para mostrar a razão disso.. Empiricismo sem saber onde apontar os canhões so pode dar resultado falso.. Mas antes de julgar eu preciso abrir os estudos e ver..
Eu só encontrei o primeiro que você linkou sem precisar pagar para ler

Eu preciso ler para ler que tipo de agregado monetário foi usado e observar se existe ciclos economicos nele.. Já que é comum artigos simplistas chegarem a conclusões que os dados não apontam .
Por exemplo.. Em alguns artigos a relação do crescimento da moeda (m2) o crescimento do PIB mostra uma relação positiva mas pequena.. Mesmo essas relações indicam a existencia de ciclos economicos.. Já que o pib sobe e desce..

.Por outro lado, não é essa a relação que usada no Brasil para explicar os ciclos economicos..
E sim os depositos a vista.. Pois é o dinheiro liquido, o que realmente as industrias usam para comprar peças, pagar funcionarios, etc.. Então, já da para encontrar uma falha grave nesse estudo que pega varios países (inclusive o Brasil) .. Uma expansão no M2 não precisa necessariamente estar relacionado aos ciclos

O estudo trabalha com dados brutos de agregados monetários. Isso é inócuo .

''The present study works with nominal monetary aggregates and real output per capita. There are, of course, two possible alternatives to this approach. First, we could have considered real monetary aggregates. We follow the approach of, for example, Attfield and Duck (1983), and Kormendi
and Meguire (1984), who use nominal money. Since the price level is found
to be countercyclical, real money would have been more procyclical than
nominal money. Second, we could have worked with total real output (Attfield – Duck, 1983); (Kormendi – Meguire, 1984); (Duczynski; 2004) instead
of output per capita. However, changes in output per capita better reflect
changes in the standard of living. We also believe that output per capita
better corresponds to the economic situation; the total output is influenced
by the size of the population, which is to some extent a non-economic factor. Definitely, we are not interested in whether monetary policy affects
the size of a population. We should also note that the quality of the underlying Summers-Heston data on real output per capita is believed to be high''


Vou trazer uma explicação do leandro do motivo disso ser inócuo..

Qual dinheiro analizar? Apenas um: aquele que está na conta-corrente. Nos depósitos à vista.

Por quê? Basta utilizar a praxeologia.

Se você coloca dinheiro na poupança, ou em um fundo de investimento, ou em um depósito a prazo (CDB, LCI, LCA), ou em qualquer modalidade citada acima, você não está pensando em gastar todo esse dinheiro amanhã ou no futuro próximo.

Você quer deixá-lo ali, rendendo juros.

Você pode, em alguns casos específicos, até usar esse dinheiro para pagar contas, mas não é um dinheiro que você está pensando em gastar volumosamente (ou totalmente) daqui a, digamos, dois dias. Você, repetindo, quer deixá-lo ali rendendo juros.

E desse dinheiro aplicado, uma parte fica presa no mercado interbancário — servindo pra operações compromissadas, para compulsório junto ao Banco Central, para atender a regulamentações bancárias, para formar colchão de liquidez, para provisões contra calotes, para atender ao Índice de Basiléia etc. — e a outra parte será emprestada.

E esta, ao ser emprestada, cairá na conta-corrente de alguém, que então irá gastar esse dinheiro (afinal, foi para isso que ele pediu o empréstimo).

Já o dinheiro que você já deixa separado na conta-corrente é aquele dinheiro que você está pensando em gastar todo amanhã ou em um futuro próximo. Ele nãorende juros.

No caso de empresas, esse comportamento é ainda mais óbvio. Empresa que deixa dinheiro na conta-corrente está usando esse dinheiro como capital de giro. Está planejando gastar esse dinheiro no futuro próximo. Ela não está atrás de juros.

Para uma empresa, dinheiro na conta-corrente é dinheiro de liquidez imediata. É o dinheiro que ela usa diariamente para consumir, investir, contratar mão-de-obra, pagar fornecedores, pagar salários etc.

Já quando a empresa está com alguma reserva de caixa e não está pensando em contratar, gastar ou expandir, ela aplica esse dinheiro — gerando os mesmos efeitos descritos acima para a pessoa física.

É crucial enfatizar esse ponto: dinheiro na conta-corrente é o dinheiro de liquidez imediata. É o dinheiro que pessoas e empresas deixam separado para usar diariamente, e em grandes volumes, para consumir, investir, contratar mão-de-obra e pagar salários. É o capital de giro, como já dito.

E como surge dinheiro na conta-corrente? De duas maneiras: ou ele vem do resgate de uma aplicação ou ele vem da expansão do crédito.

Quando uma empresa vai a um banco pedir um empréstimo ou descontar uma duplicata, esse dinheiro cai na conta-corrente dela e funciona ou como capital de giro ou como dinheiro a ser investido na expansão do negócio ou na contratação de mão-de-obra.

O mesmo vale para uma pessoa física que pega empréstimo. O dinheiro vai para a conta-corrente dela.

Portanto, o dinheiro na conta-corrente é o dinheiro que está prontamente disponível para as pessoas consumirem e para as empresas comprarem maquinário, expandirem suas instalações, ampliarem sua produção, pagarem fornecedores, reporem estoques, contratarem mão-de-obra etc.

Como se trata de uma aplicação que não paga juros, o dinheiro em conta-corrente representa aquele dinheiro que está sendo diariamente transacionado na economia a grandes volumes.

Trata-se do dinheiro realmente líquido. É o dinheiro que, em suma, irá determinar o volume de gastos da economia.

Assim, com isso em mente, é possível fazer a seguinte constatação praxeológica e apriorística: dado que é o dinheiro na conta-corrente quem determina o volume de gastos produtivos da economia — salários, investimentos na economia física, aquisição de máquinas, consumo, pagamento de fornecedores etc. —, é exatamente ele quem vai governar todas as flutuações da economia.



Nos EUA recente, o M1 e o M2 explodiram por causa do fed, mas esse dinheiro não entrou na economia, então, usar esses agregados é completamente inócuo para analisar a neutralidade da moeda..


Mudanças no estoque da moeda estavam associadas com aumentos no pib. Mas, como oscilações para cima foram compensadas com oscilações para baixo, essa relação confirma a TACE..
Por isso gráficos ajudam..

Estudos sobre não neutralidade

https://www.researchgate.net/publication/296693308_An_Evaluation_of_the_Non-Neutrality_of_Money(Clica em dowload)


Não adianta nada estudar a neutralidade da moeda e não especificar qual dinheiro você está olhando
 
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