• Olá Visitante! Seja muito bem vindo(a)!

    O #FórumPOLITZ é uma Comunidade única, sendo a primeira rede social no estilo de Fórum criada para pessoas que tem sede de conhecimento, conteúdo, informação e que adora uma boa discussão. Prezamos pela liberdade de expressão, em uma rede totalmente segura, livre de censuras e perseguições ideológicas.

    Oferecemos recursos exclusivos, em uma plataforma construída no que há de mais moderno no mundo. Para aproveitar tudo isso, é preciso Criar um Perfil. É rápido, fácil e totalmente gratuito. Você pode usar até a sua conta no Twitter para fazer isso.

    Junte-se a nós, venha se informar e compartilhar o seu conhecimento com a comunidade que mais cresce no Brasil. Esperamos que goste :)

#Política O que você está esperando para virar ancap?

Entrou
22/6/19
Posts
6.711
Reactions
4.740
o problema dos ancaps é que acham que vão conseguir mudar algo na base do "eu tenho razão, porque minha ética é a correta" sem mover um dedo para contra atirar contra o estado fascista.
Se a classe trabalhadora tudo produz, a tudo ela pertence.
Se vem político e toma qualquer parte via imposto.
Imposto é roubo.
 

Rosca Tudor

Grão-Mestre
Premium
Entrou
7/8/19
Posts
1.776
Reactions
1.673
Tem o Conde Loppeux que tem um monte de vídeos contestando o anarcocapitalismo/libertarianismo, principalmente de um ponto de vista histórico e jurídico, e eu tendo a concordar com a maior parte deles. Segue um dos vídeos abaixo (sei que ele costuma ser bastante ofensivo, mas esse é um dos que ele solta menos xingamentos e também vejo como um dos melhores):


Sobre o PNA (aqui os próprios libertários encontram inconsistências): https://www.libertarianism.org/blog/six-reasons-libertarians-should-reject-non-aggression-principle


Sobre o ponto de vista econômico (não tenho muita base em economia, mas acho esse ensaio interessante, principalmente a partir do ponto 4 -- Method, Math and 'Metrics): http://econfaculty.gmu.edu/bcaplan/whyaust.htm

Li várias outras coisas por aí e vi outros vídeos interessantes, mas eu perdi a maioria. Tenho muitas ressalvas em relação a várias outras questões (aborto, comércio de pessoas, liberação das drogas, definições de propriedade, forças armadas/polícia, etc.).



Eu nunca disse que uma sociedade baseada em leis de propriedade privada não funciona.
Que lambança esse cara fez. É um vídeo cheio de ad-hominem e argumento de autoridade, mas que falta no conhecimento do objeto e pessoas criticadas. Não deveria nem perder meu tempo respondendo esse cara, mas como é vc que tá falando do assunto e só colocou o vídeo dele como exemplo serei breve (pra não desvirtuar o tópico com a questão ridícula que ele colocou, mas tb te dando algum feedback):

O problema do ancap com o estado não é a questão contratual (que é algo que poderia evoluir muito, mesmo que eu não veja como) e sim que estados tendem a ser excessivamente reguladores e pela maneira que usam de violência para sustentar tal regulação. Estado é diferente de sociedade. Entendo a confusão que isso pode causar em quem tem pensamento educado para o estatismo, mas estado, segundo Max Weber (que é a maior referência para se entender tal conceito e que além de tudo é jurista... e também literatura mais importante da matéria chamada Teoria Geral do Estado que eu assisti como optativa, mas o rapaz do vídeo que se diz jurista com certeza assistiu como parte de sua grade curricular acadêmica), o estado é uma forma de harmonizar a sociedade. Toda a tese de Sociologia da Dominação dele surgiu do pressuposto benigno de que o estado conseguiria estabilizar e apaziguar as relações entre as pessoas da sociedade, mas assim mesmo como uma força que não necessariamente represente ou sequer atenda às demandas populares. Ele pressupôs que os estados se fundamentariam nos alicerces que ele apontou (o que de fato aconteceu ao pé da letra, inclusive no Brasil), como burocracia, educação, forças armadas/policiais e etc, e que com isso viveríamos em sociedades justas e civilizadas.

Primeiro que dá pra discutir a eficiência disso tudo (que é exatamente o que Misses mais discordou em sua bibliografia, já que ele apontou, acertando sempre e errando nunca, em como menor interferência estatal funciona melhor), mas o ponto fundamental pra quebrar este vídeo é que nem Weber coloca o estado e a sociedade como uma só entidade (isso foi feito posteriormente por autores e movimentos nacionalistas e governos populistas, que são praticamente a mesma coisa... e NUNCA deu certo... mas vamos nos focar só no fato de que foi feito e não no resultado). A constituição e toda a prática jurídica no Brasil se baseia totalmente na leitura nacionalista do trabalho do Weber. E além de tudo a prática do direito e toda a burocracia é exatamente o que tem de mais estragado no nosso país.

Sobre o PNA eu acho que acontece muito mais um problema semântico do que teórico. É óbvio que o PNA como PACTO jurídico (ou seja, como valor de lei) "PODE" ser furado (pq se vc considerar jurisprudência e analise de causa/consequência já pode funcionar muito bem... sem contar que o jusnaturalismo tb complementa muito o PNA), porém como PRINCÍPIO ético, é mais do que perfeito pois o único questionamento que precisa ser feito num caso jurídico é "que mal foi feito a quem", o que inclusive já derrubaria grande parte do nosso sistema juspositivista que é totalmente desproporcional, muitas vezes injusto e quase sempre extremamente manipulável (justamente em prol do lado mais forte).

Também é complicado quando vocês dizem que "o anarcocapitalismo não é um pacote fechado" ou "o anarcocapitalismo não depende de perfeição, já funciona"... se não há princípios definidos, então o anarcocapitalismo pode ser qualquer coisa.
Não é um pacote fechado justamente por ser uma ideologia que permite que as pessoas decidam os rumos de suas próprias vidas, apenas no sentido da preservação das liberdades individuais. Então a ideia é defender o seu direito jusnatural de ter suas próprias ideias (desde que elas não violem a propriedade privada alheia) e poder assumir a responsabilidade pelas próprias decisões sem ser dominado por uma entidade opressora.

Quando eu falo mal de muita gente que tenta refutar o ancap é muito mais porque elas sequer sabem (ou fingem que não sabem) do que se trata realmente. Pegue a primeira postagem que fiz neste tópico para você e tente refutar a lógica que te apresentei... especialmente considerando que a opção apresentada como contraparte (o estado) falha igualmente ou pior em vários pontos, como o jurídico, que é o que o rapaz ai do vídeo tentou usar, como se a justiça brasileira fosse a coisa mais bela e moral do mundo.
 

Rosca Tudor

Grão-Mestre
Premium
Entrou
7/8/19
Posts
1.776
Reactions
1.673
o problema dos ancaps é que acham que vão conseguir mudar algo na base do "eu tenho razão, porque minha ética é a correta" sem mover um dedo para contra atirar contra o estado fascista.
Mas se minha ética é correta então eu tenho razão. Se eu não tiver razão então vc consegue usar a lógica para mostrar que a minha ética não é correta.

E quem disse que ninguém move um dedo? Só não existe processo revolucionário, pois se nossa ideia é justamente acabar com a violência não faz sentido nenhum começar a guilhotinar ou fuzilar nossos opositores:icon-lol:

É o ideal? Não sei te dizer. Vai funcionar? Piorar o mundo não vai, o que me dá uma puta paz de consciência. Eu preferiria estar matando corrupto? Possivelmente, não posso dizer pq seria crime, mas de qualquer jeito eu nunca atirei em alguém ou sei se conseguiria o fazer... cuidado ai pra não se achar o Deus da Guerra e se "machucar".
 
OP
Anarcocapitalista
Entrou
3/11/19
Posts
5.263
Reactions
4.222
  • Autor(a) do Tópico
  • Thread Starter
  • #54
Tem o Conde Loppeux que tem um monte de vídeos contestando o anarcocapitalismo/libertarianismo, principalmente de um ponto de vista histórico e jurídico, e eu tendo a concordar com a maior parte deles. Segue um dos vídeos abaixo (sei que ele costuma ser bastante ofensivo, mas esse é um dos que ele solta menos xingamentos e também vejo como um dos melhores):


Sobre o PNA (aqui os próprios libertários encontram inconsistências): https://www.libertarianism.org/blog/six-reasons-libertarians-should-reject-non-aggression-principle


Sobre o ponto de vista econômico (não tenho muita base em economia, mas acho esse ensaio interessante, principalmente a partir do ponto 4 -- Method, Math and 'Metrics): http://econfaculty.gmu.edu/bcaplan/whyaust.htm

Li várias outras coisas por aí e vi outros vídeos interessantes, mas eu perdi a maioria. Tenho muitas ressalvas em relação a várias outras questões (aborto, comércio de pessoas, liberação das drogas, definições de propriedade, forças armadas/polícia, etc.).



Eu nunca disse que uma sociedade baseada em leis de propriedade privada não funciona.
Conde não sabe nem do que está falando.

Ele confunde liberalismo com anarcocapitalismo.

 
Entrou
22/6/19
Posts
6.711
Reactions
4.740
Político é ladrão e integrante de uma máfia que estorque os cidadões de uma cidade. Logo, ele já fez uso de Força e Fraude contra pessoas inocentes, inclusive vc. Então como vítima, atacá-lo sob qualquer forma não é crime, visto que não está atacando uma pessoa pacífica e inocente. Apenas um dos líderes da máfia cujo seus funcionários estatais cumprem suas ordens para escravizar um dado povo em um dado território, fazendo de todos, escravos de ganho no sentido clássico.
 
OP
Anarcocapitalista
Entrou
3/11/19
Posts
5.263
Reactions
4.222
  • Autor(a) do Tópico
  • Thread Starter
  • #56
Tem o Conde Loppeux que tem um monte de vídeos contestando o anarcocapitalismo/libertarianismo, principalmente de um ponto de vista histórico e jurídico, e eu tendo a concordar com a maior parte deles. Segue um dos vídeos abaixo (sei que ele costuma ser bastante ofensivo, mas esse é um dos que ele solta menos xingamentos e também vejo como um dos melhores):


Sobre o PNA (aqui os próprios libertários encontram inconsistências): https://www.libertarianism.org/blog/six-reasons-libertarians-should-reject-non-aggression-principle


Sobre o ponto de vista econômico (não tenho muita base em economia, mas acho esse ensaio interessante, principalmente a partir do ponto 4 -- Method, Math and 'Metrics): http://econfaculty.gmu.edu/bcaplan/whyaust.htm

Li várias outras coisas por aí e vi outros vídeos interessantes, mas eu perdi a maioria. Tenho muitas ressalvas em relação a várias outras questões (aborto, comércio de pessoas, liberação das drogas, definições de propriedade, forças armadas/polícia, etc.).



Eu nunca disse que uma sociedade baseada em leis de propriedade privada não funciona.
E o libertarianism na gringa é liberalismo clássico. Não é o mesmo libertarianismo daqui.
 

Lost Number

Grão-Mestre
Entrou
18/10/18
Posts
1.989
Reactions
1.260
"...mas no mundo real simplesmente não há exemplos de uma aplicação prática do anarcocapitalismo..."

Sim, há, inúmeros exemplos. Por exemplo este post, ninguém te obrigou a vir postar aqui, você escolheu livremente postar nele e você não agrediu a propriedade privada de ninguém ao faze-lo, os administradores desse propriedade privada (fórum) permitiram que você postasse seus comentários, e você voluntariamente postou. Do mesmo jeito, se você infringir uma regra do forúm você pode ser expulso. Isso é tudo o que anarcapitalismo/libertarianismo trata, do direito de uso exclusivo de um recurso escasso, da propriedade privada.
E o que tem a ver um fórum de internet com uma sociedade. Você pode dizer que é parte de uma sociedade, mas de forma alguma é uma sociedade. Além disso, este fórum e seus usuários estão submetidos à ordem jurídica vigente, tanto é que muitos dos termos de uso são baseados nisso. Se você infringir uma lei, você pode ser preso. As postagens aqui, portanto, não são "livres" (ou seja, não dependem apenas da concordância entre os usuários e o proprietário do fórum) como você insinua.

(...)

O problema do ancap com o estado não é a questão contratual (que é algo que poderia evoluir muito, mesmo que eu não veja como) e sim que estados tendem a ser excessivamente reguladores e pela maneira que usam de violência para sustentar tal regulação. Estado é diferente de sociedade. Entendo a confusão que isso pode causar em quem tem pensamento educado para o estatismo, mas estado, segundo Max Weber (que é a maior referência para se entender tal conceito e que além de tudo é jurista... e também literatura mais importante da matéria chamada Teoria Geral do Estado que eu assisti como optativa, mas o rapaz do vídeo que se diz jurista com certeza assistiu como parte de sua grade curricular acadêmica), o estado é uma forma de harmonizar a sociedade. Toda a tese de Sociologia da Dominação dele surgiu do pressuposto benigno de que o estado conseguiria estabilizar e apaziguar as relações entre as pessoas da sociedade, mas assim mesmo como uma força que não necessariamente represente ou sequer atenda às demandas populares. Ele pressupôs que os estados se fundamentariam nos alicerces que ele apontou (o que de fato aconteceu ao pé da letra, inclusive no Brasil), como burocracia, educação, forças armadas/policiais e etc, e que com isso viveríamos em sociedades justas e civilizadas.

Primeiro que dá pra discutir a eficiência disso tudo (que é exatamente o que Misses mais discordou em sua bibliografia, já que ele apontou, acertando sempre e errando nunca, em como menor interferência estatal funciona melhor), mas o ponto fundamental pra quebrar este vídeo é que nem Weber coloca o estado e a sociedade como uma só entidade (isso foi feito posteriormente por autores e movimentos nacionalistas e governos populistas, que são praticamente a mesma coisa... e NUNCA deu certo... mas vamos nos focar só no fato de que foi feito e não no resultado). A constituição e toda a prática jurídica no Brasil se baseia totalmente na leitura nacionalista do trabalho do Weber. E além de tudo a prática do direito e toda a burocracia é exatamente o que tem de mais estragado no nosso país.
Eu até verifiquei o vídeo de novo pra ver se tinha postado errado, mas é isso mesmo; o Conde no vídeo em questão não fala que Estado e sociedade são uma só entidade... ele até diz que as normas sociais podem ser cumpridas pelo Estado, pelo chefe da tribo, pelo patriarca, etc., mas isso não tem como acontecer somente dentro de contratos (ou seja, não é preciso necessariamente um aparato estatal para a manutenção de um ordenamento jurídico, mas é preciso uma autoridade fora das relações exclusivamente privadas para que tudo funcione). A crítica do vídeo é direcionada a um ponto específico, que é o aspecto contratualista do anarcocapitalismo (ou pelo menos um aspecto que alguns anarcocapitalistas defendem, já que, pelo que você diz, não há muita consonância de ideias dentro do meio).

Quanto ao Weber, o Conde só o usa para justificar que a mentalidade capitalista tem origem na ética protestante (embora eu tenha dúvidas se isso seja correto, o capitalismo -- e consequentemente os seus postulados, como o conceito moderno de propriedade privada, o acúmulo de capital como objetivo prevalecente, etc. -- de fato é algo bastante novo historicamente falando). Essa é uma das razões de eu achar complicado vocês usaram sociedades pré-capitalistas como exemplos de anarcocapitalismo/libertarianismo (ou algo aproximado)... além de não existirem conceitos como o de liberdade individual, isso é um anacronismo sem tamanho, a mentalidade das pessoas da época era totalmente diferente de hoje.

(...)

Quando eu falo mal de muita gente que tenta refutar o ancap é muito mais porque elas sequer sabem (ou fingem que não sabem) do que se trata realmente. Pegue a primeira postagem que fiz neste tópico para você e tente refutar a lógica que te apresentei... especialmente considerando que a opção apresentada como contraparte (o estado) falha igualmente ou pior em vários pontos, como o jurídico, que é o que o rapaz ai do vídeo tentou usar, como se a justiça brasileira fosse a coisa mais bela e moral do mundo.
Então, anarcocapitalismo é apenas a ausência do estado moderno? Se for isso, acredito que poderia sim ser um sistema melhor do que o que nós temos atualmente (até porque essa Nova República é um desastre sem tamanho, isso não tenho como discordar). No entanto, é preciso ver quem "assumiria as rédeas" diante do vácuo de poder... aqui no Brasil, ao meu ver, a tendência seria o surgimento de vários narco-estados (propriedades privadas, liberdades individuais e PNA definitivamente não iriam ser respeitados), então não acho que seja algo viável. (Isso já considerando a situação extremamente hipotética de uma derrocada da ordem política vigente, mas relevo isso para poder responder à sua indagação).
 

Ares1521

Principiante
Entrou
28/6/20
Posts
13
Reactions
63
Lost Number @Lost Number - Opa, estou pegando a conversa no meio pois só descobri esse fórum hoje. Eu levei anos entre conhecer o libertarianismo e me tornar de fato um libertário que acredita que o estado tem boas chances de acabar, como você diferente de alguns que só zuaram nesse tópico vou dar uma resumida em como cheguei nas conclusões que cheguei.

Primeira observação que eu nunca gostei do nome "anarcocapitalismo" pois a definição dessas palavras variam de pessoa para pessoa, talvez uma "sociedade contratualista de leis privadas" ou algo do tipo descreveria melhor o ancapistão.
Pois para alguns "anarco" é a ausência de ordem, o que não é o caso, haverá um ordenamento jurídico fundamentado em jusracionalismo, tribunais que utilizarão precedentes para julgar casos, empresas de segurança contratadas por cooperativas de bairros para manter a ordem e tudo mais.
E "capitalismo" alguns olham para o lado de como a esquerda vê o capitalismo, aqui nós estamos utilizando ele para "trocas voluntárias sem coerção".

Tem uma galera que bate bastante na tecla da ética pois ela é o que fundamenta tudo, eu ouvi pela primeira vez sobre ancap no canal "Idéias Radicais" e ele bate bastante nesse ponto. O que pensei na época? "bom, esse cara é meio radical, mas ele admite isso no nome do canal, e tem bons argumentos, bora assistir um pouco".
Em pouco tempo eu concordei com a idéia básica, mas eu sou um cara muito prático, então nesse momento eu passei a pensar de uma forma que depois um outro canal, o "ancap.su" chamou de "libertário pessimista". Eu pensava da seguinte forma:
"Olha, isso nunca vai acontecer, porém é como dividir por 0 em matemática. Matemáticos passam a vida estudando limite (se você não é de exatas, limite é o estudo de o que aconteceria se você chegasse muito próximo a algo), mesmo sabendo que nunca vão dividir por 0, estudam como seria se chegasse perto disso. O estado nunca vai acabar, mas talvez estudar como seria se ele acabasse pode ser algo positivo para melhorarmos nossa sociedade, tem regulamentações e impostos demais, como podemos diminuí-los?"

------------------------

Ok, para não ficar um muro de texto, vou parar por aqui. O que você achou até agora? Concorda com a ideia que mesmo que você não acredite na viabilidade de um ancapistão, tentar aproximar nossa sociedade ao máximo dele, com menos políticos nos roubando, liberdade de expressão, livre comércio, tudo que der privatizado, não seria melhor?
 

Rosca Tudor

Grão-Mestre
Premium
Entrou
7/8/19
Posts
1.776
Reactions
1.673
Eu até verifiquei o vídeo de novo pra ver se tinha postado errado, mas é isso mesmo; o Conde no vídeo em questão não fala que Estado e sociedade são uma só entidade... ele até diz que as normas sociais podem ser cumpridas pelo Estado, pelo chefe da tribo, pelo patriarca, etc., mas isso não tem como acontecer somente dentro de contratos (ou seja, não é preciso necessariamente um aparato estatal para a manutenção de um ordenamento jurídico, mas é preciso uma autoridade fora das relações exclusivamente privadas para que tudo funcione). A crítica do vídeo é direcionada a um ponto específico, que é o aspecto contratualista do anarcocapitalismo (ou pelo menos um aspecto que alguns anarcocapitalistas defendem, já que, pelo que você diz, não há muita consonância de ideias dentro do meio).
Sim, mas ele deixa misturado, como se não funcionasse uma sociedade sem uma liderança ou algo assim.

No caso dos contratos, acho que já ouvi várias explicações. Como eu disse, ancap não é um pacote fechado, apenas a liberdade das pessoas decidirem o que é melhor para elas. Em muitos países (especialmente os anglo-saxões) o acordo oral ainda tem muita validade, então nada impediria de usarmos só isso caso achássemos pertinente, porém muitos ancaps dão a opção de tribunais privados para resolver disputas e também cartórios privados (ou até terceiros, desde que em consentimento por ambas as partes).

Se vc imaginar isso numa sociedade primitiva (que aparentemente é um exercício recorrente a vários críticos do ancap) é claro que pode complicar, mas acho que a maioria dos ancaps concordam que o sistema depende muito do avanço tecnológico e colocam isso como o maior mecanismo de emancipação social que existe (o que de fato é um belíssimo mecanismo), então imagino que seria fácil para uma pessoa que não cumpre seus contratos ter o nome negativado e ser simplesmente ostracizada (que é algo que já acontece hoje) ou até sofrer um processo coletivo (que é algo que também acontece hoje com frequencia). Acho que a maior diferença é que tribunais privados teriam maior interesse em trabalhar rápido e dificilmente veríamos casos empilhados por décadas, como hoje.

Quanto ao Weber, o Conde só o usa para justificar que a mentalidade capitalista tem origem na ética protestante (embora eu tenha dúvidas se isso seja correto, o capitalismo -- e consequentemente os seus postulados, como o conceito moderno de propriedade privada, o acúmulo de capital como objetivo prevalecente, etc. -- de fato é algo bastante novo historicamente falando). Essa é uma das razões de eu achar complicado vocês usaram sociedades pré-capitalistas como exemplos de anarcocapitalismo/libertarianismo (ou algo aproximado)... além de não existirem conceitos como o de liberdade individual, isso é um anacronismo sem tamanho, a mentalidade das pessoas da época era totalmente diferente de hoje.
Pessoalmente acho difícil discutir capitalismo por pura questão semântica. Marxistas chamam uma coisa de capitalismo, que é diferente do que os liberais chamam, dos progressistas e até da própria escola austríaca. Alias, acho "anarcocapitalismo" um péssimo nome exatamente por isso (sim, anarquismo tb é uma palavra semanticamente complicada). Então entenda que o que os ancaps costumam se referir como capitalismo é o livre mercado, que historicamente é algo que existe desde o dia em que os primeiro escambo foi realizado e só foi se desenvolvendo com o tempo, especialmente depois da invenção do dinheiro, mas a ideia da coisa continua a mesma.

Eu uso sociedades primitivas como exemplos de coisas específicas que davam certo, como fiz, por exemplo, com o sistema de justiça descentralizada celta... que se vc abstrair coisas inerentes da cultura da época (como escravidão, que vc mesmo bem apontou) e que não tem o porque de voltarem, mostra que não precisamos de um estado para haver justiça, e nem para entrar no mérito de como nem um estado é garantia de justiça sendo feita.

Então, anarcocapitalismo é apenas a ausência do estado moderno? Se for isso, acredito que poderia sim ser um sistema melhor do que o que nós temos atualmente (até porque essa Nova República é um desastre sem tamanho, isso não tenho como discordar). No entanto, é preciso ver quem "assumiria as rédeas" diante do vácuo de poder... aqui no Brasil, ao meu ver, a tendência seria o surgimento de vários narco-estados (propriedades privadas, liberdades individuais e PNA definitivamente não iriam ser respeitados), então não acho que seja algo viável. (Isso já considerando a situação extremamente hipotética de uma derrocada da ordem política vigente, mas relevo isso para poder responder à sua indagação).
A ideia é emancipar as pessoas da necessidade de um poder centralizado, o que é viável.

Pessoalmente não me considero um ancap... eu sou libertário. Li bastante os trabalhos dos anarquistas "esquerdistas" (como Bacunin, Kropotikin, Goldman e até o Marx, pois o próprio comunismo se trata dessa horizontalização de poder, apesar dele bagunçar o processo para se chegar lá) e me identifico com vários questionamentos que eles fazem. No ancap eu achei muito mais respostas do que dúvidas e uma delas é exatamente como balancear a sociedade sem um poder central, que seria o próprio livre mercado (que inclusive seria uma barreira natural contra o corporativismo, que é algo que me incomoda atualmente).

Os próprios narco-traficantes e outras organizações criminosas muito provavelmente perderiam muita força pois o que mais os fortalece é exatamente a guerra às drogas, que não seriam mais substancias ilegais (e, sim, existem vários mecanismos para combater o uso, que passaria a ser um problema de saúde e não de segurança). Qualquer dúvida sobre isso é só ver o que aconteceu em todos os países que implementaram algum tipo de "lei seca" e depois desistiram da ideia. Alias, o questionamento à validade da guerra às drogas é algo bem universal, que acontece entre libertários e também estadistas tanto de direita quanto esquerda. Acho que a experiência mexicana (eles parece que descriminalizarão todas as drogas... ou já acabaram de o fazer) dirá muito sobre isso. De qualquer maneira o próprio modelo atual de estado é refém do crime organizado. Aqui a gente teve o governo de SP negociando paz com o PCC e suposta ligação do PCC e CV com vários políticos eleitos... então não é como se o atual modelo estivesse funcionando em qualquer parte do mundo.
 

Rosca Tudor

Grão-Mestre
Premium
Entrou
7/8/19
Posts
1.776
Reactions
1.673
@Lost Number - Opa, estou pegando a conversa no meio pois só descobri esse fórum hoje. Eu levei anos entre conhecer o libertarianismo e me tornar de fato um libertário que acredita que o estado tem boas chances de acabar, como você diferente de alguns que só zuaram nesse tópico vou dar uma resumida em como cheguei nas conclusões que cheguei.

Primeira observação que eu nunca gostei do nome "anarcocapitalismo" pois a definição dessas palavras variam de pessoa para pessoa, talvez uma "sociedade contratualista de leis privadas" ou algo do tipo descreveria melhor o ancapistão.
Pois para alguns "anarco" é a ausência de ordem, o que não é o caso, haverá um ordenamento jurídico fundamentado em jusracionalismo, tribunais que utilizarão precedentes para julgar casos, empresas de segurança contratadas por cooperativas de bairros para manter a ordem e tudo mais.
E "capitalismo" alguns olham para o lado de como a esquerda vê o capitalismo, aqui nós estamos utilizando ele para "trocas voluntárias sem coerção".

Tem uma galera que bate bastante na tecla da ética pois ela é o que fundamenta tudo, eu ouvi pela primeira vez sobre ancap no canal "Idéias Radicais" e ele bate bastante nesse ponto. O que pensei na época? "bom, esse cara é meio radical, mas ele admite isso no nome do canal, e tem bons argumentos, bora assistir um pouco".
Em pouco tempo eu concordei com a idéia básica, mas eu sou um cara muito prático, então nesse momento eu passei a pensar de uma forma que depois um outro canal, o "ancap.su" chamou de "libertário pessimista". Eu pensava da seguinte forma:
"Olha, isso nunca vai acontecer, porém é como dividir por 0 em matemática. Matemáticos passam a vida estudando limite (se você não é de exatas, limite é o estudo de o que aconteceria se você chegasse muito próximo a algo), mesmo sabendo que nunca vão dividir por 0, estudam como seria se chegasse perto disso. O estado nunca vai acabar, mas talvez estudar como seria se ele acabasse pode ser algo positivo para melhorarmos nossa sociedade, tem regulamentações e impostos demais, como podemos diminuí-los?"

------------------------

Ok, para não ficar um muro de texto, vou parar por aqui. O que você achou até agora? Concorda com a ideia que mesmo que você não acredite na viabilidade de um ancapistão, tentar aproximar nossa sociedade ao máximo dele, com menos políticos nos roubando, liberdade de expressão, livre comércio, tudo que der privatizado, não seria melhor?
Te conheço, acho:icon-lol:

Enfim... comigo foi exatamente o mesmo processo. Passei uns dois ou três anos tentando refutar a ideia (ainda hoje tem coisas que não concordo, mas como eu disse: não é um pacote fechado) até que cheguei ao ponto em que não dá pra evitar isso.

Pessoalmente tb não acho que o estado vá acabar (tem chance, mas não é algo que esperarei ansioso rs), mas se conseguirmos construir e difundir ideias que tirem poder de políticos corruptos (o que é um eufemismo) e deixem as pessoas cuidarem mais de suas próprias vidas, já seria uma vitória.

Se o cara não bora fé no Ancapistão, que pelo menos considere a ideia do Minarquismo. Se o cara pelo menos entender como estadismo, tanto de direita como esquerda, é uma armadilha social, já fico mais feliz.
 

Zangfs

Novato
Entrou
2/6/20
Posts
88
Reactions
90
E o que tem a ver um fórum de internet com uma sociedade. Você pode dizer que é parte de uma sociedade, mas de forma alguma é uma sociedade. Além disso, este fórum e seus usuários estão submetidos à ordem jurídica vigente, tanto é que muitos dos termos de uso são baseados nisso. Se você infringir uma lei, você pode ser preso. As postagens aqui, portanto, não são "livres" (ou seja, não dependem apenas da concordância entre os usuários e o proprietário do fórum) como você insinua.
Eu estou me referindo ao sistema de livres trocas, apenas usei o fórum como exemplo. E sim, o fórum tem regras, como eu citei. Independente de onde venham as regras, você concordou submeter-se a elas, assim como um youtuber concorda em se submeter as regras do Youtube quando posta seus videos na plataforma, ou no Facebook, ou no Twitter, etc. Existem regras privadas que você está submetido ao usar propriedades de outros, e uma violação dessas regras pode acarretar em uma quebra de contrato, passível de punição.
 

Lost Number

Grão-Mestre
Entrou
18/10/18
Posts
1.989
Reactions
1.260
@Lost Number - Opa, estou pegando a conversa no meio pois só descobri esse fórum hoje. Eu levei anos entre conhecer o libertarianismo e me tornar de fato um libertário que acredita que o estado tem boas chances de acabar, como você diferente de alguns que só zuaram nesse tópico vou dar uma resumida em como cheguei nas conclusões que cheguei.

Primeira observação que eu nunca gostei do nome "anarcocapitalismo" pois a definição dessas palavras variam de pessoa para pessoa, talvez uma "sociedade contratualista de leis privadas" ou algo do tipo descreveria melhor o ancapistão.
Pois para alguns "anarco" é a ausência de ordem, o que não é o caso, haverá um ordenamento jurídico fundamentado em jusracionalismo, tribunais que utilizarão precedentes para julgar casos, empresas de segurança contratadas por cooperativas de bairros para manter a ordem e tudo mais.
E "capitalismo" alguns olham para o lado de como a esquerda vê o capitalismo, aqui nós estamos utilizando ele para "trocas voluntárias sem coerção".

Tem uma galera que bate bastante na tecla da ética pois ela é o que fundamenta tudo, eu ouvi pela primeira vez sobre ancap no canal "Idéias Radicais" e ele bate bastante nesse ponto. O que pensei na época? "bom, esse cara é meio radical, mas ele admite isso no nome do canal, e tem bons argumentos, bora assistir um pouco".
Em pouco tempo eu concordei com a idéia básica, mas eu sou um cara muito prático, então nesse momento eu passei a pensar de uma forma que depois um outro canal, o "ancap.su" chamou de "libertário pessimista". Eu pensava da seguinte forma:
"Olha, isso nunca vai acontecer, porém é como dividir por 0 em matemática. Matemáticos passam a vida estudando limite (se você não é de exatas, limite é o estudo de o que aconteceria se você chegasse muito próximo a algo), mesmo sabendo que nunca vão dividir por 0, estudam como seria se chegasse perto disso. O estado nunca vai acabar, mas talvez estudar como seria se ele acabasse pode ser algo positivo para melhorarmos nossa sociedade, tem regulamentações e impostos demais, como podemos diminuí-los?"

------------------------

Ok, para não ficar um muro de texto, vou parar por aqui. O que você achou até agora? Concorda com a ideia que mesmo que você não acredite na viabilidade de um ancapistão, tentar aproximar nossa sociedade ao máximo dele, com menos políticos nos roubando, liberdade de expressão, livre comércio, tudo que der privatizado, não seria melhor?
Na questão econômica, sim, eu acho uma ideia interessante. Porém, com o aumento da liberdade econômica ocorre também o aumento da liberdade em geral... aí já não posso concordar muito. Liberdade não gera necessariamente algo bom; acho que, no final das contas, é preciso haver uma "terceira parte" (fora das relações privadas) para definir as regras fundamentais de funcionamento da sociedade, para cuidar de assuntos que fogem da capacidade da iniciativa privada (vejo essas discussões sobre tribunais privados, polícias privadas, etc., mas na prática acho muito difícil algo assim funcionar) e até mesmo dar a "palavra final" em determinadas situações. Veja, não digo que tem que ser necessariamente o Estado Democrático de Direito, mas no final haverá sempre algum tipo de ordenamento político (nem que seja um conselho de sábios ou mesmo um chefe tribal) no alicerce de qualquer sociedade.

Em suma, não acho que a propriedade privada seja um direito absoluto, existem muitas outras coisas que devem ter prioridade (o bem, a vida, a justiça, etc.).

Sim, mas ele deixa misturado, como se não funcionasse uma sociedade sem uma liderança ou algo assim.

No caso dos contratos, acho que já ouvi várias explicações. Como eu disse, ancap não é um pacote fechado, apenas a liberdade das pessoas decidirem o que é melhor para elas. Em muitos países (especialmente os anglo-saxões) o acordo oral ainda tem muita validade, então nada impediria de usarmos só isso caso achássemos pertinente, porém muitos ancaps dão a opção de tribunais privados para resolver disputas e também cartórios privados (ou até terceiros, desde que em consentimento por ambas as partes).

Se vc imaginar isso numa sociedade primitiva (que aparentemente é um exercício recorrente a vários críticos do ancap) é claro que pode complicar, mas acho que a maioria dos ancaps concordam que o sistema depende muito do avanço tecnológico e colocam isso como o maior mecanismo de emancipação social que existe (o que de fato é um belíssimo mecanismo), então imagino que seria fácil para uma pessoa que não cumpre seus contratos ter o nome negativado e ser simplesmente ostracizada (que é algo que já acontece hoje) ou até sofrer um processo coletivo (que é algo que também acontece hoje com frequencia). Acho que a maior diferença é que tribunais privados teriam maior interesse em trabalhar rápido e dificilmente veríamos casos empilhados por décadas, como hoje.
Acordo oral no Brasil é complicado... :icon-lol:

Sobre tribunais privados, não acho que isso funcionaria, pelo menos em casos de crimes mesmo (roubo, assassinato, etc.). Quem comete crimes simplesmente iria se subscrever a um tribunal privado que não o condenasse ou, se isso não fosse possível, simplesmente não se subscreveria a nenhum tribunal. Em muitos casos seria preciso forçar as pessoas a aceitarem as decisões judiciais, mesmo que a pessoa não tenha concordado em se submeter a determinado(s) sistema(s).

Pessoalmente acho difícil discutir capitalismo por pura questão semântica. Marxistas chamam uma coisa de capitalismo, que é diferente do que os liberais chamam, dos progressistas e até da própria escola austríaca. Alias, acho "anarcocapitalismo" um péssimo nome exatamente por isso (sim, anarquismo tb é uma palavra semanticamente complicada). Então entenda que o que os ancaps costumam se referir como capitalismo é o livre mercado, que historicamente é algo que existe desde o dia em que os primeiro escambo foi realizado e só foi se desenvolvendo com o tempo, especialmente depois da invenção do dinheiro, mas a ideia da coisa continua a mesma.

Eu uso sociedades primitivas como exemplos de coisas específicas que davam certo, como fiz, por exemplo, com o sistema de justiça descentralizada celta... que se vc abstrair coisas inerentes da cultura da época (como escravidão, que vc mesmo bem apontou) e que não tem o porque de voltarem, mostra que não precisamos de um estado para haver justiça, e nem para entrar no mérito de como nem um estado é garantia de justiça sendo feita.
Não dá pra abstrair essas coisas, isso fez parte da estrutura política e social dessas sociedades. Aliás, mesmo desconsiderando esses aspectos, não dá nem pra saber se era uma coisa realmente justa, já que não temos muitas informações sobre a alta idade média irlandesa, pois os celtas, de acordo com a arqueologia, não usavam muito da escrita e, consequentemente, não realizaram registros históricos suficientemente detalhados (e eu sinceramente acredito que não era, já que os celtas eram um povo bárbaro com uma cultura baseada em guerras, saques, pilhagens, etc.).

A ideia é emancipar as pessoas da necessidade de um poder centralizado, o que é viável.

Pessoalmente não me considero um ancap... eu sou libertário. Li bastante os trabalhos dos anarquistas "esquerdistas" (como Bacunin, Kropotikin, Goldman e até o Marx, pois o próprio comunismo se trata dessa horizontalização de poder, apesar dele bagunçar o processo para se chegar lá) e me identifico com vários questionamentos que eles fazem. No ancap eu achei muito mais respostas do que dúvidas e uma delas é exatamente como balancear a sociedade sem um poder central, que seria o próprio livre mercado (que inclusive seria uma barreira natural contra o corporativismo, que é algo que me incomoda atualmente).

Os próprios narco-traficantes e outras organizações criminosas muito provavelmente perderiam muita força pois o que mais os fortalece é exatamente a guerra às drogas, que não seriam mais substancias ilegais (e, sim, existem vários mecanismos para combater o uso, que passaria a ser um problema de saúde e não de segurança). Qualquer dúvida sobre isso é só ver o que aconteceu em todos os países que implementaram algum tipo de "lei seca" e depois desistiram da ideia. Alias, o questionamento à validade da guerra às drogas é algo bem universal, que acontece entre libertários e também estadistas tanto de direita quanto esquerda. Acho que a experiência mexicana (eles parece que descriminalizarão todas as drogas... ou já acabaram de o fazer) dirá muito sobre isso. De qualquer maneira o próprio modelo atual de estado é refém do crime organizado. Aqui a gente teve o governo de SP negociando paz com o PCC e suposta ligação do PCC e CV com vários políticos eleitos... então não é como se o atual modelo estivesse funcionando em qualquer parte do mundo.
Eu concordo que o poder deveria ser mais descentralizado, especialmente considerando as raízes patrimonialistas do Brasil. Porém, não sei se isso ocorreria de um modo justo somente pela iniciativa privada. O interesse principal do mercado é o lucro, não é necessariamente o bem ou a justiça.

Sobre o caso específico do narcotráfico: os grandes traficantes são inescrupulosos, não é como se eles fossem aceitar o PNA e permitir o livre mercado. Aliás, o meu maior medo não é PCC e afins, e sim as milícias que iriam surgir/se fortalecer após o fim do estado (principalmente após o fim das polícias). Sem dúvidas, o atual modelo é um fracasso (tanto é que as milícias já dominam o crime organizado e muitas vezes estão dentro do próprio ordenamento político no cenário atual), mas eu simplesmente não vejo esse pessoal entregando as armas e "começando do zero" como empresários "belos e morais". Dentro de uma mudança de paradigma tão radical como essa, é bem provável que haja muito sangue... isso é algo que se repete ao longo da história humana.

Eu estou me referindo ao sistema de livres trocas, apenas usei o fórum como exemplo. E sim, o fórum tem regras, como eu citei. Independente de onde venham as regras, você concordou submeter-se a elas, assim como um youtuber concorda em se submeter as regras do Youtube quando posta seus videos na plataforma, ou no Facebook, ou no Twitter, etc. Existem regras privadas que você está submetido ao usar propriedades de outros, e uma violação dessas regras pode acarretar em uma quebra de contrato, passível de punição.
Ora, então se já estamos no anarcocapitalismo, mesmo que as regras privadas estejam submetidas às regras públicas, não há mais o que discutir.

Sobre "trocas voluntárias", mesmo desconsiderando o ordenamento jurídico estatal, não vejo isso acontecendo sempre. Por exemplo, uma pessoa que faz uma cirurgia não paga milhares de reais porque quer, paga porque precisa. Há uma relação muito grande de desigualdade entre o contratado e o contratante. Por isso não acho que o próprio mercado seja capaz de regular a si mesmo em todos os casos.
 
Última vez editado:

Zangfs

Novato
Entrou
2/6/20
Posts
88
Reactions
90
Ora, então se já estamos no anarcocapitalismo, mesmo que as regras privadas estejam submetidas às regras públicas, não há mais o que discutir.

Sobre "trocas voluntárias", mesmo desconsiderando o ordenamento jurídico estatal, não vejo isso acontecendo sempre. Por exemplo, uma pessoa que faz uma cirurgia não paga milhares de reais porque quer, paga porque precisa. Há uma relação muito grande de desigualdade entre o contratado e o contratante. Por isso não acho que o próprio mercado seja capaz de regular a si mesmo em todos os casos.
Sim, anarcocapitalismo já funciona, já vivemos em uma sociedade onde ele funciona, só porque existe roubo nessa sociedade e o estado impõe leis de forma coercitiva sobre indivíduos pacíficos, não significa que não funciona, só que funciona apesar de existir um estado.

As pessoas são naturalmente desiguais, você dizer que existem pessoas com mais e outras com menos, não é necessariamente um problema. Se a pessoa prefere fazer a cirurgia do que permanecer com o dinheiro, então sim, ela faz a cirurgia porque quer. O valor que você atribui a algo é subjetivo, então se a pessoa está disposta a trocar os milhões que ela tem por uma cirurgia, então para essa pessoa a cirurgia vale mais do que os milhões que ela tem, é assim que funciona o calculo econômico, descrito por Mises. O que não é certo, dentro do anarcocapitalismo, é você barrar a concorrencia, impedindo a competição de preços, obrigando o consumidor a escolher entre poucas opções de cirurgias disponíveis, e que podem cobrar um preço astronômico pelo serviço por conta disso.
 

Ares1521

Principiante
Entrou
28/6/20
Posts
13
Reactions
63
Na questão econômica, sim, eu acho uma ideia interessante. Porém, com o aumento da liberdade econômica ocorre também o aumento da liberdade em geral... aí já não posso concordar muito. Liberdade não gera necessariamente algo bom; acho que, no final das contas, é preciso haver uma "terceira parte" (fora das relações privadas) para definir as regras fundamentais de funcionamento da sociedade, para cuidar de assuntos que fogem da capacidade da iniciativa privada (vejo essas discussões sobre tribunais privados, polícias privadas, etc., mas na prática acho muito difícil algo assim funcionar) e até mesmo dar a "palavra final" em determinadas situações. Veja, não digo que tem que ser necessariamente o Estado Democrático de Direito, mas no final haverá sempre algum tipo de ordenamento político (nem que seja um conselho de sábios ou mesmo um chefe tribal) no alicerce de qualquer sociedade.

Em suma, não acho que a propriedade privada seja um direito absoluto, existem muitas outras coisas que devem ter prioridade (o bem, a vida, a justiça, etc.).
Bom, acredito que então você já concorde com 95% das coisas que um ancap concorda, que coisas privadas funcionam melhor, logo talvez você tenha uma visão similar a um minarquista, correto? A visão de que dá para diminuir MUITO o estado, mas ele ainda é necessário em algumas pendengas, como resolução de conflitos sérios. Se entendi bem, já pensei assim e acho que essa última parte, o como "privatizar a justiça" seja de fato a mais difícil de resolver/entender.

Tem mais uma parte que é importante entender antes do meu próximo argumento: ancaps não são contra sistemas de governo, são contra o estado. Normalmente as pessoas usam esses dois nomes para a mesma coisa, mas pelas definições utilizadas por um ancap tem uma pequena diferença, o aspecto coercitivo! O estado é um governo que se impõe sobre a propriedade das pessoas baseado apenas no lugar onde a pessoa nasceu, só esse é o problema dele.
Um condomínio é um sistema de governança, porém quando você compra uma casa em um condomínio, você assina um contrato que aquele condomínio é uma forma de governança naquela região. Quando você passa essa casa para outra pessoa, essa pessoa precisa também assinar esse contrato, então é uma forma de governo que você entra de forma voluntária, se os termos forem terríveis, tipo "se o seu filho for gay, nós jogaremos ele de um prédio", você pode decidir não comprar casas nesse condomínio.

Tendo isso em mente, supondo a ausência de um estado com uma mesma lei para todos, que lei deveria ser seguida e quem a imporia?
Curiosamente já tem uma entidade que funciona hoje em dia que resolveu esse problema: O direito internacional! Sim, não tem uma lei global que todos os países devem seguir, quando tem treta entre eles, geralmente negociam utilizando um terceiro de árbitro.
Obviamente alguns países por serem fracos se associam em blocos de defesa mútua, como OTAN e alguns outros.
O mesmo aconteceria em um ancapstão, você até poderia não se associar a nenhuma empresa de governança, mas qualquer treta, teria que resolvê-la por contra própria, arrumar um árbitro de mutuo acordo ou "ir pra guerra" e muito provavelmente acabar morto. Muito provavelmente nenhuma empresa iria querer fazer negócio com você pelo fato de você apresentar uma alta insegurança jurídica (se você morre ou pira, quem se responsabiliza?), então você teria, devido a pressões econômicas e sociais, que contratar algum "seguro" com empresa seguradora que te garanta um nível de proteção física e jurídica que teria suas regras.
Se você treta com seu vizinho e ele é signatário de outra empresa de proteção, as empresas entre sí, assim como hoje fazem os estados no direito internacional, chegam a um meio termo para acertar a pendenga. Empresas que resolvam melhor conflitos por um menor custo crescerão, as ruins falirão.


Nós já vivemos em um ancapistão, o **** que tem um estado que se acha legítimo que tenta monopolizar a resolução de conflitos e mais alguns serviços para não ter concorrência. A vida em um ancapstão não seria muito diferente da que temos hoje, vai mudar que ao invés de quem controla a empresa de governança escolher quanto você paga e o que recebe, você vai escolher quanto paga e o que recebe de serviço assinando uma empresa de governança não coercitiva. Ao invés de pagar impostos altíssimos vai ter que escolher comprar seguros ou pagar a conta do hospital e se der tretas, que serão raras, pois treta é caro de resolver e as empresas de governança terão insentivo para manter os custos baixo, isso é, manter a violência baixa, a treta será resolvida de forma similar a quando tem algum acidente diplomático entre países que um arbitro externo intevêm.


-------------------

Alias, eu comecei postando falando da minha história sobre como conheci os ancaps, como você fez uma pergunta concreta de um dos temas que acho mais difícil de entender, resolvi tentar responder antes, agora mais um pouco de história:

Eu já concordando que era algo desejável na teoria, mas que não conseguia ver como poderia funcionar na prática, sai procurando mais sobre. Infelizmente a grande maioria dos canais são teóricos... mas ai achei o ancap.su (o canal dele mudou de nome essa semana para Visão Libertária pois é um nome melhor de marketing), ele tem uma série de vídeos explicando como as coisas podem funcionar na prática, aconselho a todos verem:
 
Última vez editado:

Taedaícara

Principiante
Entrou
29/6/20
Posts
2
Reactions
0
Eu tenho quase certeza que todo ancap tem algo como uma ilusão de grandeza ante a si mesmo. Eles realmente acham que poderiam competir livremente contra empresas como a Weg, por exemplo, simplesmente porque "livre mercado", quando não compreendem que existe um custo por trás de tudo que se toca, existirá um custo de produção de componentes, custo em cima dos insumos, custos para manter seu local de trabalho operante, custo de funcionários, custo de manutenção de equipamento e todos os outros custos envolvidos nisso.
Eles não entendem que não conseguirão competir contra grandes empresas que fazem compras com maior credibilidade, constância e quantidade, pois acham que sempre vai ter alguém disposto a vender seus insumos mais baratos porque "lucro é tudo que importa", quando isso beira o absurdo em qualquer situação palpável.
Eles acham que a eficiência e a capacidade de produção da Weg e da empresa de quintal deles é a mesma, que se a empresa deles não consegue competir com as mesmas margens da Weg então o problema é diretamente ligado à eficiência da própria empresa. O pior é que eles aplaudem isso, porque no fim eles vão "pagar mais barato".
Cobrinhas não compreendem que eles não são especiais e que eles são só mais do mesmo, que seriam triturados com os outros negócios pequenos por outros concorrentes maiores, tudo isso em prol de pagar mais barato e ter um salário de *****, uma vez que sempre vai ter alguém para pedir menos para fazer o mesmo trabalho, não é mesmo?

A realidade mais simples e direta é que o Anarco-capitalismo tem como resultado final a recriação daquilo que ele ajudou inicialmente a destruir, a diferença vai ser somente as novas lideranças políticas advindas desse processo, é uma ideia infantil e utópica similar ao comunismo. Observando bem a essência de ambas as doutrinas elas possuem os mesmos mecanismos psicológicos, que são:
I. Todos os problemas são derivados de uma única causa.
II. Se essa única causa cessar de existir todos os problema se resolvem.
Para os comunistas os problemas são a burguesia, para os Ancaps são os estados-nação.
Dentro dessas visões utópicas a natureza humana nunca é levada em consideração, é impressionante como intelectuais adoram soluções simplistas e inumanas, inumanas no sentido de que, o fator humano nunca é levado em conta na concepção dessas sociedades perfeitas, para eles não importa os tipos de seres humanos que habitem tal sistema, o sistema vai funcionar pela simples força de sua concepção, exemplo:
Uma sociedade de marginais que adoram roubar e matar, produzirá uma sociedade bem sucedida e prospera se o estado deixar de existir, é esse o nível de infantilidade dessas ideias.
 
OP
Anarcocapitalista
Entrou
3/11/19
Posts
5.263
Reactions
4.222
  • Autor(a) do Tópico
  • Thread Starter
  • #67
I. Todos os problemas são derivados de uma única causa.
II. Se essa única causa cessar de existir todos os problema se resolvem.
Parabéns pelo o espantalho, ninguém nunca disse isso.

1- O estado é o maior causador de problemas, mas não o único.
2- Acabando com o estado você facilita a resolução de problemas, não é garantia de mundo perfeito.

Certamente você nunca deve ter estudado nem o básico do anarco-capitalismo, que se trata de uma teoria ético-jurídica.

No momento que você compreende o estado como um agressor e que é injustificável argumentar eticamente pela sua existência, o único caminho que não cai em contradições é o anarcocapitalismo.

Caso queira aprender sobre a EAH (ética argumentativa hoppeana), segue aqui um pdf sobre o assunto.

 

Rosca Tudor

Grão-Mestre
Premium
Entrou
7/8/19
Posts
1.776
Reactions
1.673
Na questão econômica, sim, eu acho uma ideia interessante. Porém, com o aumento da liberdade econômica ocorre também o aumento da liberdade em geral... aí já não posso concordar muito. Liberdade não gera necessariamente algo bom; acho que, no final das contas, é preciso haver uma "terceira parte" (fora das relações privadas) para definir as regras fundamentais de funcionamento da sociedade, para cuidar de assuntos que fogem da capacidade da iniciativa privada (vejo essas discussões sobre tribunais privados, polícias privadas, etc., mas na prática acho muito difícil algo assim funcionar) e até mesmo dar a "palavra final" em determinadas situações. Veja, não digo que tem que ser necessariamente o Estado Democrático de Direito, mas no final haverá sempre algum tipo de ordenamento político (nem que seja um conselho de sábios ou mesmo um chefe tribal) no alicerce de qualquer sociedade.

Em suma, não acho que a propriedade privada seja um direito absoluto, existem muitas outras coisas que devem ter prioridade (o bem, a vida, a justiça, etc.).



Acordo oral no Brasil é complicado... :icon-lol:

Sobre tribunais privados, não acho que isso funcionaria, pelo menos em casos de crimes mesmo (roubo, assassinato, etc.). Quem comete crimes simplesmente iria se subscrever a um tribunal privado que não o condenasse ou, se isso não fosse possível, simplesmente não se subscreveria a nenhum tribunal. Em muitos casos seria preciso forçar as pessoas a aceitarem as decisões judiciais, mesmo que a pessoa não tenha concordado em se submeter a determinado(s) sistema(s).



Não dá pra abstrair essas coisas, isso fez parte da estrutura política e social dessas sociedades. Aliás, mesmo desconsiderando esses aspectos, não dá nem pra saber se era uma coisa realmente justa, já que não temos muitas informações sobre a alta idade média irlandesa, pois os celtas, de acordo com a arqueologia, não usavam muito da escrita e, consequentemente, não realizaram registros históricos suficientemente detalhados (e eu sinceramente acredito que não era, já que os celtas eram um povo bárbaro com uma cultura baseada em guerras, saques, pilhagens, etc.).



Eu concordo que o poder deveria ser mais descentralizado, especialmente considerando as raízes patrimonialistas do Brasil. Porém, não sei se isso ocorreria de um modo justo somente pela iniciativa privada. O interesse principal do mercado é o lucro, não é necessariamente o bem ou a justiça.

Sobre o caso específico do narcotráfico: os grandes traficantes são inescrupulosos, não é como se eles fossem aceitar o PNA e permitir o livre mercado. Aliás, o meu maior medo não é PCC e afins, e sim as milícias que iriam surgir/se fortalecer após o fim do estado (principalmente após o fim das polícias). Sem dúvidas, o atual modelo é um fracasso (tanto é que as milícias já dominam o crime organizado e muitas vezes estão dentro do próprio ordenamento político no cenário atual), mas eu simplesmente não vejo esse pessoal entregando as armas e "começando do zero" como empresários "belos e morais". Dentro de uma mudança de paradigma tão radical como essa, é bem provável que haja muito sangue... isso é algo que se repete ao longo da história humana.



Ora, então se já estamos no anarcocapitalismo, mesmo que as regras privadas estejam submetidas às regras públicas, não há mais o que discutir.

Sobre "trocas voluntárias", mesmo desconsiderando o ordenamento jurídico estatal, não vejo isso acontecendo sempre. Por exemplo, uma pessoa que faz uma cirurgia não paga milhares de reais porque quer, paga porque precisa. Há uma relação muito grande de desigualdade entre o contratado e o contratante. Por isso não acho que o próprio mercado seja capaz de regular a si mesmo em todos os casos.
Vc já é ancap, só que ainda não sabe:icon-lol:

Note que vc em momento algum questionou a essência da coisa e sim métodos, que o pessoal já te explicou bem e não quero soar como papagaio.

O ponto é que através da iniciativa privada se criam diferentes maneiras de resolver as coisas... algumas serão mais eficientes do que outras, mas pelo menos vc pode avaliar a que melhor te serve e ter tal escolha. No estado acho que vc vai concordar que a questão de justiça e segurança não funcionam, especialmente no Brasil. Obvio que nunca será perfeito como não é em lugar algum no mundo, pois o limite são as pessoas e o que elas podem fazer... mas pelo menos vc não dependerá da escolha de um bando de parasitas corruptos que só escolhem as coisas pensando no ganho deles e, se muito, numa reeleição (que é mais um campeonato de manipular narrativa do que de fato uma avaliação do histórico do individuo).

Curtas:

1 - Sim, uma terceira parte sempre é necessária quando as outras duas partes envolvidas não se entendem. Porém o que vc acha mais eficiente: Que ambas fiquem na mão de um tribunal público jus-positivado e moroso ou num que possa ser escolhido em comum acordo entre as partes (pq isso terá que acontecer) em que ambas possam checar precedentes e recomendações?

2 - A parte de crimes violentos realmente é um problema a ser discutido. Porém atualmente aqui no BR muito se discute e continua um lixo 100% ineficiente, pq vivemos numa sociedade onde praticamente não existe reparação ou sequer algo que desestimule criminosos a desistirem do crime. Então uma discussão sobre o assunto cabe a qualquer sociedade e não só sobre a ancap, e um melhor caminho pode ser aplicado em todas as sociedades. Porém existe uma diferença fundamental que é o fato de não existir um estado que te impossibilite de ter armas e se defender, ou de contratar uma boa companhia de segurança... o que, pessoalmente, acho que já seria um grande bonus uma vez que espero poder matar quem tentar me matar e não morrer pros outros verem meu assassino ser julgado. Mas, claro, tb seria bom um sistema decente de segurança e justiça aqui no BR, que é algo que não vejo acontecer com um estado ineficiente tendo o monopólio da força e que ainda pode me prender caso eu me defenda de um assassinato.

3 - Vc não precisa copiar o sistema celta, pois ele existiu há milênios, quando TODAS AS SOCIEDADES ERAM DIFERENTES. Mas a ideia de que eles passaram muitos séculos com tal sistema vigente prova algo sim. Eles não eram bárbaros (alias, barbárie é um conceito ignóbil e reducionista vindo de sociedades xenófobas e imperfeitas demais... tanto que romanos e gregos tb viviam de guerras e pilhagens... como praticamente todo mundo na época) e possuíam contato com outros povos que usavam diversos outros modelos. A sociedade não mudou tanto em certos aspectos e as necessidades primárias (incluindo justiça) sempre existiram. Se eles conseguiram um modelo sem estado é pq funcionava bem o bastante. E só deixou de funcionar depois que, pasme, um povo "civilizado" e "estatizado" justamente chegou lá matando, pilhando e então forçando que surgisse uma realeza marionete. E, óbvio que como a cultura evoluiu muito, seriam as ideias modernas a serem aplicadas, não as daquela época.

4 - A questão do lucro é interessante vc levantar. Mas se existe concorrência a melhor maneira das empresas conseguirem mais lucro é ganhando mais clientes/serviços. Isso funciona hoje na advocacia... se uma empresa ou advogado ganham muitos casos existirá então mais clientes os procurando. O problema no Brasil é que nossa justiça é tão burocrática que um monte de advogados ruins ainda acham serviço exatamente pelo excesso de casos nos quais advogados são necessários. Alias, vc sabia que o Brasil tem mais da metade dos advogados do mundo? E coincidentemente tb somos uma das justiças mais burocráticas e complexas do mundo (só compare nosso código penal e apêndices com os de outros países). Coincidência? É estado demais pra vc? Então.

5 - Como eu disse... traficante não tem poder pq são inescrupulosos (alias, 99% dos bandidos são caras bem covardes) e sim pq tem dinheiro ganho em atividade ilegal. Pare de mandar polícia atrás do cara que eles terão que simplesmente diminuir custos... e uma hora terá que se focar mais em vender do que se armar. Além de que, voltemos ao ponto 2, que permite que eu também tenha armas tão boas ou melhores que as deles. E, como eu tb disse anteriormente: O conceito de guerra as drogas está entrando em universal decadência... grupos das mais diversas ideologias entendem que é exatamente a guerra às drogas que fomenta o poder dos traficantes. Não tem nada a ver com PNA ou boa vontade de *********... é o livre mercado simplesmente tornando o cara em algo obsoleto.
 
Última vez editado:

Taedaícara

Principiante
Entrou
29/6/20
Posts
2
Reactions
0
-Mundo ancap, empresas começam a literalmente escravizar pessoas em suas propriedades privadas para produzir com o menor custo possível.
-Ninguém sabe o que se passa nessas propriedades, porque não se pode violar o PNA do empresário.
-Empresários filhos da puta da pior espécie viram os mais poderosos do mundo, todos os outros vão a falência.
-Sem barreiras estatais e protecionismo, as empresas gigantes tomam conta de tudo e as pequenas desaparecem, pelo simples fato de a produção em massa e especializada ser a mais eficiente e barata possível.
-Cobrinha normal bobão, que não faz mal a uma mosca, acha que vai conseguir algo nesse mercado além de ser escravo.

Seriam todos sodomizados pelos tribunais e policias vendidas para os maiores filhos das putas, isso se não nascessem e morressem escravos.
 
OP
Anarcocapitalista
Entrou
3/11/19
Posts
5.263
Reactions
4.222
  • Autor(a) do Tópico
  • Thread Starter
  • #70
-Mundo ancap, empresas começam a literalmente escravizar pessoas em suas propriedades privadas para produzir com o menor custo possível.
-Ninguém sabe o que se passa nessas propriedades, porque não se pode violar o PNA do empresário.
-Empresários filhos da puta da pior espécie viram os mais poderosos do mundo, todos os outros vão a falência.
-Sem barreiras estatais e protecionismo, as empresas gigantes tomam conta de tudo e as pequenas desaparecem, pelo simples fato de a produção em massa e especializada ser a mais eficiente e barata possível.
-Cobrinha normal bobão, que não faz mal a uma mosca, acha que vai conseguir algo nesse mercado além de ser escravo.

Seriam todos sodomizados pelos tribunais e policias vendidas para os maiores filhos das putas, isso se não nascessem e morressem escravos.
Porque sempre tem um bilionário hipotético que conseguiu ficar rico e poderoso com uma livre concorrência que não pode ser parada por burocracia, impostos e corporativismo vai ter o monopólio da violência para si, e quando ele conseguir isso, ele vai ignorar seus mecanismos empresariais de lucro e escravizar geral.
 
OP
Anarcocapitalista
Entrou
3/11/19
Posts
5.263
Reactions
4.222
  • Autor(a) do Tópico
  • Thread Starter
  • #72
-Mundo ancap, empresas começam a literalmente escravizar pessoas em suas propriedades privadas para produzir com o menor custo possível.
-Ninguém sabe o que se passa nessas propriedades, porque não se pode violar o PNA do empresário.
-Empresários filhos da puta da pior espécie viram os mais poderosos do mundo, todos os outros vão a falência.
-Sem barreiras estatais e protecionismo, as empresas gigantes tomam conta de tudo e as pequenas desaparecem, pelo simples fato de a produção em massa e especializada ser a mais eficiente e barata possível.
-Cobrinha normal bobão, que não faz mal a uma mosca, acha que vai conseguir algo nesse mercado além de ser escravo.

Seriam todos sodomizados pelos tribunais e policias vendidas para os maiores filhos das putas, isso se não nascessem e morressem escravos.
Eu nunca vi tanto espantalho assim, você é clone de quem no fórum?

Se tudo que você acredita é o que aconteceria, então por que ninguém financia movimentos ancaps igual financiam partidos políticos e movimento pro-estado? Ford Foundation financia o BLM mas não financia Liberstad, por que será?
 

Lost Number

Grão-Mestre
Entrou
18/10/18
Posts
1.989
Reactions
1.260
@Lost Number

Tu viu este vídeo que postei aqui?

Vi agora, e é aquela coisa que eu disse, ele fala de idealismo, racionalismo, materialismo, etc., mas não tenho base filosófica para analisar o que ele diz. O Conde também faz muitas análises superficiais, muitas vezes ele nem assiste os vídeos inteiros e solta um vídeo em resposta. Mas muitas coisas do que ele diz não deixam de ser pertinentes (por exemplo, o que é dito naquele vídeo da questão dos contratos).

Posso comentar apenas sobre o que é dito da Igreja Católica: ele não entende a estrutura da Igreja Católica. Aliás, até o Conde se expressa muito mal no vídeo em análise (não sei se por desconhecimento ou por desleixo mesmo), colocando ser católico num mesmo nível de ser brasileiro, ser liberal, etc. A Igreja Católica tem um corpo de dogmas que precisam ser seguidos, caso contrário você não pode se considerar católico. (Eu poderia elaborar mais o que eu digo, mas isso levaria muito tempo e eu teria que rever as fontes... mas um bom começo pra entender sobre o Catolicismo é ler o catecismo.)

Sim, anarcocapitalismo já funciona, já vivemos em uma sociedade onde ele funciona, só porque existe roubo nessa sociedade e o estado impõe leis de forma coercitiva sobre indivíduos pacíficos, não significa que não funciona, só que funciona apesar de existir um estado.

As pessoas são naturalmente desiguais, você dizer que existem pessoas com mais e outras com menos, não é necessariamente um problema. Se a pessoa prefere fazer a cirurgia do que permanecer com o dinheiro, então sim, ela faz a cirurgia porque quer. O valor que você atribui a algo é subjetivo, então se a pessoa está disposta a trocar os milhões que ela tem por uma cirurgia, então para essa pessoa a cirurgia vale mais do que os milhões que ela tem, é assim que funciona o calculo econômico, descrito por Mises. O que não é certo, dentro do anarcocapitalismo, é você barrar a concorrencia, impedindo a competição de preços, obrigando o consumidor a escolher entre poucas opções de cirurgias disponíveis, e que podem cobrar um preço astronômico pelo serviço por conta disso.
Sinceramente, se for assim, eu nunca poderei ser anarcocapitalista, pois não consigo ver o mundo como uma relação voluntarista como essa. Não sei como você consegue ver isso como uma troca voluntária, a pessoa paga uma fortuna por uma cirurgia porque quer (poderia até dar tudo o que ela tem nisso)?... não é possível enxergar a injustiça que pode haver sobre algo assim?

Sobre a concorrência baixar os preços: isso até pode funcionar na maior parte dos casos, mas os mercados não são homogêneos, nem sempre é possível achar um monte de opções para um determinado produto ou serviço. Na saúde, por exemplo, é muito custoso e demorado formar profissionais e desenvolver a estrutura necessária, poucos são os "competidores" que podem entrar nesse tipo de mercado. Além disso, como já foi dito, os clientes estão quase sempre em situação de grande vulnerabilidade, o que pode acarretar facilmente em abusos.

Bom, acredito que então você já concorde com 95% das coisas que um ancap concorda, que coisas privadas funcionam melhor, logo talvez você tenha uma visão similar a um minarquista, correto? A visão de que dá para diminuir MUITO o estado, mas ele ainda é necessário em algumas pendengas, como resolução de conflitos sérios. Se entendi bem, já pensei assim e acho que essa última parte, o como "privatizar a justiça" seja de fato a mais difícil de resolver/entender.

Tem mais uma parte que é importante entender antes do meu próximo argumento: ancaps não são contra sistemas de governo, são contra o estado. Normalmente as pessoas usam esses dois nomes para a mesma coisa, mas pelas definições utilizadas por um ancap tem uma pequena diferença, o aspecto coercitivo! O estado é um governo que se impõe sobre a propriedade das pessoas baseado apenas no lugar onde a pessoa nasceu, só esse é o problema dele.
Um condomínio é um sistema de governança, porém quando você compra uma casa em um condomínio, você assina um contrato que aquele condomínio é uma forma de governança naquela região. Quando você passa essa casa para outra pessoa, essa pessoa precisa também assinar esse contrato, então é uma forma de governo que você entra de forma voluntária, se os termos forem terríveis, tipo "se o seu filho for gay, nós jogaremos ele de um prédio", você pode decidir não comprar casas nesse condomínio.

Tendo isso em mente, supondo a ausência de um estado com uma mesma lei para todos, que lei deveria ser seguida e quem a imporia?
Curiosamente já tem uma entidade que funciona hoje em dia que resolveu esse problema: O direito internacional! Sim, não tem uma lei global que todos os países devem seguir, quando tem treta entre eles, geralmente negociam utilizando um terceiro de árbitro.
Obviamente alguns países por serem fracos se associam em blocos de defesa mútua, como OTAN e alguns outros.
O mesmo aconteceria em um ancapstão, você até poderia não se associar a nenhuma empresa de governança, mas qualquer treta, teria que resolvê-la por contra própria, arrumar um árbitro de mutuo acordo ou "ir pra guerra" e muito provavelmente acabar morto. Muito provavelmente nenhuma empresa iria querer fazer negócio com você pelo fato de você apresentar uma alta insegurança jurídica (se você morre ou pira, quem se responsabiliza?), então você teria, devido a pressões econômicas e sociais, que contratar algum "seguro" com empresa seguradora que te garanta um nível de proteção física e jurídica que teria suas regras.
Se você treta com seu vizinho e ele é signatário de outra empresa de proteção, as empresas entre sí, assim como hoje fazem os estados no direito internacional, chegam a um meio termo para acertar a pendenga. Empresas que resolvam melhor conflitos por um menor custo crescerão, as ruins falirão.


Nós já vivemos em um ancapistão, o **** que tem um estado que se acha legítimo que tenta monopolizar a resolução de conflitos e mais alguns serviços para não ter concorrência. A vida em um ancapstão não seria muito diferente da que temos hoje, vai mudar que ao invés de quem controla a empresa de governança escolher quanto você paga e o que recebe, você vai escolher quanto paga e o que recebe de serviço assinando uma empresa de governança não coercitiva. Ao invés de pagar impostos altíssimos vai ter que escolher comprar seguros ou pagar a conta do hospital e se der tretas, que serão raras, pois treta é caro de resolver e as empresas de governança terão insentivo para manter os custos baixo, isso é, manter a violência baixa, a treta será resolvida de forma similar a quando tem algum acidente diplomático entre países que um arbitro externo intevêm.


-------------------

Alias, eu comecei postando falando da minha história sobre como conheci os ancaps, como você fez uma pergunta concreta de um dos temas que acho mais difícil de entender, resolvi tentar responder antes, agora mais um pouco de história:

Eu já concordando que era algo desejável na teoria, mas que não conseguia ver como poderia funcionar na prática, sai procurando mais sobre. Infelizmente a grande maioria dos canais são teóricos... mas ai achei o ancap.su (o canal dele mudou de nome essa semana para Visão Libertária pois é um nome melhor de marketing), ele tem uma série de vídeos explicando como as coisas podem funcionar na prática, aconselho a todos verem:
Não, não tenho uma visão similar a de um minarquista, pois não acho que as "coisas privadas" funcionem melhor, pelo menos não num sentido tão generalista como soa sua construção (sim, acredito que funcionem melhor na maior parte dos casos, mas não necessariamente num sistema minarquista), e também acho muito difícil que o estado atual seja reduzido a um "estado mínimo" (a sua própria estrutura não permite isso). Os principais agentes políticos brasileiros também tendem a rejeitar até mesmo o liberalismo, quanto mais um minarquismo. Ou seja, há um problema similar ao do anarcocapitalismo: a realidade, ao meu ver, simplesmente não é favorável.

É interessante você mencionar direito internacional, já que, pelo menos numa perspectiva mais moderna, ele contribui com o fim de diversas estruturas espontâneas, como estados semi-independentes, enclaves, as corporações de ofício, etc. (basicamente a estrutura feudal), e também acabou dando mais legitimitidade aos sistemas de estado que existiram mais usualmente durante a Modernidade e após (monarquias absolutistas, repúblicas, etc.). Não vejo outra tendência além da centralização de poder, mesmo dentro de um "cenário" de "árbitros e seguradores privados".

Pois é, mas como essa vida no "Ancapistão" não seria coercitiva? Supondo que a cidade em que eu viva se torne privada, e se eu não aceitar o preço do uso das ruas, calçadas (ou taxa, ou sei lá o quê), etc., como eu faria? Teria que comprar um helicóptero pra me locomover (se é que o espaço aéreo seria public domain)? Além disso, e quem nascesse em um sistema assim? Não seria coerção ter que pagar esse tal valor sem sequer ter concordado com isso?

Vc já é ancap, só que ainda não sabe:icon-lol:

Note que vc em momento algum questionou a essência da coisa e sim métodos, que o pessoal já te explicou bem e não quero soar como papagaio.

O ponto é que através da iniciativa privada se criam diferentes maneiras de resolver as coisas... algumas serão mais eficientes do que outras, mas pelo menos vc pode avaliar a que melhor te serve e ter tal escolha. No estado acho que vc vai concordar que a questão de justiça e segurança não funcionam, especialmente no Brasil. Obvio que nunca será perfeito como não é em lugar algum no mundo, pois o limite são as pessoas e o que elas podem fazer... mas pelo menos vc não dependerá da escolha de um bando de parasitas corruptos que só escolhem as coisas pensando no ganho deles e, se muito, numa reeleição (que é mais um campeonato de manipular narrativa do que de fato uma avaliação do histórico do individuo).

Curtas:

1 - Sim, uma terceira parte sempre é necessária quando as outras duas partes envolvidas não se entendem. Porém o que vc acha mais eficiente: Que ambas fiquem na mão de um tribunal público jus-positivado e moroso ou num que possa ser escolhido em comum acordo entre as partes (pq isso terá que acontecer) em que ambas possam checar precedentes e recomendações?

2 - A parte de crimes violentos realmente é um problema a ser discutido. Porém atualmente aqui no BR muito se discute e continua um lixo 100% ineficiente, pq vivemos numa sociedade onde praticamente não existe reparação ou sequer algo que desestimule criminosos a desistirem do crime. Então uma discussão sobre o assunto cabe a qualquer sociedade e não só sobre a ancap, e um melhor caminho pode ser aplicado em todas as sociedades. Porém existe uma diferença fundamental que é o fato de não existir um estado que te impossibilite de ter armas e se defender, ou de contratar uma boa companhia de segurança... o que, pessoalmente, acho que já seria um grande bonus uma vez que espero poder matar quem tentar me matar e não morrer pros outros verem meu assassino ser julgado. Mas, claro, tb seria bom um sistema decente de segurança e justiça aqui no BR, que é algo que não vejo acontecer com um estado ineficiente tendo o monopólio da força e que ainda pode me prender caso eu me defenda de um assassinato.

3 - Vc não precisa copiar o sistema celta, pois ele existiu há milênios, quando TODAS AS SOCIEDADES ERAM DIFERENTES. Mas a ideia de que eles passaram muitos séculos com tal sistema vigente prova algo sim. Eles não eram bárbaros (alias, barbárie é um conceito ignóbil e reducionista vindo de sociedades xenófobas e imperfeitas demais... tanto que romanos e gregos tb viviam de guerras e pilhagens... como praticamente todo mundo na época) e possuíam contato com outros povos que usavam diversos outros modelos. A sociedade não mudou tanto em certos aspectos e as necessidades primárias (incluindo justiça) sempre existiram. Se eles conseguiram um modelo sem estado é pq funcionava bem o bastante. E só deixou de funcionar depois que, pasme, um povo "civilizado" e "estatizado" justamente chegou lá matando, pilhando e então forçando que surgisse uma realeza marionete. E, óbvio que como a cultura evoluiu muito, seriam as ideias modernas a serem aplicadas, não as daquela época.

4 - A questão do lucro é interessante vc levantar. Mas se existe concorrência a melhor maneira das empresas conseguirem mais lucro é ganhando mais clientes/serviços. Isso funciona hoje na advocacia... se uma empresa ou advogado ganham muitos casos existirá então mais clientes os procurando. O problema no Brasil é que nossa justiça é tão burocrática que um monte de advogados ruins ainda acham serviço exatamente pelo excesso de casos nos quais advogados são necessários. Alias, vc sabia que o Brasil tem mais da metade dos advogados do mundo? E coincidentemente tb somos uma das justiças mais burocráticas e complexas do mundo (só compare nosso código penal e apêndices com os de outros países). Coincidência? É estado demais pra vc? Então.

5 - Como eu disse... traficante não tem poder pq são inescrupulosos (alias, 99% dos bandidos são caras bem covardes) e sim pq tem dinheiro ganho em atividade ilegal. Pare de mandar polícia atrás do cara que eles terão que simplesmente diminuir custos... e uma hora terá que se focar mais em vender do que se armar. Além de que, voltemos ao ponto 2, que permite que eu também tenha armas tão boas ou melhores que as deles. E, como eu tb disse anteriormente: O conceito de guerra as drogas está entrando em universal decadência... grupos das mais diversas ideologias entendem que é exatamente a guerra às drogas que fomenta o poder dos traficantes. Não tem nada a ver com PNA ou boa vontade de *********... é o livre mercado simplesmente tornando o cara em algo obsoleto.
1- Depende. Num conflito mais simples, no âmbito civil (briga com vizinho, briga entre empresa e funcionário, dívidas em banco, danos morais, etc.), seria bem melhor resolver de comum acordo. Porém, é como eu disse, nem sempre há comum acordo e as pessoas têm que ser forçadas a aceitar determinadas decisões judiciais (mesmo em conflitos de menor escala, acredito que a conciliação ainda é usada minoritariamente como resolução de conflitos, isso aqui no Brasil pelo menos).

2- Isso eu concordo, a pessoa tem mesmo que ter o direito de se defender. Porém, ainda existem os problemas do ponto 1.

3- O Império Chinês também durou milhares de anos... duração não quer dizer nada. Aliás, eu concordo que não como você pegar um exemplo "descolando" ele de seu contexto histórico... mas são os anarcocapitalistas que usam esses exemplos. O estado era marginalmente presente em TODO o mundo. Mesmo nos grandes impérios a maioria das cidades eram bastante independentes e o poder era bastante descentralizado, mas isso por conta das limitações técnicas e tecnológicas da época. As estruturas político-sociais da Antiguidade muitas vezes eram bastante rudimentares, mas ainda assim existiam (quero dizer, existia alguma autoridade ou instituição que praticava coerção com os indivíduos da sociedade -- ou seja, faziam um trabalho equivalente ao do estado).

Sobre o uso do termo "bárbaro": sinceramente, por mais violentas que pudessem ser, as sociedades greco-romanas são a base do ocidente em que vivemos hoje. É inegável que elas eram muito mais sofisticadas que os denominados "povos bárbaros". Ah, e os gregos usavam o termo "bárbaro" para definir apenas os povos que não falavam grego (incluindo aí os egípcios, que tinham uma cultura bastante rica também).

4- Sim, aqui é advogado transbordando pelo ladrão, mesmo que a maioria dos bacharéis em direito não consiga tirar a OAB. Pra esse problema eu não vejo solução, realmente, já que pelo lado político não há sinais de mudança.

5- O problema é que eles não usam as armas só contra a polícia, mas principalmente contra os seus concorrentes. A maioria das mortes violentas que acontecem aqui no Brasil é de bandido matando bandido. É por isso que eu não vejo isso funcionando, mesmo com a liberação das armas; enquanto os novos "competidores" do novíssimo mercado legal de drogas estariam juntando dinheiro pra comprar sua pistolinha 380, o traficantão manda o "bonde" com uns AR-15 pra varar o pessoal de bala. E os consumidores desse tipo de mercado não são do tipo que analisam a ética dos fornecedores do "produto", eles querem só se entorpecer e ponto.
 

Lost Number

Grão-Mestre
Entrou
18/10/18
Posts
1.989
Reactions
1.260
Nossa, 1:30 da manhã... da próxima vez, se eu demorar a responder é porque eu tô vendo tudo por partes, são 4 pessoas falando comigo e o vídeo em especial me fez demorar bastante pra elaborar a minha resposta (que eu nem sei se foi muito bem pensada porque eu já tô com bastante sono). Por favor, pra quem está querendo ficar no campo filosófico, já vou dizendo (na verdade repetindo) que não tenho como responder.
 

Crie Uma Conta Ou Faça o Login Para Postar Aqui

Você precisa ter um Perfil para comentar ou criar Tópicos

Criar um Perfil

Crie um Perfil para participar! É fácil, rápido e totalmente gratuito.

Fazer Login

Se você já possuí uma conta, faça o login aqui.

Top Bottom